segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
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PABLO puxa Aretuza Lovi e outras drags no mesmo estilo do bonitão

Embalou essa nova onda no Brasil
Gilberto Jr , Ela/Globo | 27/11/2017 às 17:23
Aretusa Lovi, goiano
Foto: Ela

“Podem brincar de boneca comigo”, avisa, segundos antes do início da transformação, o goiano Bruno Nascimento, 27 anos. Tudo começa pela peruca loura longuíssima, seguida de base, cílios postiços, batom. Uma hora e meia depois, ele renasce como Aretuza Lovi, a drag queen que, assim como Pabllo Vittar, Gloria Groove e Lia Clark, vem desafiando convenções e quebrando preconceitos na música popular brasileira.

— Esse movimento que está acontecendo é revolucionário. Jamais imaginei viver isso. Fora do nosso meio, não éramos vistas como artistas. Agora temos a atenção do público, digamos, tradicional, o que é muito importante. Nesse sentido, a Pabllo veio rompendo barreiras e abrindo portas para todas. Ela nos puxou. Não foi sozinha. Tem muita gente, no entanto, que tenta nos boicotar, mas não estão conseguindo. Juntas, somos mais fortes — observa a cantora/o cantor. Para Bruno, tanto faz; o gênero não é uma questão.

Se a união faz a força, Aretuza — que se mudou para o Rio há três semanas e fixou residência em Botafogo — recrutou Pabllo e Gloria para dividirem os vocais com ela em “Joga bunda”, single do álbum “Mercadinho”, sem data de lançamento. O trabalho vem na carona dos sucessos “Catuaba” (2016) e “Vagabundo” (2017), cujos vídeos têm excelentes performances no YouTube. O primeiro foi visualizado quase 5,4 milhões de vezes, o segundo soma 1,4 milhão de reproduções. São números de respeito:

— Minha estreia no universo musical foi há cinco anos, com “Striptease”, canção gravada com a ajuda de amigos. Até “Catuaba”, nada que eu coloquei no mercado aconteceu de fato. Talvez por falta de amadurecimento. Também não era a hora.

Bruno conta que se tornou Aretuza Lovi em uma brincadeira, durante um dia chuvoso de 2012 em Brasília, onde vivia. A intenção era só produzir um vídeo em que ele se montava com as roupas da mãe de um amigo. Antes de apertar o play, o batismo. O primeiro nome veio de supetão; o sobrenome teve influência do futebol.

— Naquele instante, estava passando uma reportagem sobre o jogador Vágner Love no “Esporte espetacular”. Acabei ficando com seu sobrenome, trocando o E por um I — recorda o goiano, que, na verdade, nunca almejou ser drag queen. — Achava lindo, mas existia um bloqueio, sabe?