ter?a-feira, 19 de fevereiro de 2019
Colunistas / Vida de Gordo
Otto Freitas

MANUAL para compra presentes de NATAL para os gordos

Gordo é guloso, adora fartura. Gosta mesmo é de comer, beber e viajar
19/11/2017 às 19:35

Quando foram visitar o Menino Jesus, os três Reis Magos, Melquior, Baltazar e Gaspar, levaram de presente ouro, incenso e mirra, representando a realeza, a espiritualidade e a imortalidade, respectivamente. Mas a humanidade preferiu ficar só com o ouro, misturou Cristianismo com Papai Noel e transformou o Natal em momento supremo de superficialidade, hipocrisia e valorização do dinheiro e dos bens materiais. 

Esquece que presentear é um ato de amor e afeto; que é preciso dedicação na busca pelo presente certo para aquela pessoa por quem se tem carinho, admiração e respeito. Não é dar por dar, qualquer coisa, só por obrigação, ou para puxar o saco.

Depois desse breve surto, Jeffinho desincorpora o manifestante revoltado e volta ao planeta terra, que atualmente mais parece um lote desvalorizado dos umbrais. Acostumado a levar ferro o ano inteiro (ferro no sentido figurado, avisa aos maledicentes) e diante da crise que o país atravessa, Jeffinho criou um Manual para Compra de Presentes de Natal para Gordo. Assim, ninguém pode recorrer a velhas desculpas (‘é tão difícil dar presente a quem é assim fofinho...!’) para deixar o gordo fora da árvore e do saco de Papai Noel na noite de Natal. 

Tanto para o gordo como para o magro, fuja daqueles presentes muito pessoais. É praticamente impossível comprar, por exemplo, perfumes, óculos escuros (olha a carona larga do presenteado!) e roupa, a não ser que o gordo em questão seja o próprio Papai Noel, aí não tem erro. Aliás, no caso de roupa, pode-se arriscar somente com a camiseta, de preferência lisa, sem aquela estampa que pode duplicar o tamanho da barriga. Se ligue na etiqueta: quanto mais G e mais X, juntos, mais garantido. 

Jamais compre sapatos; gordo usa sempre dois números a mais, pois tem o pé tridimensionalmente maior que a forma. Aquele chinelão plástico cara de tacho cabe, mas é abominável, sempre falta nos dedos e sobra nos calcanhares - e nem todo gordo é cafona e ridículo. Mais garantido é dar sandálias de dedo, de borracha, embora seja um presente muito chocho, mesmo com griffe.

 No caso das joias nem se deve cogitar: o anel não vai caber no dedo gordo; o pulso é grosso demais para as pulseiras em geral e de relógios em particular; e os cordões de ouro ou prata, geralmente com crucifixos e imagens de santos católicos, acabam virando gargantilha apertada com pingente no pescoção do gordo.
 
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Então, amigos, amigas, namorados, namoradas, mulheres, maridos, filhos, filhas e parentes em geral de pessoas gordas: ou você pesquisa sobre as artes e artistas preferidos, para escolher um presente decente nessa área, ou compra os melhores laptops e smartfones, que não têm medidas, ou então vai direto ao que agrada a gordos e troianos, sem erro: comidinhas, bebidinhas e viagens. 

Não economize, porque não existe essa história de “quem come e guarda come duas vezes”; gordo come de uma vez só, até se fartar. Que tal uma cesta de Natal bem grande, lotada de barras de chocolate (nada daquelas caixas de bombons baratos que se acha até em camelô), infindáveis queijos e variadas garrafas de vinhos inesquecíveis, patês verdadeiros, suculentos embutidos italianos, castanhas e biscoitos finos?

Não me venham, de forma alguma, com franguinho assado, tender e chester, maionese de batata e farofa de miúdos, pães de Natal e panetone, potinhos de azeitona e ameixas, cidra e cerveja. Quando muito, é aceitável um belo peru pesadão que garanta o escaldado do dia seguinte. 

Agora, uma coisa é certa: presente bom mesmo é uma big BMW, daquelas espaçosas, para o gordo dirigir bem folgadão, ou viagens com tudo pago para passar as festas de fim de ano em Nova Iorque ou Paris, a Cidade Luz. Isso é que é fraternidade e espírito cristão. Os Reis Magos ficariam humilhados.