terça-feira, 25 de abril de 2017
Colunistas / Vida de Gordo
Otto Freitas

Comida de verdade não engorda, dá prazer e felicidade

O jornalista otto.freitas@terra.com.br esreve quinzenalmente na coluna Vida de Go
16/04/2017 às 11:20
Se há um modismo horrível é passar fome, ou comer folha com quinoa e pingos de limão azedo para ficar com um corpinho de bailarino espanhol. Paradoxalmente, comer também está na moda. É chique e modernoso saber cozinhar. Os canais de TV (fechados e abertos, nacionais e estrangeiros) estão abarrotados de programas campeões de audiência cujo tema central é a comida. Tem para todo gosto, incluindo aqueles em que o chef, contrariando o dogma de que cozinhar é um ato de amor e carinho, grita tanto com que a cenoura corre para o psicanalista com crise de identidade, se achando um jiló desnaturado. 

Com Rita Lobo não é assim e por isso Jeffinho não perde o seu Cozinha Prática, programa que está em oitava temporada, no canal fechado GNT. A loura magrela é uma cozinheira de comida de verdade, muito simples, fácil de fazer. Mesmo no vídeo, sua comida parece tão perfumada e saborosa que o cheiro exala pelos chips da TV digital. 

Parece mágica, mas não é. É a comida verdadeira, feita com ingredientes frescos e naturais. O sabor é parecido com a comida da vovó, mas o modo de fazer não pode mais ser o mesmo, é preciso simplificar; as pessoas não têm mais tempo nem as habilidades culinárias de antigamente. “É o resgate de se sentar à mesa, do vegetal, do feijão, em vez de invenções supostamente saudáveis, criadas pela indústria”, afirma Rita Lobo, em recente entrevista nas Páginas Amarelas da revista Veja (edição 2519, de 1º de março de 2017).

As pessoas acham que comer bem é sinônimo de fazer dieta, de restrição, de cortar glúten e lactose sem ter intolerância a essas substâncias. “Isso está errado”, garante. “Saudável é algo feito na cozinha de casa, a partir de produtos que vêm da natureza. É importante envolver os filhos na cozinha desde cedo, voltar ao jantar em família, que muita gente abandonou. Nada de trocar o feijão com arroz, os legumes refogados, pela medicalização dos pratos. Comem nutrientes em vez de comida e acabam consumindo alimentos ultraprocessados, como o pão sem glúten. Mesmo que eventualmente gordurosa e açucarada, comida caseira é melhor do que comida processada ou industrializada”.

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Ex-modelo, formada em gastronomia, Rita Lobo é alegre, doce, bem humorada e ainda gosta de dançar e cantar - é imperdível o making of, com cenas inéditas da gravação, exibido no final do programa. Ela criou a Panelinha: além de produtora audiovisual e do site (panelinha.com.br), é também editora. Segundo a Veja, a autora já vendeu 500 mil livros de culinária, em sete títulos. É best-seller do segmento, junto com Flora Gil, líder entre as cozinheiras naturebas que também mantém programa no GNT.

Entre os livros, o Panelinha, Receitas que Funcionam é indicado pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, documento oficial publicado pelo Ministério da Saúde. No canal Panelinha no YouTube, por exemplo, além de séries está no ar o curso Comida da Verdade, produzido em parceria com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo. 

O curso é apresentado por Rita e pelo professor Carlos Monteiro, titular da Faculdade de Saúde Pública da USP. Ela ajuda na divulgação do Guia e ensina a cozinhar comida verdadeiramente saudável. “Estou mais próxima da saúde pública que da gastronomia”, afirma a chef. “Meu negócio é a educação. Eu ensino a cozinhar há duas décadas. Só no site Panelinha são 17 anos. Os povos que não voltarem à cozinha vão ter problemas de saúde”. 

Enfim, Jeffinho já não se sente mais falando sozinho, ou pregando no deserto. Seguramente, não é só pelos seus belos olhos que o gordo é fã de Rita Lobo.