segunda-feira, 16 de julho de 2018
Colunistas / Música em Cena
Maurício Matos

A Virada Salvador matou o Festival de Verão

Além disso, a grade de atrações, anualmente preenchida pelos mesmos artistas de axé, já vem sendo ocupada, na sua maioria, por cantores sertanejos
06/01/2018 às 20:33
      Se até agora ninguém falou sobre o fiasco de público do Festival de Verão desse ano, eu explico: o Festival Virada Salvador, promovido pela Prefeitura de Salvador, matou o evento que um dia já foi o mais concorrido da capital baiana. A festa de Réveillon, além de ser uma novidade, foi gratuita e contou com algumas estrelas que se apresentaram dias antes no Festival de Verão, como Ivete Sangalo, Marília Mendonça, Luan Santana, 'Harmonia do Samba', Léo Santana, 'Aviões', DJ Alok e Wesley Safadão.

         Fora a grana curta, acredito que Salvador não comporta dois eventos desse porte em períodos tão próximos. Lembre-se que o Festival de Verão aconteceu nos dias 16 e 17 de dezembro e a Virada Salvador de 28 de dezembro a 1º de janeiro. Um dos dois seria esvaziado e foi o primeiro, cujo ingresso de menor valor na bilheteria custava R$ 100. Para se ter uma ideia do fracasso, nos dias dos shows tinha cambista vendendo entrada a R$ 20. Isso mesmo, a R$ 20.

        O prefeito ACM Neto (DEM) já anunciou que a festa de Réveillon da capital baiana terá a segunda edição no ano que vem, nos mesmos moldes e local. Com isso, os promotores do Festival de Verão devem, desde já, colocar as 'barbas de molho'. Se insistirem em fazer o evento em dezembro, o prejuízo será mais certo do que a morte. Estará chegando ao fim o que um dia foi o maior festival de música realizado em Salvador? Não sei. Achava que a mudança de local - desde 2016, foi para a Arena Fonte Nova - lhe desse uma sobrevida, já que o espaço é mais central do que o Parque de Exposições, onde ocorreram todas as edições anteriores.

Além disso, a grade de atrações, anualmente preenchida pelos mesmos artistas de axé, já vem sendo ocupada, na sua maioria, por cantores sertanejos, há algum tempo em alta no país. Nem isso, entretanto, foi suficiente para atrair um grande público, que não só minguou, como hoje é formado basicamente por aborrecentes.

Bastante positivo para a gestão do prefeito ACM Neto, o sucesso do Festival Virada Salvador deu à capital baiana uma nova visibilidade musical, que se perdera com a decadência do axé e também do Festival de Verão. Fora isso, Salvador passa a concorrer em iguais condições com o Rio de Janeiro, para ver quem faz a melhor festa de Réveillon do Brasil.

De acordo com dados oficiais, as cinco noites da Virada Salvador reuniram cerca de 2 milhões de pessoas e sem nenhuma ocorrência grave. Outro destaque da festa foi o fato de a prefeitura, através da Companhia de Governança Eletrônica do Salvador (Cogel), instalar antenas de wi-fi na arena de show, que possibilitaram ao público conectividade gratuita de internet. 

Assim, a cada ano, ficará mais difícil o Festival de Verão concorrer com o Festival Virada Salvador. O primeiro necessita rever os conceitos e paradigmas, enquanto o segundo precisa de, no máximo, alguns ajustes.