segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
Colunistas / Música em Cena
Maurício Matos

MORTE de Malcom Young pode ser o fim do AC/DC

Formado em 1973, em Sydney, na Austrália, o ‘AC/DC’ tem uma trajetória de sucesso, mas também uma história marcada por algumas tragédias
25/11/2017 às 09:21

O rock ficou menos pesado com o silêncio definitivo da guitarra do músico australiano Malcolm Young, 64 anos, morto no último dia 18 de novembro. Fundador do grupo ‘AC/DC’ e criador de riffs memoráveis, Malcolm, que vinha sofrendo de demência há algum tempo, tocou por mais de 40 anos bases rítmicas precisas e inconfundíveis e que serviram de apoio para que o irmão Angus Young pudesse executar solos formidáveis nas músicas da banda.

Definitivamente, esse final de ano não está sendo nada bom para a família Young. Em menos de um mês, foram duas perdas irreparáveis: em outubro passado, aos 70 anos, morreu o produtor e compositor George Young, irmão mais velho de Malcolm e Angus e o idealizador do ‘AC/DC’. Como compositor, George escreveu hits como ‘Love is in the air’, famosa na voz do cantor escocês John Paul Young.

Unanimidade entre os músicos de rock, Malcolm, em parceria com Angus, compôs todos os sucessos da carreira do ‘AC/DC’. São também creditadas a ele as canções do último disco de estúdio da banda, ‘Rock or Brust (2014)’, no qual não pôde gravar devido à piora na saúde. Na ocasião, foi substituído pelo sobrinho Stevie Young, repetindo, aliás, o que fizera em 1988, quando Malcolm se afastou do grupo para tratar do alcoolismo.

Os primeiros sintomas da demência, como lapsos de memória e falta de concentração, começaram a afetar Malcolm antes das gravações do CD ‘Black Ice’ (2008), o último com sua participação. Durante a ‘Black Ice World Tour’, teve que reaprender algumas músicas que havia criado e executado durante toda a carreira, como revelou Angus Young em recente entrevista à revista ‘Rolling Stone’. Em junho de 2010, Malcolm Young se apresentou pela última vez com o ‘AC/DC’, na cidade de Bilbao, na Espanha.

Formado em 1973, em Sydney, na Austrália, o ‘AC/DC’ tem uma trajetória de sucesso, mas também uma história marcada por algumas tragédias, como a morte por overdose do vocalista Bon Scott, em 1980. Além disso, houve a condenação a oito meses de prisão domiciliar do baterista Phill Rudd, que o levou a sair da banda em 2015 e, recentemente, o caso de surdez do cantor Brian Johnson, substituído pelo líder do ‘Guns and Roses’, Axl Rose, para que o grupo concluísse a turnê mundial do disco ‘Rock or Brust’.

Após a fatídica morte de Bon Scott, o ‘AC/DC’ conseguiu se reinventar ao lançar ‘Back in Black’, o disco de rock mais vendido de todos os tempos (51 milhões de cópias) e o segundo mais comercializado do mundo, atrás apenas de ‘Thriller’, de Michael Jackson. Agora, o tempo já não está mais favorável a Angus Young, único remanescente da formação original. Com 62 anos de idade e 44 de carreira, o guitarrista baixinho, que se apresenta vestido com um uniforme escolar, talvez não tenha mais disposição para reformular o ‘AC/DC’, sem Malcolm e sem George e começar tudo novamente.

De forma lastimável, tudo indica que esse seja o fim de uma das maiores bandas de rock do mundo. Uma pena, porque crescemos acreditando que nossos heróis são imortais e depois descobrimos que eles morrem assim como eu, você e todo mundo. Descanse em paz, Malcolm Young!