segunda-feira, 20 de novembro de 2017
Colunistas / Música em Cena
Maurício Matos

O que esperar do show Paul McCartney na terra do axé

Com um atraso de, pelo menos, uns 30 anos, ‘Sir McCartney’ vai desembarcar em Salvador para uma apresentação única na Arena Fonte Nova, no dia 20 de outubro.
01/09/2017 às 20:57
   Eu tinha uns 10 anos quando meu primo, Edgar Neto, me apresentou algumas canções dos ‘Beatles’. Gostei de cara. As composições do ‘Fab Four’ mexeram comigo. ‘Let it Be’, o último trabalho da discografia do grupo, foi o primeiro que comprei e confesso: é o que eu mais gosto. Quando comecei a ouvir Beatles, já tinha, pelo menos, uma década que o grupo havia terminado. Entretanto, aos meus ouvidos, as músicas compostas por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr são atemporais.

  Como atemporal é também a influência dos “meninos de Liverpool” em quase tudo produzido na música ‘pop’ mundial. No Brasil, a banda mineira ‘Skank’ copia descaradamente cada acorde dos ‘Beatles’ que, infelizmente, tiveram uma carreira curta e conturbada de shows. Devido à histeria das fãs, o grupo deixou precocemente de realizar apresentações. Naquela época, os equipamentos de som não conseguiam competir com os gritos da plateia, que os impediam de ouvir os instrumentos. Quem é músico sabe que tocar sem escutar é o mesmo que dirigir com uma venda nos olhos.

   Com isso, alguns lançamentos dos ‘Beatles’ não tiveram turnê de divulgação e centenas de milhares de fãs ao redor do mundo ficaram impedidos de ouvir essas músicas ao vivo. As carreiras solos dos seus integrantes supriram essa demanda. Infelizmente, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr nunca estiveram por 'essas bandas de cá', ao contrário de Paul McCartney que, a partir dos anos 90 do século passado, incluiu a América do Sul no roteiro de suas turnês.
   
   Com um atraso de, pelo menos, uns 30 anos, ‘Sir McCartney’ vai desembarcar em Salvador para uma apresentação única na Arena Fonte Nova, no dia 20 de outubro. Tem tudo para ser o evento do ano, mas nada indica que será. Vejamos: essa é a primeira e, muito provavelmente, a última vez que um ‘ex-Beatle’ se apresentará na Bahia. Só por esse motivo, os ingressos já deveriam ter se esgotados, todavia há quem diga que as vendas, iniciadas em maio último, estão encalhadas.

   Tudo bem que os preços das entradas, que variam de R$ 95 a R$ 750, não condizem com atual momento econômico do país. Mas não acho que apenas isso justifique a baixa vendas dos ingressos. Vale lembrar que a Bahia viveu cerca de 30 anos de 'ditadura do axé', período em que rádios, jornais e televisão enfiavam goela abaixo que tudo girava em torno da música baiana. 

   Com isso, existe uma geração que entende que música se resume a 'Chiclete com Banana', 'Asa de Águia', 'Olodum', Ivete e 'Timbalada'. Se for feita uma enquete, o grande público nem sabe quem foram os 'Beatles', quem dirá Paul McCartney.
        
  São fatos como esse que mostram o quanto foi nociva a ditadura cultural que a Bahia foi submetida nos últimos tempos pela turma do axé. Passamos anos sem receber nenhum grande show internacional, enquanto estados como Pernambuco, Ceará e Amazonas há algum tempo são rotas constantes de apresentações de grandes artistas de renome mundial, como ‘Guns and Roses’, ‘Iron Maiden’ e ‘Scorpions’, dentre outros. 

   Tudo bem e, para não dizer que estou com má vontade com nossa cidade, lembro que Salvador recebeu em 2014 o cantor Elton John, em 2010 a cantora Beyoncé fez show no Parque de Exposições e, em 1985, o Menudo se apresentou na antiga Fonte Nova. Está bom para você?