terça-feira, 17 de outubro de 2017
Colunistas / Música em Cena
Maurício Matos

SURICATO e a difícil missão no Barão Vermelho

‘Barão Vermelho’ volta à ativa com um novo vocalista. Será que vai dar certo?
13/04/2017 às 11:20
O ‘Barão Vermelho’ volta à ativa no dia 6 de maio com um outro vocalista, Rodrigo Suricato. O grupo, que vai fazer uma turnê pelo Brasil em comemoração aos 35 anos de carreira, estreia a nova formação com um show no Circo Voador (RJ). O guitarrista Frejat, que assumiu os vocais da banda desde a saída de Cazuza, preferiu seguir carreira solo que, diga-se de passagem, vai muito bem obrigado.

Revelado no programa de TV ‘Superstar’, o vocalista e guitarrista Rodrigo Suricato, 37 anos, tem uma tarefa árdua a cumprir. Não é fácil substituir um “frontman” de nenhuma banda, seja de rock, pagode ou axé.  Raríssimos são os casos em que esse tipo de mudança dá certo, como foi com Frejat, quando assumiu o posto de Cazuza.

É bem verdade que o ‘Barão’ passou a ter um som muito mais rock com Frejat do que na época de Cazuza que, com sua inquietude, começara a agregar à banda elementos da MPB. Entretanto, nem sempre é isso que acontece: a ‘Legião Urbana’, por exemplo, tentou sem sucesso, por duas vezes, substituir o saudoso vocalista Renato Russo.

A primeira foi com o ator Wagner Moura. Um fiasco total. Nem se incorporasse o capitão Nascimento – personagem de grande sucesso interpretado por ele no filme 'Tropa de Elite' – daria jeito. Falta-lhe talento. Como cantor, Wagner Moura é um excelente ator. A segunda tentativa foi com o também ator André Frateschi, que se saiu um pouco melhor do que Moura, mas, ainda assim, não fez jus ao legado da 'Legião', que mais parecia, nos dois casos, uma banda ‘cover’ de si mesmo.

Contra o “novo” ‘Barão Vermelho’, cuja formação conta com os integrantes originais, Guto Goffi (bateria) e Maurício Barros (teclado), além de Fernando Magalhães (guitarra), Rodrigo Santos (baixo) e Rodrigo Suricato (vocal), existe ainda o fato de que o rock no Brasil nunca esteve tão em baixa. Com pouco investimento das gravadoras, as rádios, vivendo, em sua maioria, do famigerado 'jabá', hoje em dia só tocam sertanejo universitário, funk e pagode.

Além de ter que convencer os fãs de que Rodrigo Suricato vai dar 'conta do recado', o grupo vai ter uma 'briga' inglória com a indústria fonográfica, que desde o advento da pirataria dos CDs e DVDs e dos ‘downloads’ ilegais de músicas, já não arrisca tanto nas carreiras dos artistas como antigamente. Com isso, não será novidade se as comemorações dos 35 anos de carreira do ‘Barão Vermelho’ – uma das bandas de maior relevância do rock brasileiro – venham a se tornar um evento pequeno, com poucos shows e sem o devido reconhecimento que o grupo merece.
       
  A banda, que já teve perdas significativas como Cazuza, o percussionista Peninnha e o produtor Ezequiel Neves (todos mortos) e agora Frejat, ainda pensa em gravar um álbum com o novo vocalista, como afirmou o baterista Guto Goffi, em recente entrevista ao jornal 'O Globo'. 

Se valerá a pena, não sei. Só o tempo dirá. Do jeito que as coisas andam no mercado da música brasileira, é capaz de o novo CD do ‘Barão’ sair por uma pequena gravadora ou até mesmo por uma gravadora independente ou, quem sabe, com um disco lançado gratuitamente na internet, para o público baixar. Infelizmente, essa é a triste realidade do rock no Brasil.