segunda-feira, 23 de outubro de 2017
Colunistas / Tempo de Vinho
Maurício Ferreira

VINHO cria novos hábitos para os baianos

O que acontece em Salvador na temporada de vinhos 2017
21/07/2017 às 08:26
 Salvador recebeu no último dia 13 de julho, um dos mais importantes produtores de vinho da atualidade, o português Paulo Laureano da Paulo Laureano Vinus. O encontro ocorreu conforme anunciado por essa coluna, em um concorrido jantar harmonizado que lotou o Restaurante Amado, com cardápio especialmente criado para o evento pelo Chef Edinho Engel. Foram degustados diversos vinhos do produtor, que puderam ser apreciados por um público ávido por novidades do mundo do vinho.
 
    Mais do que um encontro entre produtores internacionais, donos de restaurantes e clientes sedentos por novidades, o evento revela mais uma importante faceta do mundo do vinho, a sua condição de “commodity universal”, isto é, uma mercadoria de ampla e variada importância, capaz de agregar valor a inúmeras atividades, como o turismo, o varejo local, a indústria do entretenimento etc.
 
    Esse fenômeno já vem sendo observado nos principais centros urbanos, mesmo aqueles não produtores, que emprestam espaços para grandes eventos relacionados ao vinho, como feiras internacionais, degustações, amostras etc. Algumas acontecimentos dessa natureza, conseguem atrair milhares de turistas, como o lançamento do Guia Descorchados, Wine Weekend, Vinun Brasilis e a Expovinis, considerada a maior feira de vinícola da América Latina e que reúne os maiores produtores de vinhos nacionais e importadores dos principais rótulos internacionais. Apenas para se ter uma ideia, a Expovinis 2017 reuniu mais de 16 mil visitantes e lotou hotéis em São Paulo, atraindo negócios e divisas para o segmento.
 
    Na Bahia o enoturismo é uma realidade, já estando consagrado o roteiro do Vale do São Francisco, que contempla dentre outros, os municípios de Juazeiro e Casa Nova e suas principais vinícolas, reforçando a estratégia da produção associada ao turismo, como vetor de sustentabilidade econômica.
 
   A própria vinícola Terranova, do Grupo Miolo, no município de Casa Nova, Bahia, produz mais de 1,8 milhões de litros de vinhos e espumantes por ano e atrai mais de dois mil turistas por mês, que visitam seus mais de 200 hectares onde planta e produz vinhos como o Syrah Testardi, uma das grandes apostas nos vinhos da região.
 
   Com isso, vemos uma fórmula já consagrada no Vale dos Vinhedos e na Serra Catarinense e inspirada nos campos de Bordeaux e da Toscana, sendo colocada em prática em nosso solo tropical, mostrando o quanto a cultura do vinho pode ser abrangente em diversos aspectos, não apenas agregando valor à produção agrícola, mas também alcançando outros segmentos econômico, como o turismo, a logística, o comércio exterior, o varejo etc.
 
   Mas não é sobre economia que o leitor da coluna Tempo de Vinho está interessado, ele busca novidades. E é nesse contexto, que anuncio mais dois grandes eventos relacionados ao mundo do vinho que acontecerão aqui em Salvador.
 
   No dia 7 de agosto, o Baby Beef Alvarez traz para um jantar harmonizado, ninguém menos que o enólogo-chefe dos vinhos Marques da Concha Y Toro, o chileno Marcelo Papa, que chega para dirigir uma harmonização perfeita de 5 rótulos da vinícola, com pratos especialmente elaborados para a ocasião, e o evento promete, pois vinhos como o Marques de Casa Concha Chardonnay, Pinot Noir, Merlot e Cabernet Sauvignon estão sempre entre os preferidos dos baianos. O preço (120 reais) promete ser um atrativo à parte e caso queiram participar, corram! As vagas são limitadas.
 
   Já no dia 10 de agosto, o ponto de encontro dos amantes do vinho é no Bistrot Du Vin, misto de restaurante e adega, cuja carta de vinhos recentemente conquistou o Grande Prêmio de Excelência pela revista Prazeres da Mesa, que traz o enólogo João Valduga, proprietário da Casa Valduga, para um jantar harmonizado com vinhos premiados internacionalmente, a exemplo do Leopoldina Gran Reserva Chardonnay, o Storia Merlot e o top da vinícola: o misterioso Luiz Valduga, um dos vinhos nacionais mais caros, que faz questão de manter em segredo as uvas utilizadas em seu blend. Para finalizar será servido um Brandy 15 anos e o Licoroso Tinto da Casa Valduga.
 
    Tempo de vinho traz para os seu leitores, o “testdrink” de alguns vinhos que poderão ser degustados neste evento, vamos as taças:
 
    O Marques de Casa Concha Syrah, produzido no Vale do Maipo pela gigante Concha Y Toro, permanece como um dos melhores vinhos chilenos do mercado, sobretudo levando em consideração a excelente relação custo X benefício que oferece. De cor púrpura, intenso e marcante, possui corpo médio e aveludado, que toca o palato com muita textura. 

   De nariz rico, é repleto de berrys maduras, pimenta negra,  chocolate e sândalo. Porém é na boca que este Syrah se destaca, bastante potente, ainda assim é um vinho fácil de beber, com muita cereja e framboesa madura. Contudo não espere a doçura de um Primitivo de Mandúria ou coisa parecida, pois é um vinho seco e elegante, repleto em especiarias, como pimenta negra, canela em pó, notas de caramelo, chocolate e café, além de madeira suave, com aroma de sândalo. 

   Pesou a experiência do enólogo Marcelo Papa e sua capacidade de fazer grandes vinhos com excelente valor de mercado, sem abrir mão dos requintes de rótulos muito mais caro, como baixo rendimento por vinha, amadurecimento em 18 meses em barril de carvalho e baixa extração. Sem dúvida um excelente vinho, que pode funcionar como uma porta de entrada para quem quiser se aventurar no mundo dos grandes vinhos.
 
    Marques de Casa Concha Carmenere talvez este seja o mais clássico e acessível dos rótulos do Marques de Casa Concha. É vendido aqui no Brasil quase sempre por um preço super atraente, tornando-se a porta de entrada para essa consagrada linha. Talvez por isso o "Marquês" seja um sucesso! Seguramente é um dos melhores varietais do mercado, com uma deliciosa herbacidade e frescor. Uma experiência quase que espiritual! 

   A coloração de tom violáceo escuro, a estrutura média, porém aveludada, os vegetais, o mentolado, a baunilha, as notas glaceadas, tudo nos remete aos frios vales chilenos. Uma sensação transcende o espaço físico. Na boca, frutas vermelhas frescas, como mirtilos, cerejas, framboesas e especiarias doces, que ativam as papilas e uma agradável acidez. Taninos muito macios e um final de boca justo completam este excelente vinho.
 
   O premiadíssimo Leopoldina Gran Reserva Chardonnay da Casa Valduga, é a resposta direta dessa importante vinícola aos brancos premiuns que passaram a ser oferecidos pelos produtores nacionais. Detentor da Medalha de Ouro no conceituado concurso Chardonnay du Monde de 2015 na França e Medalha de Prata na edição de 2014, além de diversas outras premiações não menos importante, este branco complexo, com parte envelhecida em barris de carvalho romeno e franceses. 

   De coloração amarelo palha, límpido e de reflexos citrino, é classudo e elegante, com expressivas notas de abricot, frutas brancas, abacaxi e carambola, pontuando os tropicalíssimos  aromas que surgem na evolução em taça. Na boca é estruturado, amanteigado, com notas de baunilha, chocolate branco, abricot e abacaxi em calda. Enfim, um vinho delicioso, apto para harmonizar com frutos do mar, aves e tudo mais que combine com brancos encorpados.
 
   Por fim, trazemos o Luiz Valduga Corte 1 N/V,  um especialissimo Blend de safras dos melhores vinhos produzidos pela Casa Valduga e surpreende por colocar o vinho fino brasileiro em um novo patamar, ainda não experimentado por nenhum outro vinho nacional. Possuidor de excelente acidez, taninos aveludados e ótima textura em boca, que sustenta sua fruta mais madura e concentrada, assemelha-se mais a um Premier Grand Cru do que a qualquer outro vinho do Novo Mundo. 

   Bem estruturado e encorpado, é complexo, com notas minerais e de frutas secas, que em contato com o taça dão lugar a um aroma campestre de frutas como ameixas e cerejas maduras  que lhe emprestam a cor púrpura intensa e vívida, quase um veludo cardinal. Especiarias finas, notas canforadas, aniz, tabaco, alcaçuz, ervas secas, chocolate, couro e forte expressão do terroir gaúcho desfilam em camadas,  e permanecem de forma longeva, assegurando excepcional permanência em boca. 

   Apesar da madeira muito presente, ela não destoa do conjunto, melhorando ainda mais se deixarmos evoluir em taça ou decanter antes de degusta-lo, para que possa se permitir que os 14,5° de teor álcoolico se volatizem por completo, permitindo que desfrutemos o néctar em seu pleno equilíbrio. De grande potencial de guarda, é um vinho que resiste tranquilamente a mais de 10 anos de adega, quando provavelmente chegará ao seu apogeu. Difícil vai ser você conseguir aguardar tanto tempo!
Esperamos que estas notas estimulem todos a desfrutarem a maravilhosa experiência dos jantares harmonizados e tudo que eles podem oferecer aos sentidos.

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