quarta-feira, 26 de junho de 2019
Colunistas / Causos & Lendas
Lobisomem de Serrinha

LOBISOMEM DE SERRINHA vai a casamento chique e põe massagista a correr

Casamento da filha de Sêo Eliseu com dona Luciana foi o maior glamour como diz a Lady Kate e o Lobisomem não poderia faltar e compareceu na maior elegância
07/05/2013 às 11:10
 Desde os saraus chiques no Palacete dos Nogueira no tempo de dona Áurea, das festas com a Orquestra Colombo no Paço Municipal, época de doutor André Falcão, dos bailes dourados promovidos por Munda Bacelar na ACS, e dos folguedos carnavalescos no Só Falta Você organizados por Marieta de Zé Ramos, nunca mais tinha visto nada igual em luxo e beleza como foi o acontecido, casamento da filha do comerciante Eliseu e de sua esposa a suplente de vereadora Luciana. 

   Digo isso porque fui testemunha de todas essas festas glamurosas da Serra, até uma que dona Ivone Maciel fazia para homenagear a boneca Lili e outra que Lauro Murta trouxe até uma orquestra de Salvador, portanto, falo de cátedra, e convidado que fui pelo casal Eliseu/Luciana, retirei meu Simca Chambord da garage, convoquei o motorista Pebão para um extra, e já que doutor Lomes está residindo em Aracaju e não pudemos pegar carona no seu avião, lá fomos nós para a capital da Bahia pela BR, Sêo Pebão no comando do Simca e eu e minha adorada esposa Ester Loura no banco traseio, em ar condicionadao agradável e que não retirasse um fio do seu penteado do lugar, produzido por dona Ana do Salão.

   Já saimos vestidos e não é pra nos gabar mas estávamos todos muito elegentes. Minha senhora num preto Dior, colar de esmeraldas, aneis de ouro discretos e um Christian Louboutin nos pés. De minha parte, um conjunto escuro em terno de finissimo corte alemão da Hugo Boss, gravata Ermenegildo, sapato italiano confeccionado por Pirulito, e mestre Pebão em casaca inglesa de listras cinzas em preto, cartola e luvas brancas.

   E, claro, em lá chegando no convento de Santa Clara do Desterro fomos muito bem recebido do inicio ao fim, desde a entrada na igreja até a despedida na recepção. Tomei, de imediado, um chelpe de dona Ester porque adentrei na igreja sem me benzer.

   - Homem de Deus se benze. Você está na casa do pai - ralhou-me.

   Disciplinado fiz o sinal da cruz e o tradicional pai, filho, espírito santo falando alto para ela escutar.

   - Vê também se responde os contra-cantos do padre na missa - reprimiu-me.

   E toda hora que Sêo Vigário Bento Viana falava uma frase (Senhor nos venha a vossa graça) eu acá repetia (da mesma forma em que vós nos esperamos)...palavras da salvação.

   Lá veio a mulher com outra reprimenda. Você está soletrando o que diz Sêo Abelardo Sancho, ao seu lado.

   - Nada disto estou seguindo o folheto, que implicância. Veja o que disse Sêo Vigário na homiliaia que a casa do casal tem que ser uma rocha, de amor, como o nosso - comentei para lhe agradar.

   - É, mas lá na nossa rocha está precisando comprar um fogão novo - reclamou. 

   Após o casamento propriamente dito fomos aos cumprimentos e ao buffet. Alguns convidados sequer esperaram o casal descer do altar e realizar o desfile triunfal na nave do templo e já se encontravam sentados ou procurando o melhor lugar nos salões da recepção, onde seriam servidos os salgados, bebidas e doces.

   Minha barriga roncava pois saira da Serra às 17h, sem fazer um lanche e já passava das 21 horas quando adrentei à recepção deparei-me com um quiosque servindo uma comida cheirosa.

   - Vou tomar um pratinho daquela sopa - falei a Ester.

   - Lobi de Deus! Ali estão servindo yakissoba entendeu mister orelhudo, uma comida chinesa! -advertiu-me

   - Se é japonesa, coreana ou chinesa não sei. Agora vou querer um pratinho daqueles.

   Quando chegou minha vez na fila a atendente me cubou dos pés à cabeça, viu minhas unhas em forma de garras, tremeu toda a perguntou: - O senhor quer a Yakissoba com ou sem camarão?

   - Oh! minha filha você já viu sopa com camarão. Mas, já que você insiste coloque a sopa com um espinho dos tais calamares.

   Cruz credo, ouvi a moça falar entre dentes e segui para a mesa.

   A Serrinha estava em peso na festa: os Mota, os Araújo, os Bacelar, os Nogueira, os Silva, os Santiago, os Pimentel, os Franco, os Cardoso, os Ferreira, os Paes, os Mangabeiras, os Freitas, os Carvalho, um mundo de gente.

   A música rolava solta e a galera se divertia no salão. O bolo, de tão alto, parecia uma altar das missas de dona Pipe Paes. Sentei com dona Ester Loura e amigas dos Pinho e dos Cardoso numa conjunto de sofás. De repente passa um garçom servindo cervejas com gravatas.

   - Lá no Canteiro, na Serra, minha gelada é diferente dessas e sem gravata - sussurei para Ester.

   - Que gravata! São cervejas belgas Stela Atrois, cada qual com um guardanapo. É chique, bebe-se no gargalo - dona Ester pegou uma delas e mostrou como se fazia. Toma um pouco é deliciosa - colocou em minha bocarra.

   No barato, devorei uma meia dúzia, e quando o rapaz aparecia em cena ia perguntando logo: "Quer mais uma"!

   Só fiz uma pausa para cuprimentar uns amigos e amigas. Primeiro bati uma prosa com dona Maria da Palmeira, chiquérrima; depois cumprimentei Espirro, o filho de Sêo Renato Nogueira com dona Dirck; Sêo Zé Pedrosa filho de Sêo Antonio e dona Diva; vovó Kátia de dona Mirtô e Sêo Almir; Sêo Nahum de Carlos Mota; a esposa de Sêo Antonio de Tuica; dona Silvinha Veloso; Dona Vânia de dona Dina; Sêo Luciano de Profeta; tanta gente boa que, se ficasse nesse ritmo passava a noite toda só falando com o povo.

   Já meio cansado de tanto andar (dei uns requebros na pista de dança) ví uma senhora lavando os pés num canto do receptivo e cochichei pra dona Ester.

   - Ali naquele canto tem uma mulher lavando pés com algodões e uma garrafinha d'água - comentei.

   - Que lavando pés! É semana santa por acaso! Ali é uma massagista corporal especialista em mini SPA de pés.

   - Vou experimentar porque o sapato está apertando meus calos.

   - Vai dar rolo - advertiu-me. 

    E me dirigi ao local sendo muito bem recebido pela senhorita, a qual até se dispôs tirar meu modelo italiano. 

   - Pode deixar que eu tiro - aquiesci.

   Aí coloquei meus pés com as meias no ponto para a massagem.

   - O senhor permite que tire as meias. 

   - Pois não.

    Eu só vi foi um grito da moça quando ela tirou a meia do meu pé direito e viu aquele exemplar lanzudo, pé de cabra, e a dita se levantou da cadeira e saiu berrando ...socorro que aqui tem um lobisomem... e a pobre coitada saiu em disparada, derrubou uma tenda de sushis japones, atropelou um garçom e só foi contida por um segurança, o qual pediu calma e lhe deu um copo d'água com açucar.

   Então voltei para o sofá e Ester comentou: - Não disse que ia dá rolo. Vamos embora.

   Como já passava das duas da manhã seguimnos pela saída, tomamos um cafezinho com licor, comemos docinhos e dona Ester ainda ganhou de brinde uma caixinha com um leque e um terço e uma outra com bom casado e amêndoas.
Quando chegamos ao pátio Sêo Pebão estava a postos, olhos abertos e eu disse: - Toca pra Serra.

   Ester interveio: - Nem pensar uma viagem a essa hora. -, Sêo Penbão vamos para o Hotel Pestana.

   - Mas não temos reserva - comentei.

   - Não há problemas eles nunca alugam a suite presidencial.

   E assim se passou. Fomnos para a suite presidencial, foi uma lua de mel daquelas, mostrei que ainda estou em plena forma, e, hoje, aqui na Serrinha, no alpendre de minha casa, nesse calorão, conto o que se passou na festa de Sêo Eliseu e dona Luciana e estou a me abanar com o leque do brinde e rezando com as contas do terço.

   O bom casado Ester deu a minha netinha Sol que promteu quando casar fazer uma festa ainda mais chique do que a de Sêo Eliseu.