Esportes
Zé de Jesus Barrêto
03/07/2014 às  11:45

NA MESA DA COPA: Brasil enfrenta a Colômbia sem choro

VIDE


Tem Brasil x Colômbia nessa sexta-feira, 17 hs, em Fortaleza, Já pelas quartas-de-final. 

Mais cedo, 13 hs, no Maracanã (RJ), o grande clássico europeu : Alemanha x França.
No sábado, 17 hs, na Fonte Nova (Ba), Holanda x Costa Rica e, às 13hs, em Brasília, Argentina x Bélgica. Uma Copa como a gente nunca viu. 

E o Brasil está na fita, a seleção de Felipão na berlinda: 
*
De lágrimas e táticas 

Duas questões não me saíram da cachola depois daquele sufoco contra os chilenos. 
A primeira delas foi o chororô dos nossos atletas. Choram na entrada em campo, na execução do hino, ao fazer gols, antes das penalidades máximas, depois dos jogos, mesmo ganhando. É um vale de lágrimas, um derrame de emoções incontidas. Por quê? Choravam o Júlio Cesar, o Neymar, o nosso capitão Tiago Silva... aff ! Desequilíbrio, fraqueza? É hora de chorar, faz bem? 

Matutando, lembramos que a grande maioria desses nossos jogadoresos nunca esteve numa Copa e debutam logo em casa, diante da torcida, amigos e familiares, da cobrança exagerada da mídia e de todos! Ah, mas não sabiam disso antes? Será que no sub-consciente de cada um deles mora inda síndrome do ‘maracanazzo’ de 1950? A tragédia, o medo do linchamento a que essa nação sem alma submeteu Barbosa, Juvenal, Bigode ... e todos os heróis brasileiros daquela copa? 

Vejo também uma equipe formada por jovens, oriundos de periferias, que nem viveram a adolescência direito e viraram mitos, enriqueceram depressa, foram para o exterior, vivem em redomas, mimados em excesso por todos, pelos fãs apaixonados, pela mídia interesseira; acostumados apenas a cantadas, elogios, regalos, mimos, aplausos em excesso, endeusamentos até quando cometem bobagens (tipo a dentada de Suarez, que foi recebido como herói no Uruguai). Explica? 

Mas não é isso que esperamos desses rapazes que ora vestem a camisa amarela penta-campeã do mundo. Sentimos de fora, vendo-os jogar, que o emocional está influindo no desempenho em campo, sim. Queremos fibra, responsabilidade, mas acima de tudo a volta da alegria de jogar bola. O riso, a festa no drible, no gol, na vitória alcançada! O resgate do futebol brasileiro. 

Vamos relaxar, moçada, deixemos as lágrimas para os derrotados. Já choramos tudo o que tínhamos direito, vamos para cima da Colômbia com mais leveza, a mente mais arejada. 

Chamaram às pressas a psicóloga, amiga do Felipão, para acudir os ‘meninos guerreiros’. De cá vamos fazer uma macumbas de terreiro, um ebó verde-amarelo pra ver se ajuda. Pois é hora de destravar a equipe, o jogo em campo ou o pais inteiro vai chorar, sim, de tristeza, um só chororô ao pé do caboclo. 

“Guerreiros são pessoas, tão fortes, tão frágeis. Guerreiros são meninos no fundo do peito” (citando a canção de Gonzaguinha, para reflexão) 

*
Abr’olhos Felipão ! 

Outra questão que me embatuca o juízo é a nossa absoluta falta de esquema tático, a desarrumação da equipe em campo, o rendimento de alguns atletas bem abaixo do normal. 

Está acontecendo o quê? Será que não treinam, o Felipão desaprendeu? Cadê aquela postura do time, o mesmo time, da Copa das Confederações? O que mudou? Ora, nenhuma jogada ensaiada, nenhuma jogada de linha de fundo, nada de troca de passes, a saída de bola sempre aos chutões, ligação direta de Julio Cesar para o ataque... não isso nem de longe é o futebol brasileiro.

Tento, com meus anos de estudos sobre o futebol, a longínqua experiência de boleiro, um razoável meiocampista de times de bairro e faculdade, buscar explicações. Algumas, óbvias:

- Nossos laterais, Dani Alves e Marcelo são excelentes alas em seus clubes (Barcelona e Real), mas agora, na seleção, atuam como zagueiros laterais, em linha com os centrais, quase sem ultrapassar a marca do meio campo, com medo de tomar a bola nas costas, orientados para ficar. São ótimos alas, atacando, mas são laterais sofríveis. Perdemos os avanços deles, as ótimas tramas de Marcelo com Neymar pela lado esquerdo, os bons chutes e cruzamentos de Dani pela direita. Abdicamos dessas jogadas preciosas.
 
A fragilidade deles como defensores, ainda por cima, tem provocado um buraco no meio campo, um imenso espaço vazio na frente do apoiador que é um falso terceiro zagueiro, o Luis Gustavo. Porque os meias (?) Hulk e Oscar atuam abertos, pelos lados do campo, marcando os laterais adversários, ajudando os nossos laterais na marcação, apenas. 

E quem faz o meio campo, enfim ? Quem aparece para pedir e receber a bola pelo miolo da cancha, pensar o jogo, virar, acalmar, dar velocidade e ritmo, puxar os contragolpes, fazer os lançamentos? Quem é o nosso Pirlo, o Pogba ... ? Ninguém. Seria o Paulinho ou o Fernandinho, mas... cadê eles? Não são talhados para tal ofício e ficam sumidos diante de uma marcação de três, quatro adversários que ocupam, povoam todo o espaço onde ‘se ganha’ o jogo. Não, não temos meio campo, meiocampistas. 

Então, para não entregar a bola ao adversário e sofrer contragolpes mortais, tome-lhe chutões pra frente, na direção do Neymar, enfiado pelo meio da zaga adversária, sozinho, a brigar contra três quatro, apanhando feito menino vadio. Seu companheiro de frente, quem seria, de vera ? Fred ? Ora, Felipão, me deixe. Fred é um poste inútil, incapaz de uma tabela. 

E nosso astro maior, Neymar, que deveria se mexer sempre, livre, de um lado para outro, buscando espaço, saindo da marcação... fica encaixotado, jogando por 2, 3 ... brigando feito um louco. Será que o nosso treinador não observa isso? O esquema, ou a falta de algum esquema de jogo, está matando nosso gênio.
E cadê uma , duas jogadinhas bem ensaiadas? Nada além de escanteios para a briga na área por uma cabeçada. É reles para uma seleção brasileira. 

*
 
São diagnósticos, apenas. Mas não tenho o remédio, não estou lá, vivendo o dia-a-dia.
E o Felipão, ao lado de Parreira, está ganhando um fortuna para pensar essas coisas e buscar soluções. Treinando, ouvindo os atletas, abrindo a cabeça, decidindo, arriscando, treinando, treinando ... aproveitando da melhor forma possível, em campo, o potencial de cada um. 

Depois, o choro dele, o Felipão derrotado e turrão nem um pouco nos comoverá. Ora pois, está com a conta bancária abarrotada, por gerações de felipínhos. Né ? 

PS: - A Colômbia de Cuadrado e James Rodrigues, nosso adversário desta sexta, em Fortaleza, está jogando uma bola redondinha, um futebol muito mais vistoso e eficiente do que o que temos mostrado em campo. Sem lágrimas, na dancinha. Vamos amarelar ? 


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