Tempo de Vinho
Maurício Ferreira
22/06/2016 às  22:41

DEGUSTAR vinhos portugueses é sempre grande prazer

*Maurício Ferreira é bacharel em direito, sommelier profissional e colaborador do Bahia Já, onde assina a coluna Tempo de Vinho.


Na última terça feira, dia 21, a Cidade do Salvador foi, mais uma vez, palco de um grande evento voltado para o público amante dos vinhos, o Road Show, realizado no Sheraton Salvador, que fica no local do antigo Hotel da Bahia, promovido pela Vinhos de Portugal (www.winesofportugal.com), entidade que divulga a cultura e a indústria vinícola portuguesa, bem como atividades relacionadas ao enoturismo e ao comércio exterior.
 
Para quem ainda não sabe, Portugal é um dos mais tradicionais países produtores do mundo, com uma tradição que remonta mais de 4000 anos produzindo vinhos que podem ser considerados únicos, quase sempre elaborados com uvas viníferas cultivadas apenas em Portugal.
 
Apesar de ser um país de pequenas proporções geográficas, possui mais de 250 variedades de castas autóctones (locais), que aliadas a enorme diversidade de relevos, microclimas e características geológicas e do solo, produzem vinhos de múltiplos estilos e de grande potencial gastronômico, o que, em parte, explica o sucesso que fazem no mundo.
 
A elevada qualidade dos vinhos portugueses, faz com se destaquem nos principais eventos e competições internacionais. Apenas para se ter uma ideia, a média é que em cada 10 vinhos portugueses inscritos em competições internacionais, 8 conseguem algum tipo de premiação.
 
Outra curiosidade, que reforça a “áurea” de qualidade dos vinhos portugueses é que em 2014, 3 dos 4 melhores vinhos do mundo eram portugueses, segundo a revista Wine Spectator. Em parte, isso se deve aos excepcionais Vinhos do Porto Vintage produzidos pela Symington, que também produz o Chryseia 2011 Douro, enfim é muita história.
 
Produtores como a Fundação Eugênio Almeida, a Sogrape Vinhos, a Quinta do Crasto, Casa Ferreirinha e muitos outros, também produzem vinhos icônicos como o Barca Velha, o Pera Manca, o Incógnta e o Tonel 3/4 Mouchão, só para citar alguns nomes. Aliás, vale dizer que em 2015, uma eleição feita por críticos especializados, escolheu uma empresa portuguesa como a melhor empresa do mundo na área de vinhos.
 
Ultrapassada essas explicações preliminares, fica fácil entender a importância do evento, principalmente porque Portugal responde por mais de 12% de todo vinho importado comercializado no nosso país, e acredite, não é pouco não!
 
O evento, que se iniciou às 16:00h com uma descontraída apresentação de Heliana Diniz, presidente da ABS – BA (Associação Brasileira de Sommeliers, Seção Bahia), dirigida a profissionais da área, sommeliers, enófilos e membros da imprensa, com direito à degustação técnica, em seguida, os convidados especiais tiveram oportunidade de conhecer em primeira mão, os mais de 40 rótulos levados por 6 dos principais produtores de Portugal, para a mostra.
 
A partir das 18 horas o evento foi aberto aos convidados em geral.
 
A coluna Tempo de Vinho do site www.bahiaja.com.br esteve presente ao evento, e avaliou com exclusividade para seus leitores alguns vinhos desta mostra, vamos às taças:
 
Aliança Dão Reserva 2013, produzido pela Aliança Vinhos de Portugal, empresa criada em 1927 e que exporta parte de sua produção para o Brasil e mais de 60 países da África e Europa, é um tinto da Região do Dão, produzido com as uvas Touriga Nacional e Tinta Roriz, colhidas bastante maduras, com estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês e russo. De cor rubi profunda com reflexos granada, é um vinho intenso, estruturado e bastante aromático, com notas florais de jasmim e exuberante fruto maduro, que disputa espaço com notas lácteas e tostas de carvalho. Na boca é volumoso, de textura aveludada, com predominância de frutas maduras, alcaçuz, chocolate amargo e especiarias adocicadas, que surgem em meio a taninos perfeitamente amigáveis e um final de boca perfeitamente aceitável.
 
Aliança Bairrada Reserva 2013, também produzido pela companhia Aliança Vinhos de Portugal, a partir das cepas Touriga Nacional, Baga e Tinta Roriz, foi uma das sensações da noite, em parte por ter sido o centro de uma polêmica quanto as suas características. Nesse aspecto, é interessante observar que quando degustamos um vinho da Região da Bairrada  devemos lembrar que ele carrega em si uma história bastante recente, pois a região à exemplo de Puglia na Itália, até pouco tempo produzia vinhos bastante simples, muitos sequer carregavam o rótulo do produtor. Os vinhos da Bairrada são assim, por sua essência rústicos e intensos, devendo ser feitos de uvas colhidas muito maduras, uma forma encontrada pelo produtos para domar os taninos, quase sempre duros como pedra.
 
O Aliança Bairrada Reserva preserva essas características. Extremamente seco, denotando o cuidado ancestral dos portugueses na fermentação alcoólica, apresenta um leve amargor, reflexo do semi-desengace, adotado pelo produtor para manter as características regionais. De cor vermelho púrpura intenso e reflexos violáceos, apresenta aroma intenso de frutas muito maduras, quase em ponto de calda e enorme volume de boca, com frutas vermelhas maduras, castanhas secas, leve amargor e forte expressão do terroir. Taninos bem presentes, porém perfeitamente domados e uma oportuna acidez, lhe dão características bem gastronômicas. Tendo conquistado medalha de prata no Decanter World Wine Awards 2015 e Comenda Especial no International Wine Challenge 2015, parece querer seguir os passos do Principal Grande Reserva, icônico vinho da Região de Bairrada, que sem abrir mão de suas características, conquistou um posto dentre um dos melhores vinhos do mundo.
 
Outro grande vinho da noite, foi o 3 Autores Grande Reserva 2011, vinho regional de Lisboa, produzido pela Vidigal Wines. Blend formado de Cabernet Sauvignon (35%), Sirah (35%), Touriga Nacional (20%) e Alicant Bouschet (10%), é um vinho de pegada bem moderna, como parecem ser todos produzidos pela vinícola. De cor rubi intenso e reflexos violáceos, que alternadamente lhe emprestavam a cor, é potente, bem estruturado, com grande volume de boca e aromas intensos de ameixas frescas, amoras, mirtilo, chocolate amargo, mentolados e tabaco, bem ao estilo conhecido pelos sulamericanos. Na boca, frutas vermelhas em profusão, licor de cassis, chocolate amargo e madeira adocicada, se impunham entre taninos macios e uma ligeira acidez, que equilibravam o peso e o elevado teor alcoólico.
 
Do mesmo produtor, também degustamos o Brutalis 2011, outro Vinho Regional de Lisboa, um dos melhores vinhos da noite. Intenso, bem estruturado, com grande equilíbrio alcoólico, é daqueles vinhos que merece ser provados. Com forte personalidade e aroma de frutas negras bastante maduras, que predominam entre chocolate amargo e tabaco, é um vinho bastante potente, rico em taninos e excelente acidez. Na boca, cerejas negras, ameixas, cacau em pó e especiarias finas e excitantes. Um vinho instigante que pede para ser domado com alimentos fortes e gordurosos. O meu preferido!
 
Foram muitos os vinhos degustados e dificilmente poderíamos comentar todos eles com o requinte que os nossos leitores merecem, mas posso assegurar que foi um grande evento, muito bem organizado e com a tradicional finesse do Sheraton Hotel para receber.
Para conhecer mais sobre outros vinhos que participaram do evento acesse o nosso Instagram tempodevinho.
 


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