Cinema
Diogo Berni
24/03/2018 às  13:10

TRAMA FANTASMA e a arte de entregar-se a outra pessoa

Filme concorreu a estatuetas do Oscar mas não levou nenhum. Deve ser visto pois é muito interessante.


Trama Fantasma, escrito e dirigido por Paul Thomas Anderson, encabeçando o elenco: Daniel Day-Lewis, EUA, 2018. Não sei se vocês já repararam, mas estamos fazendo críticas de todos os filmes que foram indicados na categoria de melhor filme ao Oscar 2018; e de todos, até agora, o mais difícil de escrever foi este. 


Primeiro porque estamos vendo um filme com, simplesmente, o melhor ator do planeta ( Daniel Day-Lewis ), este que já anunciou que foi seu último filme, ou seja, uma perda incalculável para sétima arte, porque ele era o melhor mesmo. 

No tocante ao filme, o defini como “difícil” por vários aspectos, dentre os quais acho mais prudente destacar nós mesmos, ou trocando em miúdos: a arte ou o desespero de entregar-se a outra pessoa, com suas causas e consequências, obviamente.

 Estamos na Londres do inicio dos anos 1950, onde o protagonista, o gênio ator Daniel, é o maior costureiro e também requerido pela realeza britânica e os seus inúmeros puxas-sacos. Uma pessoa com um talento destes: o de vestir e ditar a moda, logicamente é provido de um certo ego, e alguns diriam empáfia, até. 

O ponto central do filme é o envolvimento do costureiro com uma mulher um pouco mais nova. Agora imaginem como esse jogo é jogado: um profissional super famoso encanta-se por uma “Maria ninguém”, e faz dela sua musa e modelo inspiradora para a criação e confecção dos vestidos que iriam servir a realeza britânica. 

O filme nos faz afirmar como relacionamentos são delicados e dolorosos, ainda que somente um sofra, porque por bem ou por mau, e por mais que sejamos românticos, um sofre mais na relação que o outro: e isso é um fato, queiram admitir isso ou não. 

O filme é de difícil digerimento porque mostra, o tempo todo, tal relação tempestuosa de amor e poder, onde viver junto não é, definitivamente, coisa para amador. Permitam-me um spoiler: Pois bem, quando a moçoila percebe que seu amor não “dá testa” com o ego do artista, ela então o envenena com cogumelos, gerando problemas estomacais nele. 

Entretanto o mais curioso é que na segunda vez em que ela faz a mesma coisa, ele sabe e deixa ser envenenado novamente. Isso demonstra a quão complexa era a relação do casal. Ou seja: ele preferia deixar-se ficar doente pela mulher ao contrário de perdê-la, pois o costureiro-chique tinha a noção de seu gênio temperamental, e sabia que não seria fácil entregar-se novamente a outra mulher.

 Um filme que concorreu a melhor obra no Oscar, assim como Daniel Day-Lewis, a melhor ator principal, porém ambos não lograram êxito na premiação industrial, mas que vale muito a conferida, principalmente por sua complexidade existencial dos caprichos do ser humano, onde nem de longe, somos todos iguais.


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