Cinema
Diogo Berni
15/04/2016 às  19:26

Biquini Paraíso, um filme bem brasileiro

O rico documentário tem a missão de não nos fazermos esquecer da invasão do Iraque, mesmo com tudo que acontece hoje no mundo, inclusive com os terríveis ataques terroristas.


 Homeland: Iraq Year Zero / Terra Natal : Iraque Ano Zero, dirigido e roteirizado por Abbas Fahdel, Iraque , França, 2015. O excelente documentário tem 334 minutos.  Ou seja: É preciso bastante 
fôlego para assisti-lo. Porém trata-se de uma obra importantíssima para entendermos o que estamos passando hoje quando o assunto é o terrorismo,  mas vamos por partes. 

     Como a física nos ensinou que para cada ação existe uma reação de igual proporção ou força. Pois bem, primeiro dissecaremos o porquê os EUA terem invadido o Iraque com a desculpe esfarrapada de tirar do poder Saddam Hussein, que sabemos, não era nenhum santinho, mas sim um sanguinário sem precedentes naquele país, mas a pergunta ainda continua: Porque os EUA, comandado na época pela 
Bush Filho, quis invadir o Iraque? 

     Hoje sabemos que desculpe que eles deram era esfarrapada ( de que o Iraque estaria produzindo 
bombas químicas ). Quem produz isto em vasta escala é o Iran e a fechada  Coreia do Norte; todo mundo sabe disso, mas ninguém faz nada. A invasão  ao Iraque tinha um único objetivo que hoje sabemos: O petróleo deles, mas aí o Bush saiu e entrou o Obama e tudo parece que foi esquecido por causa do ataque ao Afeganistão contra Osama Bin Laden. 

    O rico documentário tem a missão de não nos fazermos esquecer da invasão do Iraque, mesmo com tudo que acontece hoje no mundo, inclusive com os terríveis ataques terroristas. Quando escrevo que o documentário é no mínimo excelente é porque estou sendo pouco generoso com ele ( foi o melhor que vi já ). A ideia dele é bem Glauberiana. 

   Ou seja: Uma câmera na mão e muitas ideias na cabeça. O câmera-man era um iraquiano legitimo
 e honesto, com família composta de filhos e mulher, além de parentes como tios, tias, sobrinhos, vô; assim como a sua família aqui no Brasil  ou em qualquer parte do mundo, inclusive nos EUA ). O chefe de família pega a câmera e mostra sua família e a cidade de Bagdá de uma forma geral com seus mercados, habitantes e costumes ANTES e DEPOIS da guerra ou da invasão dos EUA. 

   Quando mencionei que fora o melhor documentário que já vi é porque ele consegue , através do seu diretor ( que é um iraquiano comum ) mostrar o Iraque sem mascaras que alguma obra fílmica poderia fazer, caso pretendesse tentar. Tudo é muito verdadeiro; o sujeito vai ao mercado e mostra seus amigos vendendo suas coisas, vai à rua e mostra as pessoas fazendo o que elas fazem mesmo se não tivesse 
uma câmera ali, e porque isso acontece?

   Porque o cara era um sujeito igual a eles e tinha uma câmera como hobby, então as pessoas não ficavam  naquela de quererem ser outras só para aparecerem mais bonitas nas lentes. Além desta sinceridade das imagens tínhamos, obviamente, o retrato do antes e pós ataques. Os 334 minutos passam despercebidos pela  visceralidade do filme, parece até que somos um entre eles, ao meio 
daquilo tudo. 

    Primeiro víamos a ansiedade de um suposto e provável ataque nas ações e faces das pessoas, e na segunda parte víamos in loco as consequências dos ataques com uma Bagdá cheia de mortos, feridos (por  feridas e por orgulhos próprios), e uma cidade totalmente destruídas pelas bombas. Todavia o filme vai mais além que mostrar essas duas realidades distintas entre o “antes” e o “depois” da guerra. 

   O filme não  mostra, mas sim escancara a covardia de quem tem mais em relação há quem não tem nada, ou até, não tem nada a ver com aquilo tudo, mas paga só por estar naquela local. Como mencionado: Uma obra importantíssima para a compreensão das atitudes e consequências que o mundo atual sofre.  Trocando em miúdos: Consequências estas oriundas e criadas por quem dá 
as cartas no final das contas. 
                                                                           *****
    Biquíni Paraíso, de Samuel Brasileiro, Brasil, 2015. É verão e o sol penetra na cabeça das pessoas. Para os mais sensíveis a estação é uma derradeira roleta russa de emoções a todo momento, onde cada ação 
não necessariamente é pensada antes, aliás quase toda ação para esses seres de sensibilidade à flor da pele nunca é pensada, mas sim regurgitada através de uma necessidade visceral de existir e destruir o 
preestabelecido por não sei quem e quando. 

    Com este viés anárquico-poético a obra fílmica começa com um take de pessoas se banhando na imensa costa nordestina brasileira em janeiro com o sol dando as caras mais do que nunca. O libido quando os dias são mais longos que as noites torna-se também mais “libidinoso”, e as pessoas, 
por sua vez tendem-se a se doarem para o coito sexual de forma mais  natural do que em relação a outras estações do ano. 

    A fricção dos corpos  é nitroglicerina pura de modo que basta uma mínima faísca para que um 
pensamento se torne uma “via de fato consumado”, ou consumido, a depender do olhar de cada um. Fato é que com esta insti
gação que o verão  traz, ou seja, com a libido a flor da pele que a obra fílmica despeja 
na pretensão dos atores da trama, os trópicos abaixo da linha do Equador  tornam-se mais quentes que até o ilustríssimo Gabriel Garcia Marquez possas imaginar. 

   Bem, de um lado temos um solitário homem que anda meio de saco cheio com as mulheres da sua região que pensam sempre pequeno; e  este “pequeno” quando não é de matéria, é sempre de alma e espírito. E por outro lado temos uma turista que cuida do namorado que acabara que sofrer um acidente na praia, rachando a cabeça em uma rocha no momento de um mergulho impreciso. 

   Ao tilintar da situação de emergência o homem solitário oferece abrigo ao casal acidentado, que não tinha para onde ir  naquele momento. Após o hospedamento forçado o verão faz o resto da 
história acontecer. Trocando em miúdos: O exarcebamento da fissuração por roupas poucas ou até sem nenhuma delas, faz com que aquele aquecimento corporal de ambos desconhecidos até então o façam caminhar a  praia a noite sozinhos e a natureza sabia então faz com que o aglutinar  de hormônios pernósticos e insistentes façam com que inevitavelmente ambos se entreguem a um coito estilo rústico e natural com a praia e o mar como cúmplices por aquela troca de fluídos corpóreos e afoitos de um
 para com outro, onde nem de longe eram vistas e imaginadas as  consequências que tal ação instigatória poderia desencadear. 

   Como o próprio título da obra fílmica sugere, Biquíni Paraíso, é uma experiência sensorial de sentidos, entregas e acima de tudo: experiências vividas; por isso viva a sua vida, porque depois vais 
reclamar disto quando tiveres mais idade e não poder fazer mais coisas que gost


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