domingo, 24 de fevereiro de 2019
Esporte

Contra o preconceito, Lauro de Freitas sediou 1ª Copa Gay Nordeste

A Copa Gay do Nordeste surge com intuito de expandir o esporte para minorias
Imprensa Lauro , Lauro de Freitas | 11/02/2019 às 19:18
Contra o preconceito, Lauro de Freitas sediou 1ª Copa Gay Nordeste
Foto: divulgação

Após vencer o Bárbaros Futebol Clube de São Paulo (SP) por 3 a 2, o Bravus FC de Brasília (DF) sagrou-se campeão da 1º Copa Gay do Nordeste, realizada neste sábado (9) e domingo (10). Em clima de lacração, a partida foi disputada na Arena Golaço, em Buraquinho, no município de Lauro de Freitas. Seis times dos estados da Bahia, Sergipe, São Paulo e Brasília - Distrito Federal brigaram pelo troféu Jean Wyllys, uma homenagem ao ex-parlamentar, alvo de homofobia. A 1º Copa Gay Nordeste é uma organização do Dendê Futebol Clube Bahia e apoio da Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas.

Após a estreia de sábado (9) com muita fechação e habilidade nos pés, os times jogaram pelas fases semifinal e final neste domingo (10), além da premiação e encerramento. 100 atletas competiram durante os dois dias na modalidade Fut-7, esporte coletivo jogado entre dois times de sete jogadores cada, com a vitória de primeiro lugar para o Bravus FC (DF), seguido dos Bárbaros FC (SP) em segundo, Capital FC (DF) em terceiro, Dendê FC (BA) em quarto, e Natus FC (SP) e Araras FC (SE) nas quinta e sexta posições. O Dendê contou com uma torcida muito especial, as Mães Arco Iris, que vibravam na lateral do campo a cada lance.

Com assistência de materiais e logística, Uilson Souza, secretário Municipal de Trabalho, Esporte e Lazer (Setrel), destacou o apoio da Prefeitura e o dinamismo do esporte. “Apoiamos a construção da Copa desde o início. Sabemos que o futebol pode quebrar várias barreiras, se tornando um espaço de inclusão universal. O esporte transforma vidas e aqui pudemos ver exemplos de conquistas e combate a preconceitos” enfatizou.

Lateral do Bárbaros, Alberto Hossoe conta que a Copa Gay Nordeste é o maior campeonato que o time já participou. “Nosso time completa um ano agora em março e é importante estarmos nesses espaços. O mercado esportivo é muito difícil para homossexuais, que existem em times tradicionais e não podem se assumir por questões de contratos e patrocínios. Esta é a nossa luta: diversidade e inclusão” pontuou.

Bola tocada, o zagueiro do Natus, Eduardo Ramos, falou sobre esporte e sexualidade. “Esta Copa e outras ligas são promovidas para dar visibilidade a pessoas que antes eram excluídas apenas por sua sexualidade. Demonstramos não só a competência de jogar, mas de que o esporte é para todos”, ressaltou.

Idealizada pelos jogadores do Dendê FC, a Copa Gay do Nordeste surge com intuito de expandir o esporte para minorias. “Pensamos o futebol como inclusão, e por isso, há mais de um ano começamos a reunir pessoas para criar um time gay. Fomos achando nomes que ajudaram no projeto e logo com a formação do time demos início a construção da 1º Copa Gay Nordeste, em que todos teriam que ser gays, homens trans ou bissexuais. O futebol é um meio de muito preconceito. Aqui, a bola representa o preconceito e nós chutamos ela” frisou Elivelton Brandão, vice-presidente do Dendê FC, primeiro time de futebol formado por homens gays na Bahia.

 

TORCIDA MUITO ESPECIAL


No passe da bola e cheias de amor, as “Mães Arco-íris” do coletivo de Salvador, demonstraram a força de uma torcida colorida. “Somos mães de LGBT’s e sabemos como apoio e respeito da família condiciona essas vidas. Quando nos tornamos mães por amor, todos os LGBT’s se tornam nossos filhos” disse Cristina Sarmento, integrante do coletivo.

O coletivo é de abrangência nacional e tem representação na Bahia com visando dar visibilidade à importância do amor, aceitação e suporte das mães na luta dos filhos LGBT’s. As mães promovem ações frequentes de combate a LGBTfobia.