Colunistas / Cinema
Diogo Berni

A Grande Jogada inspirado em Molly Bloom

A ambição de uma secretária
12/05/2018 às 10:29
  A Grande Jogada, dirigido por Aaron Sorkin, EUA/China, 2018. A única coisa que não é falsa é o dinheiro: esta frase resume bem o filme. A obra fílmica, que tem uma pegada ultra verborrágica, fala de uma protagonista que já tinha sido atleta olímpica, mas precisamente na modalidade de esqui livre, todavia devido a um acidente em competição o rumo da sua vida muda totalmente. 

  Ela muda-se para Hollywood, e lá dorme em um sofá na casa de um conhecido por três meses, sem troca alguma. Quando, repentinamente, é atropelada, consegue um emprego de secretária do homem que a atropelou. 

   O trabalho deste homem era em organizar mesas de pôquer para celebridades do mundo dos negócios e do cinema na capital californiana. Inicialmente ela passa a ligar para os caras e marcar os jogos de azar em lugares que não dessem muita bandeira, apesar de não estarem, ela e seu chefe, fazendo nenhum negócio ilegal, até então. 

   Gostei da montagem do filme, ora nos colocando em flashbacks ou ora nos colocando em passados mais longínquos, os quais mostra a relação da protagonista, interpretada por Jessica Chastain, com seus outros irmãos e principalmente com seu pai: um sujeito durão que cria seus três filhos para serem os melhores num mundo tão deveras competitivo como é o esporte de alto rendimento. 

   É importante salientar que o filme é uma livre adaptação do livro homônimo da Molly Bloom, e tanto o livro como o filme são baseados em fatos reais, apesar do livro ser mais “real” que o filme, coisa que acontece sempre, escreva-se por sinal. 

   Mas a coisa começa e feder mesmo para o lado da protagonista de A Grande Jogada é quando, por ambição natural de estar no “jogo”, a moça bonita resolve parar de ser insultada e humilhada por seu patrão, e cria com seus bons contatos agora, o seu próprio negócio. 

   Ou seja: resolve fazer as suas mesas e abandonar seu ridículo patrão e suas boas gorjetas. Corre o risco de ficar sem nada, pois coloca todo o seu dinheirinho, ou melhor, dinheirama, em jogos em lugares caros e requintados, como os melhores hotéis de Nova York e Los Angeles. 

   Logo sua clientela aumenta exponencialmente permitindo que suas mesas sejam abertas ao público mundial, principalmente os sauditas e russos; e aí que ela se estrepa, e isso não é nenhum spoiler, porque o filme inicia-se com a FBI batendo na porta da moça. 

    Talvez, e isso muito provavelmente, de todos os filmes que conferi que teve indicações ao Oscar , este foi o mais complexo pelo fato de sermos complexos por natureza e por tal motivo que faz nos identificar com uma trama, repito mais uma vez, inteligentemente verborrágica, não nos permitindo tirar nossas minuciosas atenções das suas duas horas e vinte minutos de duração.