quarta-feira, 26 de junho de 2019
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

GET OUT, Corra: Um filme com muitas metáforas

Enfim não se trata de um roteiro de fácil compreensão, existem muitas metáforas em todo o filme nos imbuindo a pensar o quão preconceituosa a sociedade mundial
21/04/2018 às 13:12
Corra ! ( Get Out ! ), escrito e dirigido por Jordan Peele , EUA, 2017. Vencedor como melhor roteiro original no Oscar, o filme têm uma temática híbrida que envolve suspense e terror ao mesmo tempo. 

Porém, e sempre tem um “porém”, a narrativa fílmica é exítiva em apenas ¾ do filme, ou seja, em 75% da obra. O que não funciona é o que justamente não poderia não funcionar, ou seja, o seu desfecho.  Os 15% restantes do filme não se explica, ou trocando em miúdos: todos aqueles 75% vistos pedem as respostas destes 15% a serem finalizados, e todavia estas respostas não surgem ou não acontecem. 

Mas vamos aos fatos: um casal comum, formado por um negro e uma caucasiana, são impelidos ou convidados a passar um fim de semana na casa dos pais da namorada; e a partir daí: coisas estranhas surgem. 

Pelo simples fato de fumar o rapaz negro é praticamente obrigado a “curar-se” sob ou através de hipnose feita pela sogra que acabara de conhecer. O método é peculiar: através de rodadas de colher em uma xícara de chá. Mas dá certo, e muito, ao ponto do “black man” entrar numa furada, das bravas. 

Quando hipnotizado o rapaz entra num buraco negro; um tipo de universo paralelo onde só afunda-se e torna-se cobaia de um experimento pra lá de cabuloso. A ideia para justificar tais experimentos é um pouco intrigante como imponderável, também. 

O sogro, que tem a cara do Steve Jobs, sofre de vingança tardia; explico-vos: seu pai perdera as eliminatórias para Jesse Owens: o corredor negro que desbancou Hitler e suas crenças de superioridade ariana, em plena olimpíadas de Berlim de 1932, com o nazista- mor no estádio. 

Por este trauma o pai da menina, ou seja, o sogro do protagonista começa a criar experimentos usando negros como “doadores” das suas melhores aptidões, que eram, obviamente as físicas. 

Ele, o sogro, fazia assim: usava a beleza da sua filha para captar negros, ou seja, os pseudo apaixonados namorados dela. E por isso citei que o final do filme não tem cabimento porque como se pega ou toma laços genéticos físicos mexendo em uma cirurgia de troca de miolos cerebrais? Não tem cabimento, definitivamente. 

Mas se teve uma coisa que fez-me tirar o chapéu são as cenas quando o protagonista “ atrapalha” os criados negros com um simples flash: bingo! Muito bem bolado pelo diretor e roteirista do ousado filme. 

Na real o casal de negros empregados ou escravizados na casa eram, na verdade, o avó e a avô da namorada do protagonista, e que pela hipnose “pegam “ o corpo mais aderente e musculoso negro emprestado;

Enfim não se trata de um roteiro de fácil compreensão, existem muitas metáforas em todo o filme nos imbuindo a pensar o quão preconceituosa a sociedade mundial ainda é quando o assunto é a raça negra, como por exemplo a cena em que o casal está na estrada , com a mulher caucasiana dirigindo, e o policial, do nada, pede os documentos do negro ao lado, somente por sua cor de pele. 

Acho que a estatueta do Oscar foi dada de uma forma errada: merecia ganhar como melhor ator e não como melhor roteiro original.