quarta-feira, 26 de junho de 2019
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

ME CHAME PELO SEU NOME, uma história de amor

Me Chame Pelo Seu Nome, dirigido por Luca Guadagnino ( onde faz, sem dúvida, seu melhor filme ), Itália/Brasil/França/EUA, 2018.
31/03/2018 às 18:38
Sensibilidade a flor da pele
Foto:
   Me Chame Pelo Seu Nome, dirigido por Luca Guadagnino ( onde faz, sem dúvida, seu melhor filme ), Itália/Brasil/França/EUA, 2018. Baseado no livro homônimo de Aciman André, o filme foi indicado a quatro categorias no Oscar, inclusive a de melhor filme, mas só obteve êxito em uma: a de melhor roteiro adaptado, e com méritos, escreva-se de passagem. 

   Estamos em uma linda cidadela interiorana de veraneio na Itália, em 1983. Chega à cidade um estadunidense, de 24 anos, convidado por seu orientador acadêmico: o pai do protagonista: este em questão um jovem que fala três línguas e ainda por cima toca incrivelmente bem piano, e isso com apenas 17 anos de idade. 

    Os primeiros 57 minutos do filme narra à rotina de um típico verão ensolarado e agradável para ficar em água, ou melhor, na água a fim de refrescar-se do calor. O ponto de virada do filme surge quando o protagonista começa tomar coragem e paquerar o visitante.

    É fundamentalmente importante salientar que, apesar de ser um filme de temática gay, isso em cena e em momento algum, também, se torna o “norte” da obra. 

    A delicadeza deliciosa do roteiro não permite que torcemos o nariz só porque a temática é gay, pois o filme é muito mais que isso; fala de sentimentos genuínos de pessoas, e isto é jogado em tela tanto relacionamentos homo assim como heterossexuais, como sucedem-se no decorrer do filme. 

   Ou seja: a intenção da narrativa fílmica é mostrar o desabrochar de uma primeira paixão, esta que calhou em ser do mesmo gênero ou sexo, assim como poderia ser do sexo oposto, pois por quem nos apaixonamos: nós não escolhemos, simplesmente acontece: as mãos suam, o corpo se agita, o sono não vêm, etc. 

   A fotografia dispensa comentários pelas filmagens serem de um país tão belo como é a Itália, e também como é bom rever este país voltar a concorrer como um dos melhores do filmes selecionáveis a premiação do Oscar. 

   O ator, interpretado pelo francês Timothée Chalamet ( que aprendeu a falar italiano e tocar violão porquausa da personagem ), concorreu a estatueta de melhor protagonista, porém sem conseguir, mas que certamente conseguirá em um futuro próximo, pois talento não o falta. 

   Fato é que o filme conta, essencialmente, uma estória de amor, ou talvez paixão veranística, sem o pudor de classificações e/ou preconceitos, e isto talvez aconteça pelo escritor ser homossexual, e muito provavelmente tenha sido sua primeira paixão. 

   Tratando-se do filme especificamente, apesar de rolar por mais de duas horas, e por isso, talvez com trinta minutos a mais que deveria, porém ainda assim o tempo demasiado não tira o mérito da obra como um todo ( incluindo direções de arte e fotografia, assim como figurino e principalmente o belíssimo roteiro).

    Me Chame Pelo Seu Nome é um filme extremamente sensível, e muito provavelmente por esta questão, não será unanimidade, entretanto quem tiver um mínimo de massa cinzenta na cachola, estes neurônios que desaprovam tais preconceitos infâmes em pleno século XXI, irá curtir a bessa esta obra, incluindo o seu final quando pai e filho dialogam , sem cortinas, o que acontecera naquele verão na Itália. 

   Tal estupendo diálogo deveria servir como padrão e ser emoldurado para que, preconceitos sobre ou a respeito de preferências sexuais sejam definitivamente colocados ao chão de uma vez por todas, afinal qual é o pecado de uma pessoa gostar de outra do mesmo sexo? 

   Tenho pra mim que a instigação principal do filme esteja nesta pergunta; então por este sério e importante motivo, não deixem de assistir essa pérola, para então definitivamente de uma vez por todas, e sem mentiras, abrirem suas cabeças, porque falar que apoia a diversidade é fácil, porém compreendê-la é bem mais diferente do que acreditamos; e  digo isto por compreensão de causa, e não por ser homossexual, mas por estudar Letras, onde a maioria dos homens são homossexuais. 

   Trocando em miúdos: podemos até achar que somos despreconceituosos, mas no fundo ainda somos, e sem perceber este fato, por motivos de sermos sugados inconscientemente a pensar que isso é errado ( homem com homem ou mulher com mulher) , mas na verdade não é; trata-se somente de uma questão hormonística e ponto final.

   Filmaço que todo mundo deveria assistir.