segunda-feira, 25 de junho de 2018
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

ALTERED CARBON: a imortalidade do sapiens na telinha

São dez episódios, com média de uma hora cada, nos jogando em tela argumentos suficientes para afirmarmos: isto aqui, leia-se espécie humana é ou foi um projeto fracassado.
10/03/2018 às 13:02

Previsão futurista possível
Foto:
    Altered Carbon, da Netflix, EUA, 2018. Em um futuro (2437) distópico, com uma temática Cyber-punk a nova queridinha da Netflix: Altered Carbon ou em bom português: Carbono Alterado mexe de tudo um pouco no que se refere a como nos podemos a nos transformar futuramente diante e devido a tecnologia. 

   São dez episódios, com média de uma hora cada, nos jogando em tela argumentos suficientes para afirmarmos: isto aqui, leia-se espécie humana é ou foi um projeto fracassado.

   Porém de introdução vamos esquecer da síntese e da retórica tese que a série se propôs a nos contar , e talvez mesmo por isso, vamos ao fatos da série, este que nos fez adiantarmos o resumo da série que teve, até agora, mais publicidade na história das séries do canal de Streaming.

   Lembro-me que fui acometido a vê-la justamente por esse fim, ou seja, pelos inúmeros outdoors na cidade em que vivo: Salvador. Se aqui o apelo propagandístico fora tão exponencial assim imagino, então, em outras cidades de maior porte e pujança econômica. 

   Todavia entremos na série e, de imediato, associamos ao último filme Blade Runner: 2047. O ambiente é igual: cidades escuras, sem claridade do sol em momento algum, como se tivesse uma catástrofe ambiental e o planeta só funcionasse agora em modo noturno. 

   Com esta pegada Noir somos apresentado ao protagonista: uma pessoa que já morreu, porém está revivendo saindo de uma capa cheia de gosma. O cidadão tinha ficado dormindo (ou seria morto?) por mais de duzentos anos. 

   Em 2437, quem tinha bala na agulha, grana, era capaz de tornar imortal, revivendo em várias capas (por isso o carbono ou capas alteradas do título). O sujeito com grana tinha também a opção de querer voltar na mesma capa ou matéria, corpo, carbono, como queiram chamar. 

   Se em 2437 quem tem grana é quem manda, então é sinal que nada mudará daqui pra lá. Todavia deixando esta ‘“coincidência” de lado voltamos a nosso protagonista: trata-se de um sujeito soldado: lutador de artes marciais; e volta a vida para tentar desvendar um crime de assassinato, alias o próprio assassinado que o contrata para desvendar o caso,  ou detalhes de um futuro distópico Cyber-punk. 
  
   Alguns dizem e escrevem que Altered Carbon é tipo um filmão de dez horas, e por isso, a maratonagem dos episódios acontece de forma tão fluída. Particularmente não vi a série com um filme longo, mas uma série muito bem feita, com uma caracterização de figurino e cenário dignos de Oscar; já o enredo , por vezes, erra bastante por tantos ‘futuros e passados’, esquecendo-se do presente da trama, ou no mínimo transformando-a em confuso. 

   A série se desenrola nesta ligeireza de acontecimentos tendo como pergunta central: ‘Pra onde vamos se continuarmos a tratar nosso planeta e nossas pessoas como estamos tratando ?’ A resposta é simplesmente extraordinária, e embora estejamos em um futuro distópico, este diz muito, e assusta até, de quem somos hoje, e por isso as consequências deste amanhã retratado pela ótima e instigadora primeira temporada da série.