ter?a-feira, 18 de junho de 2019
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

A FORMA DA ÁGUA e uma visão do poder na guerra fria

O fato de você ser poderoso e outra pessoa não: igualdade que é bom, nada.
24/02/2018 às 18:14
A Forma da Água, dirigido por Guilermo Del Toro, EUA, 2018. Continuando nossa cobertura ao Oscar 2018, o que na verdade é o Oscar 2017, pois os filmes analisados são desse ano último citado.  Esta semana focaremos nossas íris em uma película com tom fábular. 

O filme, a medida de conhecimento, recebeu o maior número de indicações no Globo de Ouro (sete), no Bafta (12), além das 13 ao Oscar, A forma da água, vencedor do Festival de Veneza em 2016. De premiações até gora foram dois no Globo de Ouro, incluindo Melhor Direção, e nenhum no SAG. 

Uma das 13 indicações do longa ao Oscar é justamente a de roteiro original a categoria mais cotada para empapar o Oscar , e não a toa o roteiro do filme é tão respeitado pela crítica especializada. A fábula roteiral em tela grande nos coloca, prontamente, ao lado da protagonista: uma faxineira estadunidense muda, magra e extremamente sensível e /ou tímida, em pleno anos 1950, em terra do Tio Sã, onde os primeiros sintomas da guerra fria já eram, nitidamente, diagnosticados e vistos a olhos nus. Inclusive este é um dos pontos de partidas do filme. 

É o seguinte: Os estadunidenses acham, aqui na nossa Amazônia, uma espécie de Homo-Anfíbio, ou uma besta mais inteligente que nossa conhecida Sucuri, e então o capturam e o levam para seu solo. Nos EUA, médicos estadunidenses comcomunados com os soviéticos, burlam o sistema para modo da besta de água doce, que era um Deus para os Ribeirinhos da Amazônia, ser levada para a Rússia. 

Em meio a essa guerra dos grandes países da época, é que justamente entra a nossa faxineira e protagonista da trama fabular. Enquanto os cientistas só olhavam para o bicho como uma coisa dos infernos, a faxineira, que talvez por entender mais e melhor o que é ser discriminada, por ser muda,vê a criatura como quase algo divino, mas que, neste caso, pode-se “tocar”, e muito, por sinal. O romance é estabelecido entre a Bela e a Fera num mundo já predestinado a ter muitas guerras pela frente, e de inúmeras situações onde no final já sabemos o porquê de todos os conflitos: o tal do poder, onde um pode mandar há muitos e não vice-versa.

 Ou seja: o fato de você ser poderoso e outra pessoa não: igualdade que é bom, nada. E quem nada é peixe ou anfíbio. E se anfíbio nada, ele transa também: afinal quem tá vivo tem é que viver mesmo, e isso independente de qual gênero você for. A forma da água trata disso tudo: da indiferença para com o não estabelecido, o medo do destronamento de poder, entre outras coisas que ainda assolam nossa realidade.