sexta-feira, 18 de outubro de 2019
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME, indicado ao Oscar 2018

Indicado ao Oscar nas categorias: Melhor filme, atriz (Frances McDormand), roteiro original, ator coadjuvante (Woody Harrelson e Sam Rockwell), trilha sonora e edição.
17/02/2018 às 19:14
Três Anúncios para Um Crime, dirigido pelo virtuoso Martin McDonagh, EUA, 2018. Uma mãe, incrédula, não aceita que o assassinato da sua filha passe em vão sob a justiça. Após sete meses sem prenderem nenhum suspeito do crime, a mãe, então tem uma ideia: alugar três outdoors abandonados próximo à cidade onde aconteceu o crime, e na qual ela mora. A mensagem da mãe, esta que concorrerá ao Oscar como favorita, é reta e eficaz. 

Ou seja: tem culpa e culpado, este último o xerife da cidade, chefe que não consegue desvendar o crime após sete meses e simplesmente encera o caso, deixando a mãe da vítima mais enfurecida ainda. Nos três outdoors escreveu-se assim: 

1- Mas como pode xerife...
2- Sete meses e ainda nada.
3- Sobre a morte da minha filha assassinada enquanto estuprada? 

Com direito a uma baita interrogação em um fundo vermelho-escuro no terceiro outdoor. Esta ação incomum da protagonista, clamando por justiça, é a mola propulsora para vários outros acontecimentos subsequentes em uma típica cidade interiorana estadunidense. 

A narrativa é fluída, os personagens são complexos e intensos, de modo que com estes elementos a chance do filme fracassar é quase nula. O filme é bem costurado por diálogos irônicos e politicamente incorretos, fato este que dá mais vigor aos conflitos do drama e suas soluções surreais, como muito sarcasmo, tipo como ser impossível que policiais brancos gostarem de negros, entre outros jogos “paródianos” de humor negro. 

Fato é  Três anúncios para um crime é super favorito para ganhar a estatueta de melhor filme no Oscar,e vou um pouco mais além: escrevo que os EUA, atualmente, necessita que este filme ganhe para estancar Donald Trump.

E o filme por sua vez traz , exatamente, uma mensagem contrária. Ou seja: que pessoas (nós todos) temos que ser maiores que as “raivas” que carregamos dentro de nós; caso contrário teremos um planeta de pessoas caolhas ou desdentadas, se é que me entendem. 

Um aviso geral a todos os países a desconstruírem a raiva e se apoiarem mais no amor, e sem chorumelas.