domingo, 18 de fevereiro de 2018
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

A HORA E A VEZ DE MATRAGA, universo de Rosa na tela

Entender e encantar-se com as veredas de Guimarães é torna-se mais completo internamente, tamanha é a percepção dessa obra
03/02/2018 às 20:00
 A Hora E A Vez De Augusto Matraga, dirigido por Vinicius Coimbra, Brasil, 2015; elencando João Miguel como o dito cujo.

Não é, definitivamente, para qualquer um embrenhar-se no universo de Guimarães Rosa: é preciso muita força de vontade para esse feito, que, sem dúvida te elevará a outro patamar. Este conto é o último, de um total de nove, do livro Sagarana.

 Alguns dizem, e assino embaixo, que Sagarana é o menos complexo livro do autor, e por isso é o indicado livro a começarmos a dissecar o mundo do maior escritor brasileiro, tirando Machado de Assis.

Entretanto focaremos em a hora e a vez de Augusto Matraga; pois bem: pensa num cara valentão e que enche de medo todo mundo, pensou? Então enxergastes o próprio Madraga. Todavia um evento acontece, e um montão de jagunços de um fulano desgraça totalmente o protagonista, inclusive com direito a morte matada. Sua esposa o trai, de modo que sua única filha torna-se puta mais adiante. Porém por hora, Augusto MaTraga é tido como morto, mas só que não.

 O cabra fica é todo lenhado, mas sobrevive nas veredas do sertão com os cuidados de um novo pai e uma nova mãe: negros de pele, e humanos de coração. É impressionantemente espetacular como Guimarães Rosa vê ou enxerga quem é Deus, Diabo, seres bons , maus; enfim : será que tudo isso existe? Na verdade quem julga estas parábolas da vida somos nós mesmos, e colocamos o devido medo e heroísmo em cada qual, também.

Entender e encantar-se com as veredas de Guimarães é torna-se mais completo internamente, tamanha é a percepção dessa obra, assim como outras tantas do próprio. Nunca será perda de tempo ler ou assistir qualquer coisa relacionada a este gênio da literatura.