sexta-feira, 05 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

RODA GIGANTE de Woody Allen, sempre genial

Um filme de Woody Allen representa sempre uma boa polêmica
21/01/2018 às 21:47
 Roda Gigante, escrito e dirigido por Woody Allen, EUA, 2018. Se este gênio cineasta octogenário não se incomoda em fazer uma obra fílmica por ano, quem sou eu para não assisti-la e após, comentá-la. Como quase sempre o protagonista é feminino, e também devido ao seu passado, os petralhas de plantão sempre associam tais protagonistas com os casos de assedio sexual contra menores que o diretor teve. 

   Noves dentro- bola fora, cabe a nós enveredarmos sobre as nuances e estorietas do filme, e não no passado de gostos duvidosos do diretor. Dito ou escrito isto, vamos ao que interessa: estamos em uma cidade praieira estadunidense nos anos 1950. Nossos personagens centrais moram,literalmente, dentro de um parque de diversões; daí o nome do título da obra. 

   A protagonista é uma mulher de meia idade, que já foi atriz, e hoje trabalha como garçonete de um restaurante especializado em ostras frescas. Seu marido, um sujeito taciturno, é dono de um carrossel embaixo da sua casa. Tudo segue bem tedioso até que o narrador da estória, e também salva-vidas e mestrando em artes cênicas, tem um caso com a protagonista. Ouvi bastante gente cravando que trata-se do maior papel da carreira da Kate Winslet. 

   Não compartilho de tal ideia, acho até que no próprio filme existe outros atores melhores que ela, como por exemplo: sua step-daughter. Esta que “sai corrida” da vida do seu esposo: um mafioso italiano, e finca território na casa do seu pai, agora com sua step-mother e ainda um filho, somente dela, que não se cansa em ir ao cinema e literalmente fazer fogueiras em todos os cantos para ver sua fase entre as chamas, ou seja, um moleque bem estranho. 

   O atrito narrativo se desenrola quando o mesmo salva-vidas, narrador e amante da protagonista, começa a dar bola a mais nova moça desquitada do pedaço: a enteada da sua madura amada. Ciúmes e enxaquecas que só as mulheres, e Woody, entendem dão ritmo a uma narrativa frenética com o Jazz de pano de fundo, ritmo musical paixão do diretor. Ritmo este que na verdade mostra a essência dos homens: sim, falei dos homens de uma maneira mais arbitrária e geral. Fato é que esta tríade amorosa se desenvolve através de diálogos inteligentes e sarcásticos, ao mesmo tempo.

    Filmes de Woody Allen nunca serão perda de tempo, pelo contrário: trata-se , sempre, da tentativa de entendermos as mulheres, se é que isso é possível, e ainda caso saia da sala sem entender patativas do sexo feminino, ao menos verás uma boa narrativa contada com o carimbo de qualidade de um dos melhores cineastas que ainda se encontra na ativa.