sexta-feira, 05 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

THE CROWN, segunda temporada e o silêncio dos personagens

O segundo inicio desta segunda temporada, é a viagem de seis meses do esposo Philipe ,com duas dezenas de amigos, no seu iate a outras colônias britânicas.
23/12/2017 às 10:45

The Crown – Segunda Temporada, da NetFlix, 2017. Quem estiver esperando uma conexão entre The Crown e House  Of Cards, pode perder as esperanças, pois nada têm a ver: uma com a outra por uma ser fictícia e outra não. Segundamente The Crown tem um orçamento gigantesco, para se ter uma noção, a primeira temporada foi a mais cara da Netflix, e nesta segunda temporada, The Crown ainda mantém-se com um dos maiores orçamentos da NetFlix. 

E com tanto dinheiro em jogo, esperava-se o mesmo, ou melhor, resultado ainda do que o da Primeira temporada de The Crown. A série não chega a ser melhor do que sua primeira temporada, mas isso se deve, talvez, aos elementos políticos ocorridos entre 1950 a 1960. Na segunda temporada não temos mais a segunda guerra mundial, nem tampouco o primeiro ministro inglês: Winston Churchill com seu indecifrável charuto numa barriga, digamos assim bem beliciosa. 

Por incrível que pareça se a segunda temporada teve um mérito, este não veio em personagem ou lugar algum, e nem de diálogos , mas sim dos “não diálogos” ou estes vindouros após uma conversa ou briga. Ou seja: o silêncio das personagens pode ser interpretado como algo bem mais forte do que qualquer outra coisa.

 Existem duas estórias em paralelo no inicio desta segunda temporada; a primeira foi no Egito, quando este povo declara independência e a Grã-Bretanha perde sua colônia mais prospera.  O segundo inicio desta segunda temporada, é a viagem de seis meses do esposo Philipe ,com duas dezenas de amigos, no seu iate a outras colônias britânicas. Viagem essa resultado de um casamento com a princesa Elisabeth já se encontrar em ruínas desde a primeira temporada de The Crown. Quando Philipy retorna a rainha faz de conta de que ele nem foi, ou seja, cagou e andou pra ele, mas todavia existia a necessidade do casal real se mostrar bem perante seus súditos e a imprensa, obviamente.

Fato este que não aconteceu por, na viagem, vazar uma carta contendo as ações libidinosas que os “marinheiros” faziam. A carta chega à imprensa, e consequentemente o “filme” do casal real queimara devido a tal carta. Os episódios passam ( são dez com uma hora de duração, cada), e o casal consegue reerguer-se perante seus súditos, mas na real , o casal Real continuou a mesma coisa: murcho.
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Era necessário oxigenar a série, e a irmã da rainha Elisabeth consegue isso com êxito. Além de gatíssima , Margareth faz uma nobre que vai contra totalmente dos valores pré-estabelecidos pela corte real britânica, tanto é que se relaciona com um fotografo, este que faz parte de uma espécie de sociedade alternativa inglesa, ou seja, fazia parte de um grupo intelectual que via com maus-olhos essa estória de realeza, os ordenando, quase como vacas, a fazerem isso e deixarem de fazer aquilo, mas não é isso que fazem os parlamentaristas e presidencialistas fazem? 

Sim, mas na monarquia existem dois chefes: o do primeiro ministro e o da rainha ou rei, então é melhor ficarmos ou com o parlamentarismo ( na minha opinião o melhor ), ou o tal presidencialismo , este que já vimos que não deu certo em terra Brasilis, ou alguém ainda tem alguma duvida em relação ao presidencialismo? Acho que com o presidencialismo, a chance de roubar é maior porquausa da não fiscalização política, ou melhor, das barganhas políticas; barganhas estas que tem no parlamentarismo, mas em menor escala. 

Todavia, voltemos a The Crown e paremos em Margareth: a irmã revoltada da rainha, e com razão a tal ponto que aos poucos ela também vai sentindo asno daquele carnaval, sem mortalha, da corte inglesa. Todavia voltando a trama , esta nos obriga a ver a situação caótica que o reinado inglês passava após a segunda guerra com outro primeiro ministro. 

O mundo modernizou bastante após a guerra, e a Rainha não acompanhou determinado progresso, até que surge na trama um vendedor comum com ideias esquisitas que desejaria dar alguns conselhos para que vossa alteza ficasse na crista da onda, já que ela estava tomando altos caldos. A rainha, após insistência do vendedor, o recebe no palácio e ouve o civil comum. Importantes mudanças acontecem na comunicação entre os nobres , ou melhor, entre a rainha para com seus súditos. 

 Os últimos dois episódios desta segunda temporada se tornam inócuos e desprestigiados, mostrando a infância de um dos filhos da Rainha( Charles), em contraste com a educação do seu pai, Philipe, ambos na mesma escola estudaram. A série vale pelos oito episódios iniciais, e se tornara mais interessante ainda quando a série chegar à época da princesa Diane, com seu assassinato/acidente.