sexta-feira, 05 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

O Filme da Minha Vida, dirigido por Selton Mello

Walter Carvalho, mais uma vez “pra variar”, nos exibe uma bela fotografia
02/09/2017 às 18:24
   Antes quero aproveitar, e afirmar de uma vez por todas, a diferença do autor com o crítico de cinema, ou seja, o autor assume no peito e faz tudo, enquanto o crítico divaga sobre o que podia, e queria ser aquilo.

   Falo ou escrevo por experiência própria, ou seja, nem sempre o que está escrito no roteiro irá ser interpretado da forma que o diretor deseja, pois o caminho de criação não exige certo rigor com as palavras, mas sim com a intenção que há de porvir delas. 

   O Filme da Minha Vida, dirigido por Selton Mello, Brasil, 2017.  Antes, o que quero expressar é que o ator, e esse por mais que seja instruído pelo diretor, pode transformar, na hora certa, um pleonasmo em uma palavra vulgar, mesmo que fazendo o roteiro, ache aquela palavra perfeita para aquela situação, porém isso muitas, ou a maioria das vezes, acontece. 

   Como diretor e crítico de cinema, entendo todas essas “por venturas” no processo de assistimento de uma obra da sétima arte. A que estamos a falar em questão conta o enredo de um filme, que tem um filho sem um pai autêntico. 

   Melhor explicando: o marido abandonara a esposa quando tivera um filho, mas não é bem assim, pois como macho e reprodutor, automático, tal marido acha outra “reprodutora”, que entende que ele precise de tal atenção naquele instante, ou até por outros anos seguintes. 

   Ser crítico de cinema, hoje, não é uma profissão que podemos encher a boca e dizer: “ poxa, que maravilha de profissão”, porém este mesmo estilo, ou melhor, encalço profissionalístico ajudará mais adiante, isso, sem querer, querendo. 

   Voltemos ao filme e afirmemos que existe uma senhora solitária com um guri pra griar. Não existe pai porque ele dera um “mais nunca”, antes mesmo do menino nascer, por já ter outra fêmea na parada. Como francês vivendo no Brasil, tudo era novidade, inclusive e principalmente as brasileiras, visto que se encantara com um rabo de saia “mais avantajado”, ou seja, com um rabo maior, ou mais sedutor. 

   Entretanto o filme não foca somente nisso; existem as lembranças do pai, porém nada que possa diminuir a sua ausência. O garoto cresce sem o pai, mas por ironia do destino, torna-se professor de francês, a língua materna do pai, naquela cidadezinha no interior do Rio Grande do Sul. 

   Walter Carvalho, mais uma vez “pra variar”, nos exibe uma bela fotografia na obra do diretor-ator, Selton Mello, sendo o bolo da cereja de mais um bom filme nacional em cartaz nos melhores cinemas para você, caro leitor, apreciar e colocar um pouco mais de luz, em vossas vidas. 

   Atuações competentes, direção azeitada do Selton, de modo que não tem como não indicar o filme da minha vida, ou melhor, da vida do Selton e que pode vir a ser da sua também, então se levante e corra ao cinema mais próximo e boa sessão.