quarta-feira, 18 de setembro de 2019
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

LEMBRANDO Babenco com Pixote, a sua obra prima

Para contato com Berni diogoberni@yahoo.com.br
22/07/2017 às 11:39
 Pixote: A Lei Do Mais Fraco, de Hector Babenco, Brasil, 1980. Aqui está o embrião do que viria a ser anos mais tarde o filme mais conhecido do diretor argentino-brasileiro: Carandiru. Adaptação da obra literária do médico e escritor global Dráuzio Varela. 

   Começando do fim ao início temos a cena antológica de Pixote mamando uma das tetas da Sueli; uma prostituta pseudo cúmplice de Pixote e seu bando. Sueli passava pela fase de depressão pós parto, e Pixote ,por sua vez, nunca tivera esta ou alguma vez para ter alguém em chamar de mamãe. Alias teve sim, mas por pouquíssimo tempo, já que fora abandonado pela própria e entregue a Febem. E o filme inicia-se na Febem. 

   Imagino como foi preparar estes não atores mirins ou pré-adolescentes, já que na época não existia um preparador de elenco, ou seja, o próprio estupendo Babenco é que fez o laboratório com Pixote e a meninada, fato este que o entristeceu ainda mais quando soube que o ator que interpretava o Pixote tinha dado cabo da sua própria vida, e esta não diferente da sua personagem. Como já mencionado a obra fílmica se dá start na Febem, e após muitas sacanagens de quem mandava os pivetes fogem para não morrerem naquele pardieiro. 

   A locação “Febem” pega se não uns quarenta minutos, ou mais em um filme de duas horas e pouco. Por ter tanta “ Febem” no filme, acabamos em adentrar no mundo de cada moleque preso, estes que literalmente estavam jogados aos leões ou aos homenzarrões. Nas ruas e livres os fugitivos sobreviventes fazem o que sabem que é roubar transeuntes. 

   Nestas cenas vemos a ousadia de Babenco filmando os pseudo assaltos em ruas não fechadas para as gravações, ou seja, isso dá um certo frescor, de modo que as cenas se tornam mais reais em comparação das cenas de assalto dos filmes e séries atuais; hoje tudo é muito certinho e jamais vemos figurantes tão reais como os quais encontramos nestas cenas de ruas neste marco que é o filme do Babenco. Após alguns assaltos e contatos Pixote e sua trupe se manda para o Rio para bronzear o corpo e agitar as coisas por lá. 

   No Rio o restante da narrativa se desenvolve e também acaba por lá, e então vemos quanto à vida pode ser cruel a quem já tem um carma só seu para carregar. Para finalizar tenho duas ressalvas apenas. Primeiro: o filme deveria chamar-se Pixote: A Lei Do Mais Forte, pois isso é que ele é, sem tirar nem pôr. 

   A segunda ressalva é de cunho mais da narrativa empregada à obra, narrativa esta que pode ser considerada a original falando-se de filmes com menores infratores, e copiada por outros filmes após, inclusive colocando no balaio Cidade De Deus, do Fernando Meirelles, filme este que esse critico considera como um dos melhores brasileiros de todos os tempos e gêneros. Entretanto se tratando do recém-falecido Hector Babenco, este fora a sua obra prima número hum: Pixote, um soco no estômago esplendido de filme; não a toa que dizem, ou melhor, diziam que o melhor cineasta brasileiro é ou era um argentino; e quem dizia e diz isso estava, e está, redondamente certíssimo: O Babenco era o melhor dos melhores.