terça-feira, 26 de setembro de 2017
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

THE BLIND, os lados de amar e ser amado no cinema

Nathan Silver mostra a realidade em seus filmes
15/07/2017 às 11:34
 The Blind, dirigido e corroteirizado por Nathan Silver, EUA, 2009. A vida nunca fora um mar de rosas; Refiro-me à vida real, e em especial ao cotidiano. Todavia à arte tem como função transformar a dureza da vida em uma coisa mais agradável, fazendo da tragédia algo que nos ensine, e que, por conseguinte,  toquemos nossas vidas de uma maneira melhor, mais leve, transformando aquilo ou aquela situação que está ruim em sustentável, percebendo aquilo com outros olhos tentando achar outras formas em enxergarmos os problemas da vida real. 

   Trocando em miúdos é concretamente isto que o diretor americano quis nos transpor em The Blind, ou seja, apresentar a vida não ser como um mar de rosas, mas como uma intensa e bruta realidade, onde a necessidade de uns em amarem ou se doarem ao extremo, barra-se em contrapartida ao grupo de pessoinhas que sentem a necessidade em serrem amadas de uma forma mais explícita e intensa. 

  Para estas pessoas carentes de sentimentos e cuidados, temos na obra fílmica uma garota de vinte anos que tem um baita coração e também uma missão: entregar-se à cuidar do “outro”, este que no caso seria o seu namorado: um arquiteto rabugento que não gosta de falar ao telefone nem com a própria mãe e trata sua namorada de forma deveras ríspida devido natureza carente dela de precisar ser amada, porém, ele, sem tato algum para entregar-se e amar alguém. 

   O filme é intenso, pois monstra estes dois lados ambíguos: O de amar e o do ser amado, de forma absolutamente visceral e sem direito a algum tipo de fôlego que pudéssemos pegar para aliviar aquela tensão entre os protagonistas que quase chegara à loucura por suas incompatibilidades. Sem dúvidas alguma este foi um dos filmes mais extremos que conferi até agora na minha vida por conseguir abordar de maneira sucinta e latente o convívio entre pessoas com características humanas tão distintas e que, ao mesmo tempo, poderiam se  completar ou até encherem-se ainda mais das suas diferenças . 

  Excelente e inteligente pedida nestes tempos sombrios da política brasileira, onde, quem tem um olho é rei.