sexta-feira, 15 de novembro de 2019
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

HOUSE OF CARDS na temporada que retrata o poder

A impressão que se dá é que o casal Underwood leva sua reeleição a "banho maria"
10/06/2017 às 09:00
House Of Cards - Quinta Temporada, da NetFlix, EUA, 2017. Antes de inciar a critica propriamente escrita, primeiramente traçarei algumas informações técnicas, Pois bem: vocês sabiam que House Of Cards é a segunda série mais vista do planeta( a primeira é The Walking Dead), e o seu maior público é o chinês? Na China a série política não é vista pelo Netflix, mas pela tevê a cabo "Ohuru", ou algo parecido com tal nome. 

   A China por ser "oficialmente" um país "fechado" ou comunista não permite ainda serviço de Streaming internacionais, entretanto quando o conteúdo é imperdível, eles acabam sempre dando um jeito, neste caso, um "jeitinho chinês"para conferir o que o mundo anda produzindo de melhor. A série é oriunda de uma outra que fora feita no Reino Unido nos meados de 1990, esta que continha apenas cinco episódios , e não cinco temporadas, e de fato não dera certo naquela época e naquele país. 

   A Netflix só conseguiu os direitos de House Of Cards através de muito dinheiro e a promessa em produzir as duas primeiras temporadas, ganhando assim a ampla concorrência com os principais canais norte-americanos ( Fox, CBS e CNN), e ainda bem que a NetFlix ganhou, caso contrário só o povo norte-americano teria o privilégio em assisti-la, ao menos de imediato, isto é, quando eles conseguem assistir, os 193 países que tem o serviço de Streaming também consegue ver, e de forma continua. 

   Ou seja: não é igual aos episódios que assistimos dos canais fechados: um por semana( e olhe lá); no serviço de Streaming você pode ver uma temporada inteira de vez: a tal da marratonagem, como dizem os "não sociáveis" e apaixonados por séries. A sexta temporada, em 2018, pode ser a última, entretanto há rumores que venha uma sétima, fato que este crítico não acredita, pois fora feita a quinta temporada, agora só haveria gancho para mais uma, inclusive para fechar as brechas desta última. 

  Todavia como estamos nos referindo a uma baita de uma série grandiosa, não sentiria nenhum susto se em 2019 House of Cards ainda existisse, mas sem elementos importantes a serem abordados após uma sexta temporada.

   A Quinta Temporada poderia ser resumida é apenas uma palavra: Poder. Lembro-me bem do estupendo primeiro epsodio quando o protagonista quebra a quarta parede e nos diz: " idiotas são aqueles que pensam que dinheiro é a coisa mais importante, nunca foi e nunca será. Os que pensam assim já tem meu desprezo, pois o poder é o alicerce para que o dinheiro surge: não existe nada melhor inventado pelo homem do que o poder.". 

   A temporada é tão completa que tive a impressão de que a constituição norte-americana fora estudada em seus meandros pelo diretor, a fim de achar brechas e usá-la contra si própria. Além de poder e política, obviamente, a série mexe de tudo um pouco: a questão das minorias, ganãncia exarcebada, e por isso não exitosa, homossexualismo, fidelidade, bissexualismo, jogos políticos que ultrapassam a política, bipartidarismo,etc

    Já os aviso: por todos os fatores abordados não se trata de uma série de fácil compreensão e nem de longe conseguirás acompanhar a sua quinta temporada sem ter visto as quatro últimas, por isso nem perca seu tempo querendo dar uma de espertinho pulando já para a quinta, pois ficará " a ver navios"( no próprio site do Bahia Já tem as crítica das quatro temporadas anteriores, o que pode ajudar..) Pois bem, a quinta temporada destina-se e explicar a reeleição do casal Underwood na Casa Branca. 

   Mas vamos ao fatos; primeiramente é salientar destacar que o presidente Underwwod nunca esteve em tão" maus lençóis", tanto no senado como na câmara em minoria, afetando assim seus principais projetos e serem votados , e quaisquer semelhança com a situação política brasileira é de fato verisimilhança. 

   Parte dos primeiros cinco capítulos da trama política se restringe aos bastidores políticos da reeleição dos Underwwod, dessa vez com a mulher Claire, concorrendo a vice-presidência,. fato este que se torna a narrativa, por vezes monótona e até plausível e clara em muitos momentos, atrapalhando assim a motivação em assistir a série super premiada. 

   Entretanto contornando esse detalhe temos agora uma baita de uma culhuda, fazendo das eleições norte-americanas um mero brinquedo, onde quem ganhou não ganhara de fato as eleições por uma lei penal ou por um "jeitinho americano" de se fazer política, e tal jeitinho não tão diferente do jeitinho brasileiro, principalmente o atual.

  Temos agora o casal Underwood no centro do poder, porém rodeados de crocodilos, mas ainda assim a perspicácia política do casal da casa branca contorna as situações mais impossíveis e embaraçosas.E pasmem e creiam: a quinta temporada fica só nisso: nos bastidores políticos onde nada acontece de real , apenas a arrogância do poder se concentram no casal da trama, onde este elabora artimanhas para comprar mais poder e se tornarem mais intocáveis. 

   A impressão que se dá é que o casal Underwood leva sua reeleição a "banho maria", mas esta sendo nitidamente articulada politicamente. Uma série extremamente articulada em seus bastidores e tensa também, já que o fator " PODER", e isso com todas as suas letras em caixa alta é que faz o ritmo e dita as regras desta estupenda temporada; e além disso a série tem a perspicácia em nos hipnotizar , e de certo modo, faz com que queiramos saber mais do universo político, e isso sem partidarismos, mas como o sistema político funciona e como este é imprescindível , e também complexo, para o desenvolvimento de qualquer nação que se preze, fato este que o Brasil atual não anda acompanhado e principalmente respeitando a sua política.