segunda-feira, 23 de setembro de 2019
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

OS INQUILINOS, drama em qualquer grande cidade

Para falar com Berni diogoberni@yahoo.com.br
21/05/2017 às 20:16
 Os Inquilinos, dirigido, co-roteirizado e produzido por Sérgio Bianchi, 2010, Brasil . Se tem um filme que me marcou foi esse. Talvez também por viver em um bairro adjacente a outro periférico que me identifiquei tanto. 

  Pois bem: trata-se da trama à uma família que vive muito bem em sua casa construída pelas próprias mãos dos seus moradores e eis que de repente surge vizinhos com hábitos bastantes estranhos, tais como: festanças a noite e chegadas repentinas com todos bêbados um brigando com o outro. 

   Seria cômico se não fosse trágico, mas fato é que a situação vivida pela família protagonista da trama está longe de ser diferentes de muitas várias outras, então sendo assim podemos configurar que assistimos a realidade brasileira nua e crua da periferia dos grandes centros urbanos, e isto meio que respinga em nós que vivemos fora da periferia. Mas por elas ou pelas tramas das historietas. 

   O protagonista do filme é um pai de família como tanto outros que trabalha de dia e estuda de noite para ter uma vida melhor. A mulher por sua vez cuida dos filhos e da casa. Tudo vai muito bem até a chegada dos novos inquilinos. 

   A história é contada numa periferia da grande São Paulo, mais poderia ser perfeitamente em qualquer outra metrópole brasileira já que apresenta os mesmos problemas. A trama se desenvolve neste contexto novo de vizinhos pra lá de cabulosos e de hábitos estranhos, que faz a vizinhança pensar que eram bandidos já que vieram da favela ao lado. 

   A trama se desenvolve em meio a esses dois universos próximos e não muito distantes, embora os moradores do bairro na não favela pensem diferentes, isto é, que são seres melhores do que aqueles que vivem na favela e o tempo é o senhor a dizer que eles não tinham razão. Ou seja: da favela ou próximo dela as situações são parecidas, o que diferencia é o caminho de cada qual escolhe para a vida: ser o mocinho ou o vilão, embora estes dois termos neste contexto específico sejam bem próximos ao ponto de, por vezes, não enxergarmos quem é quem, já que os instintos de sobrevivência, e isto bem expandido pelo diretor, sejam de fatos iguais, isto é, os instintos de sobrevivência em uma terra sem mais lei onde quem manda é quem grita forte ou bota mais medo na concorrência.