quinta-feira, 04 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

JACKIE, de Pablo Larrain, filme decepciona por narrativa

Esperava um filme mais denso, mais politizado sobre Jackie desse diretor chileno de "No" sobre Pinochet
10/04/2017 às 19:17

Jackie, do chileno Pablo Larraín, EUA, 2016. Fui ver esse filme, que ainda continua em cartaz, por causa do diretor e me decepcionei. O grande nome do cinema chileno atual se vendeu a Hollywood e perdeu todo o prestígio do público independente que curtia os seus filmes. 

Após o filme “No”, Pablo voa voos mais audaciosos, financeiramente, e faz este filme. Entretanto acho que ele calculou errado, ou não calculou a falta de criação que não se têm quando filma para grandes estúdios.

 Jackie é um filme bem feito, sem dúvidas, mas inexiste aquele ar anárquico que existia em “No”,  por exemplo e principalmente em suas entrecenas, fato este que dá todo o ritmo ao filme e o direciona no sentido em criar uma expectativa no que poderia vir a acontecer, ou seja, é o responsável pela tensão dramática ou o máximo clímax de tensão de uma narrativa cinematográfica. 

Tudo em Jackie é muito bem calculado, de modo que conhecendo o diretor através da sua filmografia original, percebemos nitidamente até, a fraqueza de certo modo da sua protagonista: a mulher do presidente Kennedy. Este que fora assassinado quando desfilava no caubói estado do Texas: Terra de gente valente e disposta a trabalhar no solo, sem essa da tecnologia de Wall Street de Nova Iorque. 

Fato, ou fatos, são que o filme se baseia nessa viúva que faz de tudo e mais um pouco para ainda manter-se de pé como uma figura pública e cuidar da sua família, agora, pouco populr, tomando ações pouquíssimas nobres, e isso para escrever o mínimo, a fim de manter a persona do seu esposo. 

Chega ser até irritável o números de vezes em que a Jackie narra que segurava os miolos do seu marido recém abatido ainda em carro aberto no Texas, parece até que sua última lembrança dele fora seus miolos extra postados em suas mãos após um tiro certeiro de um lunático que adorava Jonh Lenon e via como missão matar o presidente.

 Saí decepcionado do cinema porque esperava um filme bem mais político, e isso porque tínhamos Larrain na direção, este que desmiuçou em “ No” toda a fatídica e cruel trajetória do sanguinário e assassino coronel Augusto Pinochet, do Chile. 

Acho que ele pegou leve demais, e por isso o filme é classificado como ruim por este crítico, pois o filme se presta a mostrar apenas o comportamento da viúva Jackie, como ela lhe deu com a morte do marido e administrou a criação quase sem fissuras dos seus filhos.

Óbvio que esperava um mergulho nas nuances , e até conspirações, daquele estranho assassinato, primeiro porque este fora presidente norte-americano abatido desta forma, escreva-se de passagem ( então, cuidado Trump!). Fato é que o filme fica nessa de uma viúva sem ter o fazer após o ocorrido, sendo que existia muitas outras coisas mais importantes para o diretor focar e transmitir, ao invés do que somente paralisar sua câmera em uma mulher absolutamente normal e sem carisma algum, e por isso sem graça nenhuma, que age com o ocorrido. 

A criatividade ainda é um fator preponderante para a feitura de um bom roteiro, e a posteriori de um bom filme também. Quando as grandes produtoras replicam que querem uma estória que não fuja em momento algum do seu controle, é então exatamente aí que está o perigo: em contar ou fazer um filme superficial que não tenha nada a nos dizer, apenas as angústias de uma personagem mal desenvolvida que nem isso conseguiu contar direito.

 Jackie é sem dúvidas uma cilada onde temos que correr o mais longe possível, pois não nos acrescenta em absolutamente nadica de nada, a não ser o fato que não podemos mais confiar no diretor chileno Larraín, vendido a indústria que esquece que um filme bom  surge quando primeiramente temos uma boa estória a contar, e isso falta, e muito, ao filme Jackie.
                                                                                        ****

L’ infini ( Infinito ), de Lukas Dhont, Bélgica, 2016. A carga poética da obra é estonteante ao ponto de sairmos emocionados da sessão. Trata-se de um curta metragem de vinte minutos onde acompanhamos a relação entre um pai com um filho, de nove, talvez oito anos. 

A bestialidade do pai, ou melhor, o fato do pai ter uma natureza “hormonística testosterônica demasiada”, faz com que essa relação pule em tela e seja a protagonista da obra, fazendo desta sem personagens mais ou menos importantes que outros, mas sim o fato dessa relação onde, um: com sua pequenez infante fraqueza física entende aquele ser bestial que não conhece limites por agir de acordo com seus instintos que os norteia, aqueles mais primitivos, ou melhor, aquela raiva inexplicada do mundo que o ser bestial não consegue compreender e tampouco outros que vivem ao seu redor, como por exemplo a sua esposa. 

Todavia o garoto, e isso talvez por questões genéticas, entende o que ninguém quer e conseguem captar. Talvez se a bestialidade não fosse do pai ele também não entenderia, mas como o "dele" estava “na reta”, ele entende também por gesto de amor e também instinto de sobrevivência, pois já que sua mão fora violentada naturalmente o próximo da lista seria ele. Entretanto mas que uma ação de sobrevivência o curta nos mostra os laços genéticos em seu pleno esplendor de amor, onde, talvez só uma criança consiga se abrir para mostrar esse sentimento sem firulas, e acima de tudo verdadeiro: uma pérola a ser conferida. A carga poética da obra é estonteante ao ponto de sairmos emocionados da sessão. Trata-se de um curta metragem de vinte minutos onde acompanhamos a relação entre um pai com um filho, de nove, talvez oito anos. 

A bestialidade do pai, ou melhor, o fato do pai ter uma natureza “hormonística testosterônica demasiada”, faz com que essa relação pule em tela e seja a protagonista da obra, fazendo desta sem personagens mais ou menos importantes que outros, mas sim o fato dessa relação onde, um: com sua pequenez infante fraqueza física entende aquele ser bestial que não conhece limites por agir de acordo com seus instintos que os norteia, aqueles mais primitivos, ou melhor, aquela raiva inexplicada do mundo que o ser bestial não consegue compreender e tampouco outros que vivem ao seu redor, como por exemplo a sua esposa. 

Todavia o garoto, e isso talvez por questões genéticas, entende o que ninguém quer e conseguem captar. Talvez se a bestialidade não fosse do pai ele também não entenderia, mas como o "dele" estava “na reta”, ele entende também por gesto de amor e também instinto de sobrevivência, pois já que sua mão fora violentada naturalmente o próximo da lista seria ele. Entretanto mas que uma ação de sobrevivência o curta nos mostra os laços genéticos em seu pleno esplendor de amor, onde, talvez só uma criança consiga se abrir para mostrar esse sentimento sem firulas, e acima de tudo verdadeiro: uma pérola a ser conferida.