segunda-feira, 23 de setembro de 2019
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

CINEMA: La La Land, o sonho não pode acabar

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04/03/2017 às 10:47
La La Land: Cantando Estações, dirigido e roteirizado por Damien Chazelle, EUA/ Califórnia, 2017. Esperei o Oscar acabar para escrever esta crítica, e deu Moonlight como melhor filme após o apresentador ter mencionado La La Land como vencedor, isto é, um papelão sem precedentes na cerimônia do Oscar. Como não vi Moonlight resenharei o filme ganhador de melhor atriz e melhor direção para um prodígio de apenas 32 anos de idade.


   La La Land. Sonhar é bastante bom, não achas? Todavia a vida real é bem diferente do que você queria ser. Por exemplo, quando criança estava convicto que seria um Zico devido a paixão pelo esporte, porém logo vi que “Zicos” existiam de montão e em boa qualidade. 

   La La Land conta a estória de dois sonhos: a de uma atriz que serve café querendo o estrelato em Hollywood e a de um pianista que sonha em salvar o Jazz original, de raiz. 

   Uma coisa que me intrigou e de certo modo passou batido até agora fora os diálogos do ator coadjuvante. O cara sempre quando defendia o Jazz de raiz tinha de atacar o samba; opa peraí : que o Jazz é um ritmo muito massa e você defendê-lo do por ser norte americano vá lá, mas o que é que tem o meu samba entrar nessa história; Um precisa ser destruído para o outro existir? 

   Acho que não, embora o filme tenha remado nessa direção e não tenha colocado nem uma música sambística “para se defender”. O Jazz fora um movimento negro musical originado em New Orleans em 1930 nos EUA , enquanto o samba é uma raiz brasileira desde todo o sempre, isto é, não tinha nada a ver o diretor jovem de 32 anos querer comparar ou desqualificar um ritmo em prol do outro, pois os dois são excelentes criações artísticas musicais em cada quais em seus locais e circunstâncias. 

   Todavia tratando de La La Land: Cantando Estações, já sabia que um musical como este não pode e nem poderia ganhar o Oscar de melhor filme por um simples motivo: A história, leia-se roteiro ou trama esta é fraca e ponto final, e até indigna em seu final, onde não precisa pisar em todo mundo para virar estrela de ponta do cinema mundial.

    Ademais a estória ser fraca, esta não acrescenta em nada as pessoas de hoje, pois trata-se de sonhos ou devaneios, isto é, de mil apenas uma pessoa consegue realizar o que quer. Ou seja: Sonhar ainda continua ser bastante bom para o corpo e para alma, porém a realidade é bem diferente do que você queria ser. 

   Apesar de não ter visto ainda a Moonlight , gostei do filme ter ganho pelo motivo ou circunstância de não enganar as pessoas e contar a vida como ela é, ou seja, real e ainda por vezes cruel.  

   Em La La Land; temos como personagens centrais um músico muito enraizado em seus ritmos e uma atriz que está cansada de levar “nãos” em seus testes em Hollywood, como já mencionado. Todavia eis que a trama muda com um fazendo sucesso e o outro nem tanto, fato este que estremece e desbaratina para o lado ruim drasticamente todo o rumo da estória, e não que isso seja inatural no mundo do cinema de Hollywood. 

   La La Land, como o próprio título vem a sugerir, conta a estória de sonhos de alguns que tentam a qualquer custo o estrelato, embora saibam que isso é bem difícil. Acho que se fosse para deixar algum recado esse filme que bateu na trave na premiação do Oscar 2017, poderia dizer a nós: “ Olha rapaz, apesar de tudo ainda vale a pena acreditar no seu  sonho mais impossível, pois se este for verdadeiro no mínimo ele terá uma boa historieta a contar”.

    Torci imensamente para que o filme não ganhasse, pois só tem essa história moral faltando elementos fílmicos, principalmente no quesito da nossas realidades atuais, para ser um bom filme, e ainda bem que não ganhou. 

   Em suma: o sonho não pode acabar" nunca, por mais que este seja descabido e em momento inoportuno por o mundo atual.
                                                                                              *****
   Capacetes Brancos, Netflix, EUA, 2016. Este curta está na Netflix e concorrendo ao Oscar. A história conta o dia a dia da defesa civil da capital da Síria, Alejo, diariamente bombardeada pelos russos principalmente. A função dos capacetes brancos é achar sobreviventes em meio aos escombros dos prédios atingidos pelas bombas jogadas via aérea. 

   Cerca de três mil homens recebem treinamento na Turquia para este tipo de trabalho. Eles Ficam um mês num curso super intensivo e voltam para a Síria para salvar vidas que diariamente precisam da sua ajuda. Agora vejam bem: é justo civis receberem a conta por "conta" de meia centena de terroristas? A Rússia não quer nem saber e quem tiver na capital da Síria é alvo para morrer. O curta é tocante e até certo ponto angustiante por mostrar nua e cruamente o trabalho dos capacetes brancos, onde em uma cena em especial eles conseguem salvar um menino de um ano de idade e este fica sendo como um amuleto para o grupo. 

   No curta não disseram a proporção (eles falaram que já salvaram sessenta e duas mil vítimas, e quantas se foram então ?) mas tenho pra mim que para cada uma pessoa que eles salvam dez ao menos devem morrer ou até mais, quinhentos mil morreram somente até agora. Essa guerra matando civis é fato muito sério e covarde.

   Se este curta ganhasse o Oscar seria muito bom para alertar o mundo desta covardia que está acontecendo. A obra fílmica abocanhou como melhor curta metragem de ficção domingo passado de Momo no Oscar, então corre na Netflix para conferir porque vale super a pena e ainda nos faz refletirmos no chumbo grosso que os aguardam.