sexta-feira, 05 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Décima Terceira Emenda e o racismo nos EUA

Dirigido por Ava DuVernay, que com Selma (2014) se tornou a primeira diretora negra a ter um filme indicado na categoria principal do Oscar
18/02/2017 às 11:22
Décima Terceira Emenda, dirigido pela Ava DuVernay, EUA, 2016. Quando o documentário iniciou pensei que seria algo sobre o preconceito de raças e etnias, mas logo vi que se tratava do sistema penitenciário norte-americano, o que também tem a ver com a raça negra, já que eles são em maioria naquele país como iguais outros, inclusive o nosso, Brasil. 

   A Décima Terceira Emenda diz que todo cidadão norte-americano tem direito a liberdade após a lei da abolição da escravatura abolida pelo presidente Lincoln. O documentário, que concorre ao Oscar, vai a fundo ao quesito presidial daquele país onde a maioria das prisões é privada e existe, segundo a fita um empurrão, escrevemos assim, para prender mais e mais cidadãos, por supostos lucros que estas empresas teriam com um número maior de detentos, em na sua maioria: todos pretos, como diz a música intitulada por Haiti de Caetano Veloso e Gilberto Gil, que neste caso o “Haiti” não é aqui, mas sim lá. 

   O documentário vai mais além disso desse trocadilho poético; ele mostra que há cada quatro pessoas presas no mundo, uma está nos Estados Unidos. Para focar mais no preconceito racial o documentário discorre acerca das injustiças desde quando o país era colônia inglesa até os tempos atuais mostrando as mortes de afro-americanos por motivos aparentes banais somente devido a sua melanina mais alta e isso fazendo uma bela trajetória histórica desde Lüther King, onde este era ameaçado e caçado pelos brancos mais radicais que enforcavam os negros que tinham a ousadia somente de olhar a beleza uma mulher branca ou apenas eram julgados como serem vagabundos que mereciam o enforcamento por estarem de vadiagem pelas ruas. 

   Enfim, mas que o tratado de questão presidiária dos Estados Unidos o documentário foca na questão do preconceito racial daquele país, que escreva-se de sinal é escancarado apesar do seu penúltimo presidente ser de origem afro-americana, muito diferente do Brasil , por exemplo, onde o racismo ainda é velado, isto é, supõe-se que aqui não existe racismo e as raças europeias, indianas e africanas vivam em total harmonia, fato este que estamos carecas de saber que não é verdade.

   O documentário é o mais cotado a receber a estatueta no Oscar até por questões políticas, até mesmo porque lembrem-se que no ano passado a celebração não indicou nenhum diretor ou ator negro e talvez por isso, como uma forma de refazer o mau passado pode indicar o documentário como o melhor, embora que analisando como crítico cinematográfico devo escrever que este não mereça tal honraria e este já tenha abocanhado a principal premiação britânica chamada por BRAFTA no último domingo, então concordando ou não é o favoritíssimo a estatueta de melhor documentário em pleno Carnaval quando estaremos atentos ao Oscar 2017.
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Elle, do virtuoso Paul Verhoeven, França, 2016. Acho o ser humano porreta por sua imprevisibilidade, isto é, em sua maneira que se comporta diante de situações em que ele mesmo cria ou por terceiros. Somos capazes de tudo, para o bem e para o mau em igual capacidade, por isso que somos interessantes, novamente para os dois lados, isto é, para ruim ou para bom.

 O filme ganhou o César, que trata-se do Oscar francês, e concorre ao prêmio de melhor filme estrangeiro no Oscar em pleno carnaval ( pra quem não gosta será um ótimo programa) , sendo um dos favoritos juntamente com o iraniano O Apartamento, onde o diretor e equipe não poderá ir ao prêmio por sua nacionalidade: coisa absurda, coisa de Trump. Mas Elle ( que é Ela em francês) começa com uma cena de tirar o fôlego onde a protagonista, que concorre a estatueta de melhor atriz para Isabelle Ruppert que de longe é a melhor das indicadas, mas por bairrismo estadunidense dificilmente levará. Pois bem, esta mulher rica, dona de uma empresa de jogos de vídeo game, é estuprada por alguém com uma mascara. Alias por alguém não, mas por um homem, já que é penetrada e sangrada e isso sem falar da tapa na cara que toma antes do ato não consentido. 

O filme começa com a cena e então pensamos agora é falar o que aconteceu e chamar a polícia, mas isso não acontece. O filme continua e o atacador ataca-a novamente com uma tapa de  costume antes do ato não concedido. Aí pensamos, porra será que foi um ato não concedido mesmo, porque se o fosse não concedido ela teria feito algo, mas esperou que ele atacasse-a novamente. E isto acontece diversas vezes até que sacamos que ela entra no jogo do cara e quer descobrir quem ele é. Ela desconfia do ex-marido, de alguns funcionários seus, mas não consegue o veredito de achar quem é o fulano que te trás prazer e raiva e isso não nessa ordem por necessário. Fato é que o filme é honestamente o melhor que vi esse ano e ano passado e não a toa a ABRACINE- associação brasileira de críticos de cinema, o elegeu como o melhor de 2016. Acho muito difícil que o filme não ganhe como melhor estrangeiro assim como acho mais difícil ainda a Isabelle Ruppert levar a estatueta de melhor atriz no Oscar 2017.