ter?a-feira, 17 de setembro de 2019
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

THE CRONW, NetFlix, a série sobre a familia real inglesa

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27/01/2017 às 22:25
 The Crown, da NetFlix, Nov-2016, EUA. Escrever sobre a série é comentar sobre a evolução da história da sociedade contemporânea de setenta anos pra cá. Trocando em miúdos: é impossível não mencionar economia e política global sem falar do reinado de Elisabeth II, mas antes vamos há alguns detalhes técnicos interessantes. 

   A série foi a mais custosa que a NetFlix produziu em todos os tempos por uma bagatela de cento e trinta milhões de dólares para sua primeira temporada, e já garantida mais cinco por uma simples razão: a empresa quer de vez abocanhar o público europeu com seu serviço de streaming. 

   Há quem ressalte que por ser uma obra impecável nos seus mínimos detalhes de época o fato da série ter sido tão onerosa, mas não fica só nisso, pois já existiram outras séries de épocas , futurísticas e não do passado recente e nem por isso seu oneração na produção fora tão alta. 

   O fator essencial da série ter sido tão onerosa se deve a um plano da NetFlix em fidelizar o público europeu ao longo dos próximos cinco anos , ou temporadas, contando a história da família real inglesa. 

   É de fato surpreendente o nível de detalhe de figurino e decoração que a série chega, ao ponto de certo ponto pensarmos que estamos naquela época vivendo os dramas e felicidades da corte inglesa. 
 
   Entretanto se fosse para dar um título a essa primeira temporada o daria como: O fardo da coroa, porque a série nos conta como foi atípico e maçante a maneira precoce que a então princesinha Elisabeth II teve de assumir o posto de rainha ainda sem o preparo e idade para tal função emblemática. 

   Quem já assistiu ao filme O Discurso do Rei deve estar mais familiarizado com a trama. O rei gago era o pai da rainha Elisabeth II  e este fica sendo rei nos dois primeiros episódios quando a "vala" o chama. 

   Adentrando-se mais na família sabemos que antes do rei gago a coroa teria que ter ido a seu irmão mais velho, mas este não quis e pode assumir por escolher o amor ao invés da coroa casando-se com uma francesa já divorciada, fato este que a igreja inglesa jamais permitiria um rei com uma mulher já casada como sua esposa.

    A igreja é outro fator que claramente percebemos seu poder, mas que o enredo não desgasta essa relação nem com a família real e tampouco com o primeiro ministro Winston Churchill. 

   Outra coisa que também sinto foi o expandimento da trama na questão de Churchill como um elemento chave para o fim da segunda guerra mundial. A trama começa e desenrolar em 1947 quando a menina Elisabeth começa a perceber que a coroa vem a sua cabeça da maneira precoce e ela tem duas opções: fugir como fez seu tio em nome de um amor ou outra desculpa , ou assumir a coroa com a segunda guerra e todos os problemas que isso acarretaria. 

   Quando mencionei no início do texto que a história do tronado da rainha se alinha ou se toca com a própria história da civilização mundial dos últimos setenta anos, ao menos, é justamente porque esse DNA inglês vem bem antes desse tempo. 

   Os historiadores mais independentes afirmam de forma categórica que nem de longe os ingleses eram os melhores navegadores marítimos, porém os mais espertos. Os portugueses e espanhóis , nessa ordem , eram os melhores navegadores e não a toa que esses três países foram os que mais conquistaram colônias durante a descoberta dos novos continentes ou terras. 

   Todavia quem lucrava estrategicamente mais com essas viagens aa terras desconhecidas eram os ingleses. Eles esperavam espanhóis , portugueses, holandeses . e entre outros povos chegaram próximos aos seus portos com os navios cheios de ouros e mercadorias preciosas para destruírem os navios a base de canhões inesperados e escondidos e roubarem as mercadorias. 

   .
   Por isso que desde 1500 o povo inglês é conhecido como um povo que não vacila estaticamente  perante a nenhum outro povo e provam o porque criaram a revolução industrial . Ou seja: por sua capacidade de estar a frente dos outros e também saber explorar o outro, e é assim que o mundo funciona ainda hoje e certamente ainda durante bastante tempo sob a égide do capitalismo, fruto da revolução industrial; talvez por isso que o Reino Unido possa ser considerado por muitos como a mais importante nação mundial no quesito desenvolvimento humano.

   E isso para o bem ou para o mau, mas fato é que eles colocaram o carvão para o mundo aquecer e girar comercial e economicamente de forma global transformando cada vez mais países em aldeias conectadas e acessíveis.

    Mas voltemos a trama The Crown ou a coroa, pois bem cada capítulo tem uma singela independência sendo que as vezes um se torna mais monótono, leia-se europeu, que outro por o roteirista insistir em voltar no tempo onde ora a rainha é criança ou onde é monarca: isso de certa forma enseba a historieta de modo que a fica enfadonha em certos capítulos, mas vencendo essas nuances temos como trama principal a rixa entre as irmãs Elisabeth, sendo que a caçula é mais carismática, mas não conhece ou não quer saber dos deveres de ser uma monarquia. 

   Ou seja: para ser uma rainha é necessário um desprendimento humano maior do que somente brilhar e estampar as revistas como uma anfitriã moderna e gente fina. Para ser rainha é necessário ser até certo ponto ranzinza e se estabilizar com os valores nada pops da igreja da Inglaterra, esta que não é a igreja católica, mas que tem seus calcanhares de Aquiles também.

    Além disso a rainha tem que se reinventar a todo momento com o parlamento inglês que não faz dela uma figura decorativa apenas, isto é, é preciso um rebolado mais que convincente para que a Rainha fique bem no Reino unido além das suas várias colônias espelhadas pelo mundo afora como Quênia, Índia, Egito, Austrália, etc. ou seja: bastante trabalho para uma moça com menos de quarenta anos de idade. 

    Outra coisa que não deixar de ressaltar são os problemas atuais que o mundo se encontra com as migrações por conta de guerras e outros fatores , que na série fica explicitada de forma categórica quando o Reino Unido perde sua pujança militar perante um revoltoso peculiar egípcio , fazendo com que logo linkarmos as tais primaveras árabes com Estados Islâmicos inseridos ao que chamamos de terrorismos maçantes atuais ou de homens bombas aterrorizando o planeta por causa vulgo extremistas religiosas. 

   Embora tenha pincelado sobre o fato, mas o relacionamento que mais chamou atenção na série foi a competição entre a rainha e sua irmã caçula. Estava nítido que existia uma inveja entre ambas e a coisa só não ficou maior porquausa do poder, isto é, uma mandava e a outra tinha que obedecer.  Quando se é uma rainha ou um rei tem-se que passar por cima de algumas vaidades humanas, ou seja, tem-se que ser sobre-humano para comandar, quase um parasita que suga o outro para ter o poder e mandar ao máximo seus discípulos o tem de fazer.

   O poder é uma forma cruel de colocar ordem no terreio, mas imprescindível para quem ordena e para quem é ordenado também, e isso a gente observa na relação da rainha com a sua irmã caçula, que embora tenha um carisma privilegiado, além do humor, não tem a responsabilidade do pulso para comandar o Reino Unido e suas diversas colônias.

    No mais é apreciar as mais das dez horas dos dez episódios da primeira temporada, e após isso afirmar que valeu conhecer um pouco mais a história da ranzinza rainha atual do Reino Unido, e se ela é ranzinza é porque teve responsabilidades diversas para adquirir este caráter duvidoso, mas também sólido e forte, e se o mundo é que é hoje é também porquausa, ao menos um pouco, desse rígido regime monárquico que a corte inglesa implantou para a sua quinta rainha do seu reinado, então palmas a Grã-Bretanha e a tudo que ela fez e ainda faz para que esse mundo continue a girar de forma global e democrática.