sexta-feira, 22 de novembro de 2019
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Neruda, filme destaca lado mais politico do poeta

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09/01/2017 às 20:11
 Neruda, dirigido por Pablo Larraín, Chile, 2016. A ignorância é a mãe das más circunstâncias e, por hora, também fruto da desinformação. Sabia que Pablo Neruda teve uma entrada na política do Chile, mas nem de longe saberia que tinha sido senador da República na década de 1940.

   Sempre tive em mente a associação de Pablo Neruda com a literatura, mas especificamente a poesia, que propriamente a política. Por este motivo ou associação achei o filme ruim, pois pregava bem mais o lado político do poeta do que o artístico, o seu principal e mais conhecido. 

   Mais especificamente o filme narra o exílio de Neruda, tendo de fugir de Pinochet pelos Andes chilenos cobertos de neve no lombo de um cavalo, e em tal fuga para viver acaba por ver situações e imagens que te dariam o prêmio Nobel de Literatura em 1971.

   Imagens e situações estas transportadas em poemas , logicamente, como índios comendo um cérebro de um cavalo e assim por diante. “Neruda tinha a fama de ser o poeta “dos poetas” que conseguia transpor em letras a sensualidade humana nos seus mais melindrosos detalhes sendo apelidado por : “ o homem que fazia amor com uma rosa na boca”; fama esta que causava bastante inveja em seus compatriotas chilenos, principal ou exclusivamente nos patentes de centro direita. 

   Ou seja: quem não era comunista e estava apalavrado com Pinochet queria matar o cara de qualquer maneira, e um em especial levara a sua inferioridade poética perante o sexo feminino até as últimas consequências. Obviamente alguém desse tipo tinha que ter alguma relação com o poder. 

   O filme do diretor “bola da vez” chileno, que provavelmente irá novamente ( NO em 2013 ) representar o Chile na disputa como melhor filme estrangeiro no Oscar, mas dificilmente levará, mas o diretor ou o roteiro não deixa bem claro quão patente alta teria esse militar para tentar , e de fato conseguir, infernizar a vida de Neruda em plena fuga, inclusive, já fora do Chile.

   O militar, interpretado medianamente pelo Gabriel Garcia Bernal, caça Neruda assim como os índios caçavam animais daquela região inóspita e fria dos Andes chilenos ou já peruanos, vai saber. Fato é que o filme só fica nessa inveja inesgotável de um que tinha cérebro e por isso usava para fazer poesias e consequentemente enlouquecer mulheres com direito a várias orgias e tudo mais, e o outro: desprovido ou melhor, provido de pouca massa cinzenta que se alimentava então da raiva de não ter a massa desejada, e por isso caçava o principal poeta do seu país, atrelado ao fato do senador Neruda ser de extrema esquerda, comunista, e o militar de extremíssima direita. 

  “Dez dentro e nove fora” o filme não tem nada mais a oferecer e por vezes, muitas vezes aliás, se torna monótono , então afirmo que desta vez o Chile não terá um filme bom no Oscar 2017, se é que artisticamente isso queira dizer algo, mas industrialmente sim, então Chile: Go Out !
                                                                       *****
   Jack Reacher: Sem Retorno, de Edward Zwick, China- EUA, 2016. Não sou muito fã de filmes de ações, mas abro uma exceção se este tiver uma boa narrativa e este é o caso deste. 

   Pra inicio de texto temos que distinguir o que é um policial normal e um policial do exercito, isto é, personalidades e também finalidades totalmente distintas e com missões diferentes. Enquanto o polícia normal tem que prestar um serviço de segurança aos habitantes, o policial do exercito tem de se ater a coisas ou problemas bem mais complexos que envolvem desde corrupções dentro das forças armadas ou até se tornar inimigo da farda para consertá-la. 

   O nosso protagonista pertence ao segundo grupo, ou seja: é um policial do exército que pouco respeita as leis da corporação; trata-se de um anárquico com farda para transgredir os valores da mesma. Ou seja, se formos comparar trata-se de um tirano que se acha maior que qualquer tipo de organização, e isso sem mencionar as mais de sete vidas que tem, sim mais até que os felinos domesticados chamados por gatos. 

  Fato é que o filme se desenrola nas culhudas desse agente rebelde que até contra bala ele consegue se safar. O roteiro é passível, com esforço de vossa parte, mostrando-nos uma relação conturbada entre esse policial, interpretado pelo insistente Tom Cruise, com uma vulga filha que supostamente teria a quinze anos atrás, e isso mencionando também a sua suposta namorada: uma durona policial do exército, com os três lutando contra tudo e todos para provar um esquema de contrabando de armas oriundas da guerra recente do Afeganistão. 

   Ou seja: se estiver pregadão e morto de calor, vale pegar um cinema gelado e sair cheio de adrenalina após a sessão, mas também não fique naquela que você sairá transformado e de cabeça feita após o filme, o máximo que ele fará é te tirar do marasmo e te dar um pouco de ânimo para aguentar o quente mês de Janeiro.