sexta-feira, 05 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

O Homem que viu o infinito, impasse entre razão e emoção

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17/12/2016 às 08:30
O Homem Que Viu o Infinito, de Matt Brown, Reino Unido, 2016. A época era meados antes de iniciar a primeira guerra mundial. Estamos inicialmente no interior da Índia com o protagonista do filme, Dev Patel: um típico indiano fisicamente, mas mentalmente fora dos padrões de qualquer psique humana. O indiano era fera em matemática e a via como um quadro em branco onde através de equações ele pintaria a tela ou no caso, resolveria os problemas aritméticos. 

Cada número se igualaria a cada partícula existente na terra, como um grão de areia. Quem daria valor apenas a um grão de areia? Para todos um único grão de areia é imperceptível, mas vários grãos são perceptíveis formando então, os areais.

O protagonista consegue enxergar um único grão como mola propulsora para um todo e não o contrário, ou seja, que o grão seria mais um a formar o grande areal visível. É com essa nuance milimétrica detalhística que os homens são separados dos animais irracionais e dos próprios pares também. 

Tem que haver generosidade para enxergar o que aparentemente não é visível, e em alguns casos, o sobrenatural pode contribuir. Com seu dom nosso protagonista é descoberto e convidado a morar em Londres, na sua principal universidade. Os preconceitos foram mil que o tal indiano teve de passar para publicar suas descobertas, já que “pretinho” lá na época não tinha vez e talvez na nossa também.

 Fato é que nosso protagonista passa o filme inteiro tentando mostrar que suas descobertas eram dignas de serem publicadas na prestigiada universidade, porém eram embargadas porque os acadêmicos queriam as provas das suas respostas, mesmo estas estando certas, causando assim um impasse entre a razão e a emoção ou na crença ou não de Deus, já que os acadêmicos eram quase todos ateus e nosso indiano era uma pessoa que não somente acreditava em um ser superior, mas através de uma Deusa , esta “ dava” as respostas dos enigmas matemáticos que todos perguntavam: Mas como você descobriu isso? 

Para não taxarem de louco ele ficava calado e não podia provar como tinha chegado as suas respostas. Um filme superinteressante que não só aborda valores matemáticos, mas sim crenças que podem ser maiores que nossos acertos e erros humanos. O filme pode ser visto tanto na NetFlix como nos melhores cinemas, e o indico.