Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Holy Hell, seita atípica no documentário dos EUA

Para contactar com o cronista diogoberni@yashoo.com.br
12/11/2016 às 07:30
Holy Hell , produzido pela CNN, EUA, 2016. Quando pensamos em seitas imediatamente nos relocamos nossa atenção há algum tipo de religiosidade ou a algo que se proponha a essa ideia, mas nem sempre é assim. Uma seita pode ser considerada uma por seu nome pelo simples fato de fazer lavagem cerebral e isso sem que seja necessária uma religião no meio. 

   Neste estupendo documentário da rede americana CNN, que pode ser visto na NetFlix, acompanhamos por vinte e dois anos, até 2007 ( então faça seus cálculos desde quando começou) uma seita atípica onde se dançava balé todos os dias, gosto esse do seu guru: um ex-ator que fez uma ponta no filme o Bebê de Rosimere, e ex-ator pornô também, porém a sua grande capacidade cerebral não estava nos palcos , mas sim no convencimento através de técnicas hipnóticas onde cria a sua seita e lá vive por mais de vinte anos como um rei com vários escravos envelopados pelos feitos do seu guru espiritual supremo acima do bem e do mal , obviamente. 

   Além das técnicas hipnóticas e um alto grau de convencimento por seu corpo escultural o guru da seita teria outra carta tão ou mais poderosa que outras já citadas. Toda a sua performance tinha como canal inspirador um livro do homem que conseguiu alcançar o Nirvana, Mahatma Java, se não me engano ou algum Buda da Índia que escreveu uma espécie de bíblia do Budismo. 

   Fato é que é uma catarse de sentimentos que o documentário provoca, pois vemos “ os próprios escravos” da seita narrando os noventa minutos do filme , inclusive com a afirmação de que todos os homens do grupo tinha tido relações sexuais com o guru psicopata e ainda pagavam para ter tais relações cinquenta dólares nas vulgas sessões de hipnose , o que na verdade só rolava sexo e um não tinha coragem de falar ao outro até que alguém conta a verdade e tudo vem a tona fazendo com que o Guru se mude de estado para não ser preso. 

   Chegando ao Havaí e com outro enorme grupo de seguidores o Guru parece que se dá mal, parece porque não o vemos algemado ou algo do tipo, mas fica essa impressão por os narradores do filme, que são suas ex-vítimas, afirmarem que ele tinha que pagar e tal e talvez tenha sido isso que aconteceu no Havaí, mas também isso é puro “achomêtro “ desse que vos escreve. Um baita documentário.
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    Visita ao Inferno, dirigido, roteirizado e narrado pelo mito Herzog, 2016, vários países.
A ideia do documentário é surpreendente e interessante. Parte-se do principio que as erupções vulcânicas sejam as responsáveis pela nossa existência. 

   Também não entendi de inicio, mas ao decorrer da fita narrada pelo diretor vemos que sua ideia tem algum nexo. Temos um cientista principal que parece ser um inglês ou ao menos tinha vinculo com a Universidade de Cambridge, e também dono de uma patente que hoje se encontra em todos os locais propícios das larvas virem a derreter algo ou alguns milhares. 

   Trata-se de uma espécie de “avissador” que a larva quente tá chegando, então é melhor se mandar pra não virar pastel frito. Esse cientista viaja do Quênia a Islândia a fim de mostrar-nos o que seria os primeiros ossos de um humanoide que foram derretidos por uma larva vulcânica. Tais ossos se encontravam petrificados, mas conseguia-se distinguir as pedras dos ossos com a ajuda de cientista maluco da Califórnia juntamente com um queniano expert em descoberta de qualquer tipo de osso humanoide ou animazoide; episódio esse no Quênia óbvio. 

   Na Islândia ou na Indonésia o cientista procurava entender como a cultura local lhe dava com os eventos vulcânicos e as respostas principalmente na Indonésia eram arrebatadoras e surpreendentes: os habitantes viam as larvas como um ser divino e quando estas matavam seus próximos e devastavam suas cidades e casas eles apenas assentiam com a cabeça a vontade do supremo maior. 

   Não a toa, e isso nada tem a ver com sua religião: Budismo, que os indonésios são extremamente evoluído quando o assunto é bem material. Na Islândia, apesar de não terem essa espiritualidade toda, o povo é também acostumado com um vulcão que volta e ano acorda, mas como o povo é de origem nórdica já se acostumaram com coisas bem piores, assim como é o frio polar da sua região e também a sua própria história nórdica exterminada pelo cristianismo. 

   Já na Corréia do Norte, o país mais fechado do mundo , temos imagens fantásticas do seu povo e como eles lhe dão com suas catástrofes naturais e políticas. Um achado que se encontra na Netflix do Herzog e mesmo que você não entenda "patativas" do roteiro ou entenda-o e ache fraco, as imagens das larvas vermelhas são sensacionais e vale por sua fotografia.