Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Aquários e Entre os Homens de Bem

Dois bons filmes
01/10/2016 às 11:23
Aquários, dirigido e roteirizado por Kleber de Mendonça Filho, Brasil/Recife(Boa Viagem), 2016. Tem duas coisas que seria bom escrever de inicio; primeiro: não acho que o filme seja uma metáfora do Brasil contemporâneo; vejo seu filme como o melhor produzido esse ano no Brasil.

   Desde O Som ao Redor não tinha visto filme tão incrível. A direção em Aquários foi estupenda e o filme merecia sem dúvidas, estar nos representando no Oscar ano que vem ( se é que isso significa algo em torno de sétima arte como arte, não como meio de consumo).

   O que é sei é que seu filme é muito bom e merece que assistam todos, e por favor, não demore muito pra fazer outro filme. Adiciono-me indagando que talvez o Brasil ainda esteja juvenil pra tudo isso que estamos passando e só o tempo e as experiências políticas sejam a cura para essa ferida ardida e sem cascadura para protegê-la. 
                                                      *****
   Entre os Homens do Bem, de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros, Brasil/SP, 2016. O documentário cola "no pé" do deputado federal Jean Wills, o oitavo deputado mais bem votado do Brasil. 

   Jean, um ex-BBB, professor oriundo de Alagoinhas, interior da Bahia tem um intelecto fora do comum, e com o aparecimento no BBB mostra ao Brasil quem é e se reelege deputado federal , tendo o posto de melhor em sua função no último mandato defendendo principalmente os direitos dos LGBT. 

   Entretanto o documentário já entra com o professor de terno e gravata em Brasília e mostra a sua vida e militância, inclusive iniciando e finalizando a obra com um banho de candomblé contra a inveja e os mau-olhados para que conseguisse cumprir sua missão em um país como o nosso. 

  Fica claro que religião e política andam lado a lado; a política cuida do material e a religião cuida do espírito de modo que para que quase todo mundo esse sistema assim está ótimo e não deve mudar, mas pra quem nasceu "diferente" ( como o próprio discursa ) , a política e a religião não os deixam respirar, de modo que ele próprio quase morre quando criança por ficar imóvel durante muito tempo ao ponto de seus pais chamarem um sacerdote para dar a "estremunção" e Jean dar sinal de vida quando a vela pinga em seu corpo, e então ficam sabendo que aquele garoto esquelético estranho ainda respirava. 

   Com a vista da presença da morte o garoto franzino fica forte principalmente no sentido espiritual e o final da sua história já fora contada e é sabida pela pessoa publica que tornou-se. O político estava na sessão e de fato é uma pessoa muito simpática e que luta por seus direitos com bastante dignidade, e por isso deve ser respeitado.