ter?a-feira, 17 de setembro de 2019
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

CAFÉ SOCIETY, o melhor filme de Woody Allen

Para contato com Berni diogoberni@yahoo.com.br
17/09/2016 às 11:05
 Café Society, dirigido e escrito por Woody Allen, EUA, 2016. Todo ano temos uma certeza: terá um filme de Woody Allen, e que bom que isso acontece. Aos oitenta anos de idade e com um vigor físico de envergonhar qualquer personal trainee, pois jovialidade está na mente, e como nós, do ditado, sabemos: cabeça é que segura corpo e não o contrário disso. 

   Li tantas críticas acerca do filme , mas citarei apenas uma que considero emblemática por quem assinou: Ignácio Araújo, da Folha; um senhorzinho que sabe das coisas. Segundo ele este foi o melhor filme do cineasta nos últimos dez anos ou dez filmes, porque a obra fílmica prima por uma baita cenografia da época de tempos vindouros do cinema dos EUA dos anos 1930, e ainda Allen consegue assinar um exímio roteiro exclusivamente já reservado a determinado ator ou atriz, afinal é só estalar um dedo para que eles aceitem algum convite do gênio estadunidense. 

   O filme em questão, com uma baita trilha sonora (também, não poderia deixar de escrever esse primoroso detalhe, bem aos anos 30 com blues rasgados e viscerantes),conta a vontade, alias o sonho de uma rapaz de Nova Iorque de mudar para Los Angeles e lá fazer carreira no cinema. Com um QI altíssimo o rapaz consegue adentrar no mundo dos famosos e suas festas chiques, e até consegue uma namorada que já tinha outro namorado. 

   Ou seja: consegue uma meia namorada, interpretada pela eterna vampirinha da saga Crepúsculo Kristen Stewart. Todavia nem tudo que reluz é ouro, e o rapaz vai vendo que está entre os maiores do cinema não seria tarefa tão fácil assim, apesar do seu Q.I. ( aqui leia-se Q.I., como quem indica) e sua alta simpatia que beirava ao enjoamento de tanto sorriso nos lábios. Com um jeitão nerd o nosso protagonista, interpretado por Jesse Eisenberg , volta a Nova Yorque com aquela sensação que poderia ter dado certo na terra do cinema, mas como a grana tinha acabado o jeito era voltar e trabalhar com seu cunhado em um cassino clandestino, típico e lindo dos anos 1930. 

   Atividade esta ilícita e o personagem central sabia do fato, mas que para ele , parecia com aquilo do que mais gostara:o cinema. Ou seja: pra ele tanto fazia se estivesse fazendo algo ilegal ou produzindo sétima arte, pois os dois no fim teriam o mesmo objetivo: transcender a mente e os desejos humanos. Filme super interessante do mito estadunidense. Vale a ida sem medo de ser feliz. 
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   Espaço Além - Marina Abramovich no Brasil , dirigido pelo brasileiro Marco Del Fiol , sem divulgações de ano e país produtor. O filme é uma experiência sensorial única, antes mesmo de se prestar a ser um documentário que conta a trajetória da Marina, que veio ao Brasil por estar na merda , segundo próprias palavras suas, por ter recebido um par de chifres. 

   A cineasta e também artista visual performática é vista com desconfiança por exagerar na dose em suas experiências artísticas. A última que aprontou foi numa Bienal de reconhecimento mundial onde a artista se colocou fazendo parte da sua obra criada por setecentas horas sentada em um banco em volta de um plástico que cobria o móvel. 

   Na sétima arte a Marina ainda é flor a desabrochar e, talvez por isso, as portas estão abertas. Como mencionado a experiência da obra fílmica ocorre a partir de uma necessidade de cura da autora. Vem ao Brasil e para Em Goiás, em Goainésia:terra de um méduim que é mundialmente conhecido por fazer cirurgias sem anestesiaria ou algum aparato médico, o João de Deus. 

   Para ele bastava uma faquinha afiada e a fé de quem ia lá por já ter ido em todos os lugares e não conseguir a cura; enfim a fé remove barreiras literalmente, e nesse caso, removera-se a faca e ao desemperro da morte. Após a experiência Marina percorre Brasil Afora:vai nas chapadas dos Veadeiros e Diamantina, Paraná ( onde conhece o Ayuasca ), Cachoeira no recôncavo baiano e a força do candomblé e por fim As Gerais de Minas com seus cristais. 

   O filme dá um verdadeiro rolé ( ou rolê, dependendo de qual parte do país) pelo Brasil espiritual. Quando comento desse filme por boca sempre acabam me fazendo a mesma pergunta:"Mas e aí, ela se curou do amor não retribuído ?" . Olha se teve uma coisa que raparei foi exatamente isso. Ou seja: o documentário é deveras sensorial que embarcamos na viagem espiritual da Marina, e de fato, ficamos mais preocupados com os processos e não com fim ou a sua finalidade de curar ou não curar. 

   Alias o filme não fala nada de cura, documenta uma pessoa que está com problemas ( seja estes ficcionais ou não) e corre atrás de curas alternativas por seu alto grau de sensibilidade que para os médicos, é demais. Uma experiência interna de uma desconhecida que pode servir para qualquer um, belíssimo documento em tela que ainda pode ser visto no cinema em sua última semana em cartaz, então corre lá e vai transcender.