Colunistas / Cinema
Diogo Berni

VIKINGS, a história dos povos nórdicos pela Netflix

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03/09/2016 às 19:26
  Séptimo ( Sétimo), Dirigido e co-roteirizado por Patxi Amezcua, Argentina, 2013. Fazia tempo que não via um filme portenho que me decepcionasse. Este infelizmente foge a regra de filmes argentinos de qualidade, e mesmo com o ator Ricardo Dárin no elenco, alias só assisti ao filme por causa dele, todavia desta vez não tive tanta sorte se avaliando o filme como um todo. 

   A história se passa entre uma família recém separada constituída por duas crianças, uma de cada sexo, um advogado argentino e uma perua-dondoca ( sem ocupação) espanhola , esta que por sua vez ou astúcia, estava a fim de se picar para o seu país europeu devidamente com os filhos sem o pai argentino logicamente concordar nada com essa estória. 

   A trama passa-se e inicia-se na Buenos Aires atual com um surpreso e repentino desaparecimento dos filhos desse casal em “pé de guerra”. O filme não agrada por motivos como, por exemplo, ter sido rodado em sua maior parte no prédio ao qual as crianças tinham supostamente desaparecido, com o pai argentino de sangue quente desconfiando dos todos os outros moradores, ao invés de investir em outros lugares ou até mesmo acionar a polícia para desvendar o misterioso seqüestro dos seus filhinhos. 

   Até que no meio do filme, e como isso demora de acontecer, esse óbvio até ( cerca de metade do filme), que foi um dos seqüestradores ligarem e pedirem o resgate das crianças em troca de Cash. Quando a fita toma um “ar” no sentido de desempacar nessa procura que não levava nada a lugar nenhum, e a fim de ter ações para se achar concretamente as crianças já encontramos praticamente o filme em seu final. 

   E por seu final, este previsível e até de certa maneira ingênuo de supor de quem tinha de fato seqüestrado as crianças, ou seja, quem tinha arquitetado cruelmente esse plano de seqüestro fora a própria mãe dos filhos: uma espanhola insegura que comete um ato insano, e que poderia até ser pressa por isso, uma vez que a guarda dos filhos era do pai por a mãe já ter um histórico vasto de transes psicóticos, e por isso julgada pela lei, tanto da Argentina como da Espanha, como incapaz de cuidar e criar suas crias. 

   Pelo Ricardo Dárin, que é um ator, que é mais ou menos, comparando na medida do possível, uma espécie de Fernanda Montenegro do sexo masculino na Argentina da contemporaneidade, porém depois de ver o filme inteiro, fiquei-me perguntando o porquê do gabaritado ator ter tido a decisão de aceitar em fazer esse filme com um roteiro tão sem sal e graça, e a única resposta que encontrei é que o cachê deve ter sido bem volumoso para o pop-star colocar-se como protagonista do pouco expressivo filme. 
                                                                     *****
   Vikings ( três temporadas), de vários diretores, Irlanda do Norte/Canadá, 2013/2016. A partir deste momento trataremos da historia dos povos nórdicos, também conhecidos por Vikings, como o título da série da History Channel, e que pode ser vista também no Netflix, sugere. 

   Estamos no século VII. O primeiro episódio da primeira temporada nos apresenta a vida de uma cidade nórdica com um rei ( assim igual a todas outras cidades da época) dando as ordens ao recinto. Aos escravos caberia trabalhar e dar sua contribuição ao mandatário maior. 

   Até aí a serie de época a tantas outras que já vimos, porém com um único detalhe:nessa época os povos não se conheciam, ou melhor, um não sabia da existência do outro. Assim como em outros povos, principalmente os gregos, os nórdicos tinham seus deuses: Odin e Thor, sendo que Thor com sua bigorna loira era o mais respeitado para os mortais da antiga Escandinávia ( hoje geograficamente compreendida por países como Noruega, Suécia e Dinamarca.) 

   Por serem pagãos os rituais nórdicos eram parecidos com os rituais do candomblé através de sacrifício de animais, mas pela época e por ser um povo distinto, de nove em nove anos os seus rituais aos deuses nórdicos acrescentavam também sacrifícios humanos. De nove em nove anos três guerreiros teriam que morrer igual aos bodes, vacas e bezerros ( cortando-lhe as cabeças e gargantas) para que os Deuses atenderem seus pedidos de boa plantação e a proteção divina nórdica de qualquer tipo de intempérie de natureza que conheciam, como ter filhos aleijados, traidores, etc. 

   O protagonista da série entra exatamente como um rebelde que pensava maior que os outros. Trata-se de Ragnar lothbrok; um homem ambicioso e destemido que queria conhecer o Oeste do continente europeu, até então inexplorado. Ele e seu grupo de guerreiros "brocos" mas fortes como touros remam rumo a Oeste e acham a Inglaterra, que na época era dividida em quatro reinos, coincidentemente igual a hoje. Refiro-me a 790. 

  O que fazem então: Saqueiam todo o ouro e prata que encontram pela frente e ainda, claro, matam todos do local com suas forças de Thor. Quando voltam ao seu reino na Escandinávia o rei em exercício rouba tudo que eles tinham roubado, e pede ou ordena que nosso protagonista escolha apenas uma coisa pra ficar com ele. Nosso guerreiro escolhe o monge que tinha trazido do Oeste pelo fato de inicialmente de ser tão diferente deles. Mas não foi somente por isso, nosso protagonista já pensava a posteriori e via o monge como uma mola trazido. 

  Ele escolhe o monge cristão que trouxe de lá da Inglaterra inicialmente por pura curiosidade de uma mola propulsora para deixar de ser apenas mais um nórdico "broco" que era mandado por seu rei, de modo que não muito tempo ou capítulos depois nosso protagonista se torna rei da sua cidade e agora então tem mais homens e recursos para explorar o "Oeste". 

  Muitos personagens se destacam na estupenda série , tais como: O carpinteiro Fiok que fazia os barcos, mas antes de tudo braço direito do conde por sua extrema sensibilidade e perspicácia em se manter lúcido para que os valores nórdico não venham a ser influenciados pelos cristãos;tínhamos ainda o irmão traíra do novo conde Ragnar lothbrok, chamado por Rollo, e a bela Lagertha, primeira esposa e guerreira de batalha do protagonista. Além dos personagens as caracterizações de figurino e cenografia são sensacionais! 

   A cada roupa ou a cada talher da época viajamos juntos ao século VII e começamos a descobrir como o mundo foi acontecendo da era D.C. pra cá, ou seja do ano 00 até o nosso,2016. 

   Todavia voltando a serie sem ter saído dela, somente dando mais elementos de como foi espetacular a pesquisa de época para a produção da série, mas quando os brutos pagãos (pagãos para os cristãos, pois como mencionei já, eles tinham seus Deuses, suas crenças, seus"padres", ou seja, tinha todos os rituais que os cristãos tem ,mas de uma forma diferente e por isso somente eram chamados de pagãos, por não serem cristãos) nórdicos vão atacar com mais força o tal do Oeste, que era a Inglaterra, os reis ingleses já tinham conhecimento da existência desses seres devido ao ultimo violento ataque no monastério cristão de um dos reis. 

   Fato é que no desenrolar dos capítulos as invasões e também as alianças se tornam meio que repetitivas, porém sempre com batalhas campais sangrentas que dá gosto de ver. Não vejo a hora de conferir a quarta temporada a fim de saber se os Vikkings invadiram Paris ou fracassaram.