sexta-feira, 05 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Estive em Lisboa e lembrei de você, drama da emigração

Um filme com tema atual e uma bela fotografia
06/08/2016 às 15:20
  Estive em Lisboa e Lembrei de Você, do diretor estreante José Barahona, estrelando Paulo Azevedo, sendo uma coprodução Brasil-Portugal, 2016. 

   Uma vez que um escritor vende sua obra para algum cineasta, esta não passa a ser dele. Escrevo isso porque li o livro homônimo do Luiz Ruffato e pouquíssimo se parece com a obra original. É que no cinema a ficcionalização de qualquer estoria, mesmo sendo documentário, é necessária. 

   Por mais cru ou parecida com a obra original que o diretor possa tentar colocar na lente, a obra "pede" uma ficcionalização para que , em tela, a narrativa saia mais crível e atraente, afinal quem quer passar pelos mesmos desarmar-gores que tais personagens passam a troco de nada? 

  Calma aí que realismo é bom até certo ponto, pois como já diz o ditado: pimenta no olhos dos outros é refresco pra qualquer voyeur. 

   Dito isto vamos a obra fílmica que certamente Luiz Ruffato tem se peidado quando a vê, mas foi vender, e a grana foi boa, né? Então não reclama, caramba! 

   Como aspirante a escritor e roteirista ou também o que pintar na área de comunicação, acho importante ter em mente e saber desses paradigmas, afinal mercado é uma coisa oposta a uma criação artística , como a literatura ou artes plásticas , por exemplo. 

   Mas por que quis escrever sobre este filme? 

   Porque o seu tema principal é ainda raro na sétima arte e super interessante;trata-se da emigração de brasileiros para países de mesma língua, a fim de buscar melhores oportunidades de trabalho. 

   A cidade portuguesa escolhida fora Lisboa em terra lusitanas ( este que acaba sendo um fator de empencílio enorme para o nosso protagonista). Trata-se de um rapaz na casa dos seus vinte e poucos ainda, que "emprenha" uma mulher na sua cidade interiorana mineira, chamada por Cataguazes, pertinho de Juiz de Fora. 

  A sua recente esposa pira de uma hora pra outra e seu filho é colocado sob a tutela do conselho tutelar do estado por este não achar que nosso protagonista não teria condições financeiras de cuidar do seu filho. 

   O que o cara faz então: pede grana emprestada a juros exorbitantes e vai a Lisboa em busca dos euros, e após um tempo voltaria para Cataguazes e tentaria refazer sua vida com a esposa doente mental e o seu filho que pouquíssimo tinha visto. 

   A cagada do Marcus, nosso protagonista, foi escolher um período pouco atrativo para ganhar dinheiro na Europa, por volta de 2005, onde a crise financeira estadunidense já dava suas caras e chega rapidamente em solo europeu; resultado: Em 2004 quando Portugal entra na zona do euro, a capacidade geradora de empregos se exponência de uma maneira que jamais o país lusitano viveu, porém o tal do bum financeiro fica por pouco tempo devido a crise norte-americana que respingava principalmente nos países mais novos e pobres do bloco europeu, entre os quais se encontrava Portugal, Espanha, Grécia,entre outros. 

    Mesmo lendo o livro do Luiz Ruffato achei satisfatório o resultado em formas de lentes do cinema ( existem várias lentes, vocês nem queiram imaginar quantas, e são caríssima também, quanto maior a lente, mais cara é). Se tivesse que dar um conselho em favor desse filme; daria alguns.

    Primeiro o diretor é assertivo em chamar atores que não eram atores de verdade, mas sim pessoas comuns que se pode ver passando pelas ruas. Acho que o filme ganha no tocante ao aspecto do inusitado, e também, sem dúvidas, soa mais natural as narrativas do filme. 

    Outra coisa inusitada que encaixou bem no filme, fora o próprio protagonista ser o narrador das coisas que estão por vir do filme, lógico que ele não conta o que acontece, mas dá tipo um extra-plus de desejo para ver a cena que ele descreve segundos antes de ocorre-la.

    E em terceiro lugar abordaria a forma e atuação sóbria e fria da performance do protagonista; um sujeito com uma cara bem típico de um brasileiro ( uma mistura de laços lusitanos, índios e negros, ou seja, mais brasileiro que esse é difícil ). 

   A ida ao cinema é valida por vermos ou percebermos o outro lado da moeda. Ou seja: de quem já foi colonizador agora está sendo colonizado por quem a colonizou, e disso eles não gostam nada. Fato é que o filme também é atualíssimo por mostrar a invasão que ocorre hoje no continente europeu por nações fugidas da morte, da fome ou das guerras. 

   A fotografia do filme é a cereja do bolo, palmas então ao seu diretor fotográfico que extraí as estupendas paisagens tanto de Cataguazes, nas Minhas Gerais, assim como em Lisboa, em Portugal na sua capital.

    Se o tema da emigração mexe com você ( apesar dos ataques terroristas) é um ótimo filme a ser visto, pois dá muitas dicas em se comportar lá na terra dos nossos colonizadores.