quinta-feira, 04 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

JULIETA, de Pedro Almodovar, uma aula de cinema

A obra almodovariana homenageia pessoas de quaisquer gêneros, isso sim.
10/07/2016 às 20:05
Julieta, dirigido e roteirizado por Pedro Almodóvar, com Inma Cuesta, Adriana Ugarte, Emma Suárez, Michelle Jenner, Rossy de Palma, Daniel Grao e Darío Grandinetti, Espanha, 2016. Até que fim um filme bom esse ano.

Para início de conversa quero desmistificar essa estória que dentre dez críticos de cinema, nove acham a obra uma homenagem a maternidade. A obra almodovariana homenageia pessoas de quaisquer gêneros, isso sim. 

Mas vamos as coisas espetaculares do filme: primeiramente destacaria as baitas cenografias e figurinos do filme. São cores e mais cores que “saltam os olhos”.

 Cores estas marcas registradas nos filmes do diretor espanhol; sempre claras e chamativas; todavia não por esse motivo as roupas ou cenografias seriam bregas, pois a conjuntura total da obra dá sustância para que Almodóvar “pinte” sua obra vivamente e dê  sua peculiaridade e latência a obra “latina”.

 Mas porque insistem em taxar a obra como feminina? Porque o diretor é homossexual assumido e suas personagens principais são sempre femininas, mas a meu ver, isso não implica que sua obra seja feminista ou destinada somente ao gênero citado. Entretanto vamos aos fatos ou a uma sinopse da obra. 

Temos de início a negação de um convite do namorado da protagonista ( Julieta ) para sair de Madrid, capital da Espanha, e ir morar em Portugal ( não se diz qual cidade portuguesa eles iriam morar ). A negação ao convite é percebível quando é sabido que a personagem principal, esta que inclusive dá nome ao título da obra adaptada de três contos da obra literária " A Fugitiva" da escritora canadense Alice Munro, teria tido uma filha e que não a via há doze longos anos.

 O filme vai-se nessa toada e narra estes densos doze anos passados, juntamente com o início de carreira da personagem: uma professora de filologia grega que conhece um pescador , chamado por Xoan, em um viagem de trem, e lá mesmo fazem sexo e a gravidez acontece da sua única e complexa filha, assim como ela. 

A moça vem a casar-se com tal pescador, mas uma suposta governanta do lar ( com cara de membro da família Adams) coloca empecilhos no casal e vive como uma sombra na sua casa. Após sabe-se que a tal senhora estranha seria a primeira mulher que o pescador tinha ido pra cama e os dois as vezes pulavam a cerca ainda quando a casal não estava junto por motivos de família ou trabalho. 

Fato é que ações e desgraças sucediam-se bem ao estilo almodovariano, ou seja, como cascata, mas com um baita roteiro bem construído que dá conta dos mínimos detalhes e sustentação a estupenda trama. Almodóvar mostra que fatos simples podem ser complexos também; uma verdadeira aula de cinema, salve o espanhol que fez, em minha opinião, até agora o melhor filme do ano, parada obrigatória no final de semana.