Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Juventude, de Paolo Sorrentino, apenas regular

Um filme apenas regular e outro excelente
30/04/2016 às 11:00
  Juventude, de Paolo Sorrentino, Itália, 2106. Meu pai já me  dizia: “ Italiano não entende nada de tevê, nisso eles são fracos”. Ele esqueceu de adicionar o atual cinema italiano. Não me refiro a Pasolini ou tampouco a Fellini, mas aos atuais. Aliás Fellini é uma tara desse diretores que iremos comentar agora. Sabe quando você dá aquele pulo maior  que sua perna? Ele faz isso, e se estrepa não chão e leva consigo todos  que embarcam consigo. 

       O que quero dizer é que o diretor fica na ânsia de querer ser um Fellini, e não o consegue porque a cópia só é aproveitada até certo ponto, após azeda. Sorrentino quer configurar em sua obra uma ode à velhice; como o corpo físico se “entripufêca” diante do tempo. Mas fica somente nisto. 

    Ou seja: Suas obras não conseguem transcender aquilo que está exposto em tela; coisa que Fellini fazia, pois após assistir suas obras, é possível imaginá-las em sua forma original e em suas diversas facetas as quais somente sua imaginação teria o poder de controlá-las. 

   Diante disto exposto e transposto que a cópia é uma vera formalidade da sua original, eis aqui que tenhamos “Youth”; uma tentativa de “tocarização”, ou infligiçao de comunicar-se com o outro, nobre do diretor em “avisar” ao público de que forma o tempo é inimigo da perfeição. 

    O filme abre com um ator, fingindo-se ser Diego Armando Maradona, passando mal após um mergulho na piscina por falta de fôlego. A ode à velhice de Paolo Sorrentino tenta mostrar a ambiguidade de ter idade e não ter saúde, ou não ter mais idade ( já na faixa dos oitenta ) e ainda saúde ( mas saúde pra que, já que morremos antes do cem anos mesmo...). Fato é que continuo com a opinião do meu pai: Os
 italianos podem ser bons de cozinha e de outras coisas, mas se tratando  de tevê e cinema atuais são um verdadeiro fracasso. 
                                                                                             *****
    Truman, dirigido e co-roteirizado por Cesc Gay, Argentina, Espanha, 2016. O ótimo filme fala bem mais com quem ficaria um cachorro que dá nome ao filme, após a ida para o além do seu dono com câncer terminal, interpretado pelo Ricardo Darín. 

    A obra fílmica mergulha em um  universo de uma pessoa com câncer, e mostra, embora de maneira  caricata, como o doente resolve peitar à risca a doença, já que iria morrer mesmo sem ou com o tratamento, então resolve abandoná-lo e deixar  que seus últimos suspiros sejam orquestrados por ele mesmo, e não por médicos e enfermeiras. 

    O filme ganhou o festival de Tribeca com o prêmio  Goya: O mais importante troféu do cinema espanhol, e não à toa. 

    Trata-se de um filmaço. Ele consegue abordar a morte sem que percebamos;  a certa hora do filme esquecemos que o protagonista tinha câncer por ele fazer exatamente as mesmas coisas que uma pessoa sã faz. Ou seja: Trabalhar, ter amigos, sair para um restaurante, ter namorada, etc. A 
atuação de Darín é estupenda, mas pra mim quem arrebenta é o ator coadjuvante da trama, interpretado por Javier Cámara ; um amigo que saí do Canadá até Madri, na Espanha, para tentar fazer a cabeça do cara em retomar com a quimioterapia. 

    A entrega e a generosidade deste amigo é de se admirar, e o faz isto pela admiração a coragem de seu amigo que resolve encarar a morte como ninguém aguentaria: Literalmente de peito a
 aberto com um câncer que iniciou no pulmão e logo foi fazer turnê pelo resto do corpo; enfim um verdadeiro amigo do peito, irmão camarada.

    Taí um filme que todos irão curtir, podem irem sem medo, pois é classe A, e sairá da sessão bem melhor que entrou.