Colunistas / Cinema
Diogo Berni

DRUGSTORE COWBOY, um filmaço de Gus Van Sant

Meu Amigo Nietzsche, de Fáuston da Silva, Brasil ( Brasília ),
2012.
27/03/2016 às 10:16
Drugstore Cowboy, de Gus Van Sant , EUA, 1989; na melhor atuação da carreira do ator hollywoodiano Matt Dillon. Adentraremos hoje em um mundo especificamente fantástico; tanto para o ruim como para o mal. É unanimidade que esta obra fílmica resenhada a seguir trata-se da melhor do polêmico diretor norte-americano; e isto quem crava não é o povo , mas sim especialistas da área: Os chamados críticos da sétima arte. O ano é o 1971, e a cidade é uma Oregon, no estado de Portland, bem diferente ao qual conhecemos atualmente. 

O corpo de atuação do filme é composto por quatro viciados em drogas de farmácias e hospitais: Sim estas mesmo que são febres hoje e estão mais fáceis do que comprar pão na padaria. Refiro-me as substancias que contem as substancias com a droga Diazepam. Caso ainda não estejam ligando a substancia ao remédio que certamente já tomou algumas vezes em sua vida, serei o mais claro possível: O Diazepam é encontrado nos ansiolíticos que vendem mais que aspirinas hoje nas drogarias mundo afora. 

É a principal substancia para inibir a ansiedade das pessoas no ritmo frenético do século XXI onde os resultados, e principalmente a grana são bem mais importantes que a saúde das pessoas. Em 1971 estas e outras drogas eram dificílimas de serem conquistadas, a não ser em casos extremíssimos de saúde, e olhe lá, já que além da produção destas drogas sintéticas serem reduzidas, ainda existia a ignorância por parte da classe médica em receitá-las, pensando tais profissionais que estas drogas fariam muito mais mal a pessoa do que de fato aliviasse alguma enfermidade. Sem mencionar que em 1971 estas drogas eram os Ecstasy da época. Fato ou informação esta que somente agora nos permite entrar de fato na estória da obra fílmica a ser resenhada. 

Pois bem, como mencionávamos, tínhamos uma gangue composta por quatro viciados destas drogas farmacêuticas que faziam de tudo para obtê-las, assaltando farmácias ou hospitais. A quadrilha tinha um líder, que por sua vez tinha uma namorada desde há época de infância e completamente loucos um pelo outro. Outro casal completava o grupo, porém podemos afirmar também que o casal coadjuvante era um tipo de capanga do casal principal. 

A mensagem sublimar do filme é linda e forte ao mesmo tempo, que é a seguinte: Não existe ser ou religião na face da terra que faça a cabeça de um viciado a desistir do mundo das drogas. A única pessoa que tem este poder é a pessoa drogada e nada mais. Tudo que ouvirem ao contrário disto é papo furado. Se o sujeito para de usar é porque ele se tocou que deve parar e ponto final. Não existe mensagem celeste que faça isso. se por acaso o sujeito cansa e quer mudar de vida para não morrer ou passar o resto da vida numa prisão a decisão veio dele, do próprio amadurecimento em perceber os prós e os contras em usar drogas e ter sua vida como este principal, e por vezes único, objetivo de existir. O filme é belo porque não entra nessas baboseiras de que a pessoa para de usar drogas por um motivo mentiroso ou porquausa da família ou da pessoa amada: Mentira esse papo. 

Quem para é porque está pensando em si primeiro, e quem continua é porque pensa em si primeiro também. A obra fílmica é honesta porque não insiste em enganar ninguém, e consegue uma coisa dificílima : Adentrar na mente de um viciado e mostrar quais são suas motivações para continuar usando. Oras, paremos de ser ingênuos; se drogas não dessem prazer, e muito prazer mesmo, não teríamos tantos consumidores. O filme ganhou meu respeito e admiração por ser honesto com os próprios usuários que podem assistir ao filme e dizerem: Taí uma coisa que fizeram e não julgarem-me, somente mostraram como as pessoas são, umas com algumas necessidades não aceitas socialmente e ponto final. Indicadíssimo para quem quer mudar seus juízos de valores acerca deste tema tabu ainda em pleno século XXI. Simplesmente um filmaço.

OUTROS FILMES

Trumbo: Lista Negra, de Jay Roach com Bryan Cranston, EUA,
 2016. Pode até parecer ridículo, mas antes do período da guerra fria 
entre EUA e a extinta URSS, já em solo americano existia o cuidado em 
tentar frear certos "admiradores" de regimes socialistas. Mas porque 
pode parecer enfadonho este fato? Pelo sentido eme não existir elementos
 prováveis que tais cidadãos estivessem fazendo mal aos EUA naquela 
época; alguns intelectuais apenas gostavam de algumas ideias socialistas
 e só, ficavam no gostar: Não existia nenhum plano para que o "gostar" 
fosse colocado em prática tais ideias ou ideais. Entretanto ainda assim 
estes mesmos intelectuais foram encabeçados para uma lista negra do FBI 
no estado da Califórnia, e por este motivo, proibidos a trabalharem. A 
lista negra era formada por nove diretores e roteiristas, e um outro do 
chamado primeiro time, seja isso o que possa imaginar: Ser do primeiro 
time dos inimigos do FBI. Todavia o êxito do filme está em exatamente 
não mostrar esta proibição de "lavoro" desses intelectuais, mas na forma
 que um em especial faz para driblar a tal censura e para continuar na 
ativa. O nosso Trumbo coloca todo mundo na família para trabalhar. Cada 
parente tinha uma função: A filha mais velha era responsável pela 
entrega dos roteiros aos diretores, a esposa era quem fazia o meio-campo
 entre os produtores e o seu marido roteirista, e a caçula cuidava do 
restante. Ou seja: Apesar da lista negra não existia moleza e o trabalho
 só aumentara após a restrição oficial e ainda por cima uniu a família 
do Trumbo que estava em frangalhos. Como não poderia ser diferente a 
entrega dos roteiros agora era feita através de pseudônimos.O seu 
escritório de trabalho era sua banheira cheia de água extremamente fria,
 e para completar tomava comprimidos de anfetamina para conseguir seus 
roteiros, ocorrência esta que mexera na relação com sua filha mais velha
 de uma maneira visceral. Fato é que com esse esquema de pseudônimo o 
Trumbo consegue ganhar dois Oscars de melhores roteiros com ditos 
roteiristas desconhecidos, já que seus nomes eram inventados por ele. Um
 filme que é meio uma aula de história internacional mostrando que a 
guerra fria começara bem antes que imaginávamos. 

Meu Amigo Nietzsche, de Fáuston da Silva, Brasil ( Brasília ), 
2012. Quando um garoto anda em dificuldades na escola é sinal que as 
coisas vão bem pra ele, ou ao menos este está no caminho ou rumo certo. É
 com este argumento de roteiro. Ou seja, com este viés de problema que 
ficamos de frente com o nosso protagonista: Um garoto de nove anos, que 
com a bronca da professora resolve seguir a risca seu conselho: "Leia 
mais rapaz, assim você não vai pra lugar nenhum". Voltando da aula com 
aquela frase da professora na cabeça o garoto passa por um lixão e acha o
 livro Assim Falava Zarastustra de Nietzsche. De início não consegue nem
 entender o título, mas perguntando aos próximos consegue ler e entender
 o meticuloso livro até o seu final. Relê o livro três vezes, e então o 
garoto de um potencial aluno burro a repetir de ano, torna-se o líder da
 turma, inclusive os influenciando a serem super-homens, assim como 
Nietzsche o tinha influenciado. De surpresa com seu novo linguajar o 
garoto torna-se um problema a todos, incluindo  a sua mãe rabugenta e a 
 professora; mas aí já era tarde demais para parar o garoto, pois a 
magia pelo  estranhamento já estava feita, e no mesmo lixão quando sua 
mãe resolve dar cabo a sua leitura diária de Nietzsche, ele acha outra 
obra prima que permite que fiquemos curiosos para  ver de que como seria
 aquele garoto após ler o Capital, de Karl Marx. Um baita curta-metragem
 que vale degustado sem moderação.