sexta-feira, 05 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

A Garota Dinamarquesa, um filme excepcional

Pela primeira vez consegui sentir como é ser uma mulher sendo olhada. Elas tiram isso de letra, e o protagonista nos mostra como existe um certo desconforto em sermos olhados a todo momento e sem pudor.
18/03/2016 às 19:41
A Garota Dinamarquesa, dirigido por Tom Hooper, EUA, Reino Unido e Alemanha, 2016;com Ediie Redmayne e elenco, inclusive com a atriz vencedora de melhor coadjuvante no Oscar, e com merecimento, escreva-se de passagem. Gostaria de ter êxito ao tentar transportar em letras o que o protagonista me ofereceu; tentemos. 

É o seguinte: Sabe aquelas frases que você já disse ou ao menos já viu de vários cidadãos gotejarem quando uma mulher com dotes físicos avantajados passam pela sua frente? Óbvio que sim: É o tal " Oba gostosona, ôh lá em casa hein ! ", e coisas do gênero. 

Como homem em pleno rigor a gozar das minhas formas físicas e mentais faço também tais gracejos porcos quando uma silhueta em maior sentido de qualidade aparece passando em minhas íris.

 Isto de fato é inevitável; não se deve, e nem se pode, permitir que enganemos os nossos instintos mais primitivos. Pois bem, escrito isto fiz meio que um clima de sinopse filosofal para apresentar-nos o filme da semana. 

Não é que este estreou esta semana, muito pelo contrário, o filme é da época do Oscar, mas ainda está em cartaz nas melhores salas da sua cidade. Trata-se de um garoto que se transforma em uma garota, alias, o pioneiro a fazer isto. Quando refiro-me ao filme como excepcional, isto se deve a atuação do protagonista. 

Ele consegue nos teletransportar para o universo feminino. Pela primeira vez consegui sentir como é ser uma mulher sendo olhada. Elas tiram isso de letra, e o protagonista nos mostra como existe um certo desconforto em sermos olhados a todo momento e sem pudor. 

O bacana da sua atuação é essa: Deixar entrarmos no universo feminino; saber como funciona a mente de um ser fêmea para que então, talvez tentemos a entende-las, mas como diz o ditado: "Mulher não foi feita para compreender, mas sim para amar", ou algo desse tipo. O que  de fato interessa é este tele-transportamento para o outro gênero. O filme não valia para ganhar em quase nada, e de fato não ganhou nada no Oscar. 

Mas o "quase nada" deve-se a atuação do protagonista, que inclusive valia bem mais que o premio que o Leonardo Di1'Caprio recebeu como melhor ator no filme O Regresso. 

Indagações e consternações a parte vamos ao filme; trata-se da história de um casal de pintores da Dinamarca, como inclusive o nome do filme sugere. Eis que de uma maneira quase que repentina o homem do casal se vê a cada dia mais um pouco mulher. 

Óbvio que isso não aparece de uma hora para a outra, pois ao longo do filme sabemos que tal pintor tinha tido lá suas experiências quando criança com rapazes do seu mesmo gênero. Então podemos dedilhar ou intuir que tal homem já tinha tendência a ser de uma maneira, e não de outra: A convencional; o homem gostar da mulher e vice-versa.

 E não acontece diferente: Em certo momento do filme acontece esta virada de rumo ou sexo do protagonista. Ou seja: Ele quer ser mais mulher que ser homem durante as vinte quatro horas do dia, ou para ser mais especifico ainda: Ele prefere ser mais do gênero feminino do que ao do masculino; tema bastante em voga atualmente e que tem como embaixador o ilustrador Laerte. 

Mas voltemos a história do filme e encontremos um "ser" que já não suportava mais ser do gênero masculino, e por isso dar-se a ser o primeiro paciente ou cobaia para uma cirurgia de troca de sexo. Por seu uma estória de roteiro adaptado. Ou seja, por um acontecimento real é que o filme fica mais interessante. Acompanhamos todas as fases desse ser masculino que nasceu em um corpo errado, ou ao que não o pertencia, inclusive ou principalmente acompanhando a estória de vida deste percursor desta cirurgia.

 Vemos o preconceito que ele passou em não aceitar-se no corpo que " Deus lhe deu" em plena Europa carrancuda dos tempos passados longínquos; Enfim vale a ida ao cinema principalmente para sentir este tele-transbordamento que o ator permite que tenhamos através dos gêneros por sua atuação. Sabe aqueles filme que vale ir mais pelo ator, do que o diretor? É exatamente este que você achou, então corre para o cinema antes que saia de cartaz.