Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Força Maior mostra reação humana em avalanche

É um questionamento...um debate interessante
14/03/2016 às 11:32
Força Maior, dirigido  Ruben Östlund, Suécia , Dinamarca , França  e Noruega, 2015. Em algumas circunstâncias da vida somos colocados em cheque mate por conta de situações em que não esperávamos que se sucedessem. Pois bem, a obra fílmica cosmopolita ( Ou seja: de diversos países )conta uma dessas situações. 

        O enredo é o seguinte: Uma família composta de marido,mulher e dois filhos pequenos vai passar férias em uma estação de luxo nos Alpes Suíços. Tudo vai harmoniosamente bem até quando acontece o evento que vira a obra fílmica. 

        Ou seja, tal evento é o clímax de tensão máxima do filme para que este pegue outro caminho daquela família supostamente feliz. O que acontece é um inicio de avalanche em pleno almoço da família no topo dos Alpes em um restaurante repleto de turistas. Todos na sacada do local acham que trata-se de uma avalanche controlada, como ouvem dos funcionários do local, e então assistem aquele espetáculo com seus celulares-câmeras cada vez se aproximando mais da onde estavam. 

    Quando caem na real de que a avalanche não estaria tão controlada quanto imaginavam as pessoas começam a entrar em pânico, porém meio tarde ocasionando um tumulto generalizado, visto que a avalanche chegara onde todos almoçavam. 

    No ato da vinda da suposta tragédia mortífera, o marido pega suas luvas, celular, e se manda deixando sua esposa e filhos se "arrebentarem" na avalanche. Pois bem: Este é o argumento do roteiro do filme, e este só começa de fato quando este incidente sucede-se. Após isso a relação do casal é colocada em cheque mate, como mencionamos, com a esposa entrando meio em uma paranóia da reação que teve seu marido. 

   Reação esta completamente com sentido , e o filme literalmente vai até o final com este ponto de interrogação: Será que o marido foi sacana em só pensar nele querendo salvar a própria pele, ou foi apenas uma ação instintiva pelo fato de ser homem, ao contrário da sua mulher que morreria por suas crias e ele logicamente não.

    Óbvio que existe nesta estória o instinto da fêmea e do macho para com suas crias e sobrevivência e consequentemente passando pelo simples fato de que cada um pensasse e agisse em uma situação inusitada dessas. Fato é que a obra fílmica torna-se interessante, pois os atores vão a fundo em prol de diagnosticar ou saber o porquê eram tão diferentes. 

   Incidente este que causa uma baita crise no casal ao ponto que quererem se separar, logicamente. Como mencionado o bacana do filme, além da sua estupenda fotografia, é o seu conflito existencial humano que a partir do incidente os personagens centrais carregam consigo até o final do filme, sendo que o diretor foi inteligente suficiente em não cravar nenhuma verdade incontestável e absoluta diante do incidente central do filme partindo do pressuposto de que as pessoas são diferentes e complexas desde que nascem até a sua partida final. Um filme instigante por não cravar julgamentos nem no sentido de gêneros, ou tampouco no sentido da função de esposa e marido em um casal do século XXI. 

   Ou seja, percebe-se que a cada dia as supostas obrigações de "macho" e "fêmea" vem mudando, ora por vezes que o homem faça um serviço dito de mulher ( como levar os filhos pra escola ou cuidar da casa, por exemplo) , e a mulher ser uma executiva de negócios não tendo tempo para fazer os afazeres domésticos que o marido ou outra pessoa faria.O que fica nítido é que em determinadas situações somos totalmente impotentes quando a natureza, ou uma força maior, nos confronta, e isto sendo de qual gênero for.

    Apesar da obra ser classificada como comédia, existe drama , e o existencial acima do que qualquer outro gênero fílmico.