quinta-feira, 14 de novembro de 2019
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

O Clube Chile aborda o tema atual da pedofilia

Filme chileno ganho o Urso de Prata no Festival de Berlim
20/02/2016 às 19:39
  O Clube, Chile, 2015. Resenharemos a seguir mais um corajoso filme dirigido pelo chileno Pablo Larraín. Após da obra No, que aborda os descasos e injustiças da ditadura militar no Chile, o cineasta  agora vêm com mais um calcanhar de Aquiles da humanidade: A pedofilia na igreja, e em todas as igrejas, não só a católica.

  Como enredo temos uma estranha casa de campo localizada na costa chilena onde abrigam-se alguns senhores com gostos atípicos, tais como gostar de corridas de cães e criar alguns para tal finalidade. No grupo da casa tínhamos ainda  senhores mais insanos e perguntávamos porque estavam naquela situação longe de tudo e praticamente de todos.

   Para completar tinha-se na casa uma mulher misteriosa que era tipo a administradora do abrigo ou seja lá  que nome possa dar aquele local. A tensão ou o tiro máximo do arco narrativo sucede-se quando um outro homem, supostamente outro padre, chega para morar no local. A cidade era pequena e quase vazia, porém quase, mas nem tanto. 

   O clímax da obra fílmica surge quando em alto e bom castelhano surge um homem que bate a porta do “clube” oferecendo algumas panelas para vender. Logo adiante vemos que não se trata de vendedor algum, mas de um adulto abusado por um dos padres. O indivíduo grita em alto e bom tom todas as atrocidades que algum daqueles fizeram com ele, e nos mais esdrúxulos detalhes. 

  Ação esta que desencadeia outra  ainda mais catastrófica; o padre recém-chegado aparece na porta, olha para seu “abate” e em seguida dá um tiro na própria cabeça. Com o suicídio é enviado a casa uma espécie de guru espiritual aos padres e sacerdotes pedófilos. 

   Inicialmente todos inventam uma estória para camuflar o assassinato, porém um sacerdote menos lúcido acaba contando a verdade. O homem que quando criança fora desvirginado volta a trama agora como tipo um assistente do guru espiritual. As verdades do passado  de todos vêm à tona, inclusive da suposta administradora e única mulher  da casa, que tinha um histórico também surreal, igual aos demais que lá  estavam, ou seja, tratava-se de um grupo de delinquentes que com o poder que lhe eram conferidos deixaram que suas naturezas físicas falassem mais alto que o celibato.

   O filme aborda questões no mínimo interessantes, tais como: É possível mesmo alguém não gostar de sexo ou até que ponto a homossexualidade é um crime? A obra mostra que sendo humano existe desejo sexual, e isto, não tem rezas ou promessas que dê jeito; trata-se de uma necessidade da natureza humana o sexo. O tema mexe de fato com todas as certezas que lemos na bíblia, como que Maria, a  mãe de Jesus, teve Jesus Cristo virgem, entre outras.  

  O filme ganhou o  Urso de prata no festival de Berlim no ano da sua produção; premiação esta que não se sucede à toa. Uma obra a ser pensada e vista por sua exímia e real força dos acontecimentos de pessoas humanas com poderes ou  tarefas sub-humanas.