sexta-feira, 05 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

AS SUFRAGISTAS aborda o direito do voto

Um bom filme com tema bastante atual
14/02/2016 às 11:58
  As Sufragistas, dirigido pela  Jovem britânica de 45 anos Sarah Gavron , Reino Unido, 2015; com Meryl Streep e Carey Mulligan como protagonista.  O segundo filme da cineasta , sendo que o primeiro foi Um
Lugar Chamado Brick Lane, de 2007, mas este seu último e até agora segundo filme é um chamariz de 
público pelo tema que aborda. 

   Confesso que criei uma certa expectativa para conferi-lo, entretanto ter um bom tema para uma obra fílmica é uma coisa e o filme ser de fato bom já são outros “quinhentos”. Deixando de enrolação o tema do filme é o direito do voto para as mulheres em uma Inglaterra no início do século XX.

  A conquista desse direito aconteceu em solo inglês em 1925, entretanto para chegar-se a esta vitória 
feminina ao simples direito de votar em seus governantes muitas águas e 
problemas sucederam-se. 

   As sufragistas, nome que inclusive é o título do  filme , era um grupo de mulheres que lutavam por este direito em um Reino Unido bem machista e preconceituoso onde mulher tinha que cuidar dos filhos e maridos, e por vezes se necessário trabalhar como operárias  ou quase escravas pelo pífio salário que recebiam ao fim de cada vez, e  isso quando recebiam, era a metade dos salários dos homens que faziam o  mesmo lavoro nas fábricas em pleno fervor da revolução industrial que começou naquele país. 

   Como protagonista temos uma típica e simples funcionária de uma lavanderia de grande porte para época. A moça, quando  vai entregar alguns papéis que seu chefe a ordena em um outro local, no
 meio do caminho ela se depara com um protesto das tais Sufragistas. 

   Ação essa por pedras sendo arremessadas em vitrines de roupas de alto luxo, que jamais aquelas mulheres poderiam comprar. Nossa protagonista se vê estupefata diante aquela situação; como poderiam ser tão corajosas  aquelas mulheres que além de jogar as pedras e quebras as vitrines das 
lojas, faziam isso sorrindo ainda por cima. 

  Fora uma imagem totalmente nova para a nossa acanhada protagonista, já que esta obedecia seu marido  e seu patrão em todas as suas ordens, e vê aquela fúria toda daquelas loucas mulheres arremessando e gritando por direitos iguais fez com que ela repensasse seus valores e a forma como se comportava diante dos homens. 

  A partir do evento do protesto visto por ela, a própria muda radicalmente e se transforma em uma Sufragista combatente, assim como da  agua para o vinho de uma hora para outra. Por este motivo é que achei que o filme teve um tema bacana, porém não soube abordar como deveria. 

   Todavia ainda assim trata-se de um filme recomendável pela importância em abordar o tema dos direitos iguais para ambos os sexos, pois se olharmos hoje podemos achar que esse direito foi fácil e coisa e tal, mas o filme mostra o contrário disso. 

   Se a obra não vale pelo seu roteiro e direção em contrapartida temos os atores que estão ótimos e 
claro pelo tema dos votos igualitários. Muitas mulheres foram mortas, torturadas e presas por esta causa.

    A estória é baseada em fatos reais, ou seja, tudo começou nos anos 1920 no Reino Unido, e se não fosse a resistência pela causa das vulgas Sufragistas, mulheres de outros países  não votariam tão cedo para aquela época em que se via o sexo feminino até com menos neurônios e por consequência inteligência do que o sexo masculino, então como deixa-las votarem já que nem raciocinar sabiam 
direito?

   Somente por medida de informação ainda hoje a Arábia Saudita não permite que mulheres votem, ou seja, o filme é super atual nesse sentido, e esses fatos ( não somente pelo direito ao voto, mas também 
salários iguais nas empresas para homens e mulheres ainda é uma realidade a se conquistar ) faz com que essa bandeira da igualdade tenha  que ainda ser estendida em pleno início de século XXI. 

  Por incrível que pareça ao menos nesse quesito o Brasil não aparece nas últimas colocações; as mulheres tiveram direito ao voto por aqui por volta de 1937, bem à frente de muitos países ditos e nomeados como desenvolvidos,  como a Itália entre outros. Volto a insistir: O filme vale ser visto 
pelo tema e não necessariamente por sua obra como um todo. Nota: 7,0.