segunda-feira, 23 de setembro de 2019
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

O QUARTO DE JACK, um filme com fortes emoções

Um filme que consegue mostrar o pior da raça humana, e nos deixar com raiva até, entretanto trata-se de uma estupenda obra
06/02/2016 às 20:45
 O Quarto de Jack, de Lenny Abrahamson, EUA, 2015. Por vezes é necessário ver alguma coisa realmente forte para enxergarmos que nossos problemas são pequeníssimos em relação a outros, de outras pessoas. 

   O tema do filme é até comum nos EUA: O rapto de adolescentes , sendo essas criadas por doentes e isoladas do mundo exterior. Ainda bem que a moda ainda não apareceu no Brasil, e espero que fique por lá. Mas o filme aborda um pouco mais que tal cárcere privado estuprativo. 

   A narrativa tenta, e de fato consegue, nos colocar na posição da vítima e da sua cria de cinco anos. Criança esta que dá nome ao filme e principalmente ritmo. A atriz que protagoniza a trama é indicada a estatueta de melhor atriz e não seria nenhuma surpresa se ela ganhar, todavia quem de fato dá um show é o garotinho,que no seu mundo de um trailer consegue nos hipnotizar com o jogo que faz para
se manter lúcido com sua mãe no cárcere de sete anos.

   A estória é contada em dois atos: Os dias do cárcere e os outros após o cárcere e suas consequências, tais como: A família aceitar, ou não, um novo membro, filho do estuprador com sua princesinha que sumiu somente com dezessete anos em plena saída da escola, e agora volta cheia de problemas e ainda com um guri esperto no colo.

  Será uma baita injustiça se a obra não ganhar como roteiro adaptado. Por ser tão real esta surreal estória, o filme torna-se, em certas cenas, no mínimo constrangedor a fim de nos intimidar e mostrar o quanto estamos à mercê de loucos e porcos.

    A obra fílmica é boa e forte, ao mesmo tempo, por deixar que o espectador possa adentrar nas entranhas do mundo de uma pessoa aprisionada, aliás uma só não, mas duas pessoas, o roteiro capta “a mente dos prisioneiros”, e o que essas tais mentes fazem para sobreviver diante da situação inusitada, porém demorada. Como mencionei foram sete longos anos vivendo num barraco a metros da casa do doente, e cinco ao lado da sua criança.

  Um filme que consegue mostrar o pior da raça humana, e nos deixar com raiva até, entretanto trata-se de uma estupenda obra fílmica com um roteiro encaixado e excepcional pelo fato de ter sido real. As personagens ajudam com a direção fazendo do filme um dos favoritos ao Oscar 2016 que acontece
logo após ao carnaval.