Colunistas / Cinema
Diogo Berni

A Real Beleza, sem rodeios, como é a beleza

O filme acaba sendo interessante porque o seu principal mérito, e aí vão os créditos ao seu diretor e roteirista, que é tentar seguir a essência da beleza
05/12/2015 às 16:02
  A Real Beleza, com roteiro e direção assinados pelo gaúcho inverosímel Jorge Furtado, Brasil, 2015. O título do filme “A Real Beleza” já é em si um título nu, cru, e o filme como um todo é também assim: Nu e cru; sem rodeios como é a beleza, ou seja, o se tem ou não se tem “beleza” ou se é belo ou não é, mas ambos ( o filme e a ideia que temos de beleza) são amplamente simples, embora às vezes a “beleza” não pareça tão simples assim, mas o filme é; simples e caceteiro.

   Mas vamos por partes, ou melhor, por cenas. Temos como protagonista um fotógrafo, interpretado pelo baiano Vladimir Brichta, frustrado que enxerga e apostas todas suas chances e fichas profissionais em encontrar uma nova Gisele Bundchen,inclusive na mesma região de serra da modelo no interior do Rio Grande do Sul, bem próximo à Argentina. 

   Por sorte o fotógrafo acha uma menina de dezesseis anos com uma beleza única e tem certeza que ela é à modelo certa para ajudá-lo a sair daquela sua “pindaíba financeira” e dar uma chance para a menina também, ora, pois. 

   Quando mencionei que a estória do filme era igual à beleza: nua, crua e transparente, é porque o roteiro da produção gaúcha é super seco em abordar esta questão de oportunidades para os dois lados, sem firulas, papo reto. 

   O fotógrafo acha sua potencial top model internacional e agora tem que mudar a cabecinha da moça e ainda por cima convencer o pai que seria bom para a moça aceitar seu convite e se mandar para bem longe do Rio Grande. 

   Podemos dizer também que a beleza é relativa. Por vezes uma pessoa fisicamente bela, com traços de rostos perfeitos, não tenha aquela beleza que chamaria atenção ao mundo da moda, por exemplo. A menina escolhida no filme em questão não era nenhum mulherão e tampouco estupenda de linda, mas tinha o que o fotógrafo procurava: Além de um rosto bonito, mas principalmente uma alma bonita.

  No meio da estória temos um romance do fotógrafo com a mãe da futura modelo. Casal este formado por um casal real ( Wladimir Brichta e Adriana Esteves ). Óbvio que a química entre as cenas mais quentes, e com direito a um nu frontal da Adriana Esteves, foi excepcional entre os dois, bonito de se ver. 

   Enfim, como roteiro não teríamos muito o que escrever além do que já foi, pois trata-se mesmo de uma procura de um profissional em busca da modelo perfeita. Claro que no meio desta procura acontecem coisas como o romance citado, por exemplo. 

   O filme acaba sendo interessante porque o seu principal mérito, e aí vão os créditos ao seu diretor e roteirista, que é tentar seguir a essência da beleza, ou seja, ser simples, porém antes de tudo: digna. Não a toa dizem que a beleza mora na simplicidade do interior das pessoas e coisas; vai ver que é verdade mesmo.
                                                                                   ***
  Hipócrates, de Thomas Lilti, França, 2015. O título do longa é uma singela homenagem ao criador da medicina, todavia a produção de singeleza não tem nenhuma. O que acompanhamos é o dia-a-dia dessa profissão que segundo os próprios personagens médicos do filme, intitula-se como não uma profissão m as sim uma maldição. Trocando em miúdos, não é você que escolhe à medicina, mas ela que o escolhe. 

   Entretanto voltando ao filme temos como protagonista um médico recém-formado que trabalha, ou melhor, estagia no hospital do pai, que é médico também. Por ser jovem e só ter experiência teórica acaba sendo ajudado por um médico tunisiano, que por questões de preconceito de raça e religião, não consegue a licença para trabalhar na França, mesmo este sendo um bom médico e experiente. 

   O filme é todo rodado dentro do hospital praticamente, fato este que deve ter economizado bem a sua produção. Todavia o resultado que o diretor quis mostrar, que era exatamente escancarar a vida desses soldados da vida alheia, foi feito e com êxito até. 

   Vemos as pendengas de ego desses profissionais e a entrega deles no oficio. Conseguimos de uma vez por todas captar ou somente entender o ditado que “de médico e louco todo mundo tem um pouco”, pois de fato para encarar tal profissão a pessoa tem que ter um parafuso a menos ou talvez alguns a mais. No mais o filme em algumas cenas se torna monótono justamente por não sair do tema dos médicos; seria bem mais aprazível se o filme focasse a interação entre médicos e pacientes, por exemplo. Fato que no filme os pacientes eram tratados piores que lixo. 

   Não sei se o diretor quis colocar os “Jalecos Brancos” num pedestal de semideuses, mas que a relação de paciente-doutor no filme ficou estranha, isso não restou dúvidas. Todavia o filme vale ser conferido para termos um conhecimento maior desses profissionais que tanto são úteis para todos, querendo nós ou não.