Colunistas / Cinema
Diogo Berni

QUE HORAS ELA VOLTA? bem ao gosto do Minc

Um filme pernambucano representaria melhor o Brasil no Oscar
19/09/2015 às 11:13
Que horas ela volta? , de Anna Muylaerte, Brasil, 2015. Sinceramente  não gostaria de entrar no mérito da escolha do filme para nos representar no Oscar 2016. No cinema nacional tenho clareza de algumas coisas, e uma delas é achar que todos os anos deveriam indicar algum filme pernambucano para concorrer aos principais festivais de cinema, inclusive o Oscar. 

   Todavia este é um gosto particular deste crítico por achar interessante a proposta de cineastas como Lírio Ferreira, Marcelo Lordello, Cláudio Assis entre outros nomes em fazer um cinema apelidado por eles como “cinema de macho”, porém nunca de machistas. Por isso não entrarei no mérito da escolha do filme feita pelo ministério da cultura. 

   O que farei é avaliar filmicamente a obra da competente Ana; Mas competente por quê? Porque ela foi cirúrgica e objetiva em fazer o filme para primeiramente concorrer ao premio industrial estadunidense, e em segundo plano ficaria se el e agradaria a gregos e troianos. De fato não agradou, ou melhor, não agradou há alguns como o critico da folha Ignácio Araújo, com a pretenciosidade inédita da diretora fugindo do seu próprio estilo fílmico para fazer da sua obra algo mais industrial, coisa que a Anna nunca tinha tentado assim de forma tão explícita. Com pretenciosidade ou sem ela temos um filme super linkado com as situações atuais do Brasil. 

   Por exemplo, quando a estória nos dá uma situação de que a filha da empregada passa no vestibular de
arquitetura da USP, a FAU, e o filho da patroa perde no exame, temos a nítida noção das politicas públicas implementadas nos últimos anos. Tudo é tocado e talvez tocante no filme: Cotas para pobres, heranças de tempos coloniais arreigados no inconsciente coletivo, a problemática do pagamento desta “dívida”
são algumas perguntas que o filme tenta fazer, e com humor. 

   Neste aspecto a diretora fui perspicaz em colocar tantos temas em cima da sua protagonista e da
filha desta. Regina Cassé ganhou como melhor atriz pela atuação em Sundance, e com méritos. O filme ainda recebeu o premio do publico no festival de Berlim.

   Enfim não trata-se de nenhum filme ralé, tecnicamente ele é quase impecável, tem uma protagonista com um baita carisma, mas por abordar nossos problemas sociais de maneira que vemos serem descritas e contadas do mesmo jeito todas as noites em jornais televisivos, e é nesse sentido que a obra fílmica fica um tanto obvia demais, por exemplo: Já sabíamos como seria o final da estória da empregada com sua filha no meio da produção. Não restam dúvidas que o filme nos representará bem no Oscar 2016, mas que eu preferia um filme pernambucano no lugar dele, disso também não tenho dúvidas.

                                                                      *************

   A entrevista, dirigido duplamente por Seth Rogen e Evan Goldberg, EUA, 2014. Ridicularizar qualquer ditador não é uma tarefa muito difícil, basta o colocar no seu devido pedestal de mandatário-môr e pronto: A piada já está feita! Pois nos dias de hoje parece-me que já não exista espaço, ou talvez não devessem existir mais lugares para ditadores. Todavia como o mundo é cheio de pessoas diferentes e culturas, e por isso complexo, ainda temos muitos chefes de estado com tal petição mandatária, haja vista países como a China, que tem um regime comunista e um mercado misto e com um ditador, por sinal. Entretanto o país a ser focado hoje é a Correia do Norte ao lado do seu excêntrico ditador: Um
sujeito aficionado por basquete e cinema. 

   A comédia estadunidense teve, ao mínimo, três estreias adiadas por supostas ameaças de retaliações por parte do ditador norte-coreano. Mas vamos direto ao enredo do filme. Pois bem, trata-se
somente e apenas do fim do mundo; Calma, explico-lhes: Na comédia o ditador norte-coreano estaria produzindo bombas nucleares ( seria mentira mesmo? ) capazes de explodir o mundo, e ele estaria de fato afim de fazer tal coisa, ou seja, jogar uma bomba e transformar em pó cinzento tudo e todos do planeta.

   Para que isto não acontecesse um plano é feito pela agencia de inteligência norte-americana. Tal plano era direto e certeiro; Matar a principal ameaça do mundo: O ditador da Correia do norte. Mas como conseguir chegar a solo inimigo e ainda por cima assassinar a principal ameaça da humanidade? Simples como o plano da CIA: Enviar dois jornalistas sensacionalistas, aos quais o ditador supostamente já era fã e já os tinha convidado para ir ao seu país, assim como faz todo ano com astros do basquete norte-americano ( isto sim é real . 
Pois bem: aproveitando a ida dos jornalistas os EUA pega “a ponga” e treina os caras para assassinar o ditador. A fumaça do filme fez mais alarde do que o fogo, ou seja, o fato de quererem escrever uma comédia parodiando o mais fechado ditador do planeta, fez com que o mundo ficasse receoso na resposta do que realmente poderia dar a Correia do Norte em relação ao filme. 

   Aí vem aquela velha estória de que até que ponto a liberdade de expressão é valida ou ferre países,
religiões, etc. Sei que trata-se de um tema deveras complexo, mas já de antemão dou minha opinião: Acho que para liberdade de expressão não deveria ter limites. Se Alá não gostou de tal charge ou se fulano não gostou de tal filme e achou desrespeitoso, então que ganhe a batalha com argumentos, mas jamais com violência, pois se assim for corremos o risco a regredirmos ao estágio de Homo
Faber ao invés do Homo Sapiens.