Colunistas / Cinema
Diogo Berni

A dama dourada e uma história do nazismo

Dois filmes para v curtir no final de semana
30/08/2015 às 14:08
 A dama dourada, dirigido por Simon Curtis, EUA, UK, 2015. O filme narra trajetória real na década de 1980 da judia austríaca Maria Altmann, única sobrevivente da sua família, vitimada pela nazista Gestapo. Após mais de trinta anos esta mesma senhora, agora uma cidadã estadunidense fugida de sua terra natal, percebe que em plena capital austríaca
ainda existe um bem da sua família. 

   E não trata-se de uma coisinha qualquer, o que estava em questão ou nas mãos do governo austríaco era nada menos que considerado o quadro nacional daquele país, apelidado somente como : “A Monalisa austríaca” e feito pelo famoso pintor Gustav Klimt, trocando em miúdos a senhora judia sabia que podia conseguir alguns milhões de dólares se aquele quadro fosse parar em suas mãos, entretanto, ela sabia que tal circunstância seria quase impossível de acontecer,
pois como mencionamos , tratava-se de um bem nacional e a Áustria faria de tudo para que a sua “Monalisa” não saísse de lá. 

   Pois bem, sem muita expectativa a nossa senhora resolve pedir auxílios a um jovem advogado, este que por sua vez não fica muito entusiasmado com a proposta da sua cliente em tentar tirar um quadro de Klimt da Áustria, mandando à senhora “pastar”. Todavia esta mesma senhora é bem humorada com a vida e persistente com o rabugento advogado, e com algumas investidas consegue levar o profissional até Viena com a própria. 

   Fato este bastante delicado mais pra ela, pois começa e rememorar insights de quando menina e de sua família exterminada pelo terceiro Reicher. O quadro em questão era a pintura de uma tia dessa jovem senhora simpática, mas que treme com suas lembranças de guerra quando volta a seu passado na Europa. Neste momento quem começa a segurar a onda do processo é o jovem advogado, que também por ambição consegue colocar uma “pilha” na senhora que já estava desistindo em travar uma guerra com seu país de origem pelo quadro da sua bela tia. 

  O filme é tocante por se tratar de história verídica e pela bela atuação da sua protagonista, além de ser uma aula de história mexendo nas feridas ainda pouco contadas pelo período Nazista. 
 
                                                                                 *****
   O Crítico, com direção e roteiro de HernánGuerschuny , e no elenco como o esforçado protagonista Rafael Spregelburd , Argentina, 2014. Quando um fiapo de insight surge tento aproveitá-lo da melhor forma, pois regando tal fiapo posso vir a ter uma ideia concreta e bacana. O fiapo da ideia em questão é na verdade uma pergunta que a segue: Por que raios um diretor de cinema quis fazer um filme sobre geralmente os seus algozes: os críticos de cinema ? 

   Neste filme especificamente temos um diretor que é também editor chefe de uma revista argentina especializada em críticas cinematográficas. Outra pergunta que fica no ar seria o por que de tal motivo deste meio diretor e meio editor de revista especializada da mesma mídia audiovisual insistir em querer produzir um filme justamente sobre os críticos de cinema, já que o diretor do filme em questão é também um critico de cinema? 

   Ou seja, só quis enfatizar a mesma pergunta.

   Entretanto, brincadeiras perceptivas de lado, mas no decorrer do filme tais perguntas são respondidas de formas claras, concisas e até obvias por vezes. Na real o filme quer selvagemente exterminar o ofício de crítica de cinema da face da Terra, pois estes, segundo os cineastas, são profissionais incapazes de criar suas próprias obras fílmicas, e por isso escrevem o que sentem ou percebem dos filmes que assistem. 

   Os críticos por sua vez defendem-se afirmando que sem o papel do crítico no cinema, este não poderia ser melhorado e ainda não daria a informação necessária para que as pessoas escolhessem aquele filme ao invés de um outro, ou seja, o critico é fundamental para este tripé audiovisual ( diretor –crítica especializada- público )porque serve como uma
espécie de ponte para quem faz um filme: O diretor, e para quem assiste: O público, dando o crítico suas principais informações sobre a obra fílmica discutida e a classificando como ruim ou boa sem stress e na “lata”. 

   Talvez deva ser por essa objetividade parcial que o crítico escreve sobre os filmes que se torna a coisa que mais irrita os diretores de cinema. O filme se baseia em essência neste dilema: Um crítico fazendo seu papel de escrever o que achava dos filmes que assistia e vez por outra tal crítico tinha problemas com cineastas com síndromes de “Godardzinhos” , por não conseguirem encarar suas criticas, por vezes ácidas, dos seus bebes ou filmes.

   Todavia é importante ressaltar pela primeira vez, vista ao menos por este que vos escreve, um filme se presta a
tentar mostrar a vida de um crítico de cinema em uma obra fílmica, o filme ainda com uma idéia boa não consegue agradar, pois mostra um critico total e bestialmente estereotipado ( não sei da onde, talvez da Argentina mesmo ), como um nerd, sem vida social e/ou um tremendo incompetente em conquistar uma mulher. 
 Enfim, temos uma ideia boa, mas um filme ruim; E isso talvez pode explicar o fato em que o diretor é também um crítico de cinema, então fica claro que ele mistura as coisas e o obra fílmica se perde totalmente no meio do caminho, isso para não escrever que se perde desde o inicio até o seu final. 

   Há alguns anos não assistia a um filme argentino que posso dizer com a boca cheia que é de fato ruim. Tomara que eles não continuem nesta linha, pois sem dúvidas o cinema argentino é o melhor que temos na América do Sul, e não a toa que foi o único representante do nosso continente ao Oscar 2015. Não que esta premiação industrial cinematográfica seja alguma coisa no critério de filmes de qualidade, mas apenas uma constatação deste crítico, e esperemos que ano que vem tenhamos algum filme brasileiro que de fato seja interessante concorrendo ao prêmio.